Arbitragens
Porque não se ouvem os árbitros pedir meios tecnológicos?
25/03/09 14:35 Classificados como: Árbitros
Não consigo perceber a lógica. São juízes de tudo o que se passa no campo. Erram porque são humanos e naturalmente limitados na sua capacidade de avaliar os detalhes de cada lance. Podiam errar menos se tivessem meios tecnológicos. Aparentemente não estão interessados ou eu estou muito mal informado.
A FIFA e UEFA, que devem ser as organizações mais idiotas e incapazes do universo desportivo, insistem em manter a “margem” de erro a níveis da primeira metade do século passado. Até aceitam patetices como ter mais um árbitro em campo (que diminui ligeiramente a margem de erro mas está a milhas da avaliação de imagens de meia dúzia de câmaras de filmar por um quarto arbitro) mas para meu espanto não parecem interessados em tecnologia. Em algo que provavelmente acaba com erros em quase todos os cenários. A única justificação que encontro é as organizações que tutelam o futebol acharem a deturpação da verdade desportiva algo aceitável.
Tecnologia como auxiliar de arbitragem não é novidade em várias modalidades. Está é ainda para chegar ao futebol, o mais televisionado e rico de todos os desportos na Europa. Onde a fotografia não existe (como no atletismo) e o video (como no rugby) é ficção cientifica... mas não deveriam ser os árbitros os maiores interessados em ter meios para “errar menos”, poder fazer julgamentos matéria de direito (interpretar as leis do jogo) na posse dos factos (o que aconteceu) por oposição a julgar com base no que parece ter acontecido (e que milhões estão a ver de três ângulos diferentes na televisão)?
Se a posição da FIFA e UEFA é só absurda e estúpida, já os árbitros são suspeitos e a sua postura é incompreensível. A margem de erro é um convite à suspeita, à injustiça, ao julgamento impossível. Não faz qualquer sentido não advogarem a utilização de mais meios para os ajudar a fazer o seu papel com menos margem para errar.
Não percebo porque os relatórios do arbitro entregues no final de cada jogo não são públicos.
Não percebo porque não ouvimos a conversa entre árbitros e jogadores (como no rugby).
Não percebo porque não ouvimos a conversa entre árbitros e os seus auxiliares. Há alguma coisa a esconder na conversa de “viste se foi X que aconteceu?” e a respectiva resposta afirmativa ou negativa?
Não percebo como se tolera uma completa falta de respeito pelos árbitros (vejam um qualquer jogo do campeonato do mundo de rugby na televisão), percebo é a causa: alguns desses árbitros não se dão ao respeito e como tal não o merecem.
Os árbitros de futebol não explicam as faltas em muitos casos (que deviam explicar, para toda a gente perceber o que aconteceu e porque foi marcada), fazem caras de maus e mandam os jogadores embora (são tipo... cães? É que essa é a figura típica de quem aponta para o ar a mandar o cão lá para fora!). Ouvem insultos e comentários desrespeitosos e fazem de conta que não foi nada. O som do microfone devia ser público, o mais pequeno sinal de desrespeito devia resultar na expulsão do jogador (ou substituição obrigatória, temporária ou definitiva)... que inovador (para quem nunca viu rugby).
Há jogadores que acusam árbitros de lhes segredarem mensagens destabilizadoras, árbitros que acusam jogadores de insultos e acusações. Muito bem. E que tal lidar com ambos os casos de forma clara, pública e transparente? Haverá alguma coisa no futebol que torna isto mais complicado que no rugby ou em desportos de combate? O futebol é mais viril e incontrolável que os outros desportos todos?
O futebol é muito mal tratado por organizadores e árbitros. É uma pena e uma vergonha.
Comments
Taça da liga 2008/2009... foi mentira!
23/03/09 11:52 Classificados como: Sporting
O arbitro Lucílio Baptista cometeu um erro de análise e marcou um penalty inexistente. O Benfica empatou o jogo, que veio uns minutos mais tarde ganhar na marcação de grandes penalidades. A taça foi para o Benfica e o Sporting ficou com o sabor amargo da derrota na língua.
A responsabilidade primária pelo sucedido é obviamente dos dirigentes do futebol moderno que recusam a utilização de meios auxiliares (video) para a arbitragem. Todos os espectadores de um jogo transmitido em directo na SIC viram imediatamente que se tratava de um erro de julgamento, os árbitros não tiveram acesso às imagens, usaram as impressões que tinham recolhido no campo para julgar (mal) o lance.
Ninguém me convence que isto são “contingências do jogo” e que existem “valores mais altos” que a verdade desportiva. Se usamos câmaras de video para o rugby, de fotografar para o “photo finish” nas corridas de velocidade, não faz sentido nenhum não se usar tecnologia no futebol em nome da salvaguarda da justiça dos resultados.
O que se passou é uma vergonha. Uma injustiça. Mas o culpado não é o arbitro, não são os jogadores que celebram uma vitória “baseada em erros de arbitragem”, não são os treinadores. Os únicos culpados são os cavalheiros que dirigem o futebol e preferem conviver com os erros dos árbitros a salvaguardar a verdade desportiva.
Sporting - Porto (Taça de Portugal)
10/11/08 18:03 Classificados como: Sporting
Grande jogo!
Foi a melhor exibição do Sporting este ano. O Porto ganhou nos penalties. Fui ao estádio com a minha “mais que tudo”, gostei muito, foi uma grande noite de bola. Infelizmente o Sporting perdeu o jogo e saiu da taça. tenho alguma esperança que se ganhe uma equipa com o jogo, mas a minha impressão é que raramente se ganha alguma coisa nas derrotas (exceptuando neste caso a folga em dias de taça que essa é adquirida).
Toda a gente parece falar imenso sobre a arbitragem do Bruno Paixão... Antes de mais, eu considero o Bruno Paixão um mau arbitro de futebol, incapaz de manter um critério ao longo de 30 minutos, quanto mais ao longo de 90/120. Como é um mau arbitro cometerá quase sempre mais erros que outros. Ontem não foi diferente. Não acho que tenha prejudicado mais uma equipa, nem que tenha estragado o jogo. Falseou a verdade desportiva? Claro. Mas a culpa não é dele e sim da FIFA.
Os senhores que tutelam o futebol mundial insistem em manter o futebol de alta competição no século 19. Não há motivo nenhum para os árbitros não terem acesso às imagens filmadas, em caso de duvida as consultarem, e caso o quarto arbitro detecte alguma coisa o comunique ao chefe de equipa. É uma completa patetice que basicamente atribui uma componente de engano aos resultados, apenas porque querem que assim seja. Mesmos os bons árbitros erram, fazem-no é menos vezes que os maus árbitros, falseando resultados sem qualquer dolo. Apenas porque com as ferramentas ao seu dispor (i.e. seis olhos da equipa de campo e intercomunicadores) é virtualmente impossível ajuizar correctamente alguns lances.
Deixem lá o Bruno Paixão em paz. Acredito que ele de consciência tenha feito o melhor que podia, que sabia, com a melhor das intenções. Não se pode pedir mais. Errou muito? Pode ser que sim... mas se lhe derem melhores condições o mais provável é errar menos.
