ATC - flashbacks
27/10/15 00:21 Classificados como: Fashbacks
ATC - Disruptive noise
26/10/15 10:33 Classificados como: Disruptive noise
Concept: A air traffic control tower with crazy neurotic maniac operators from hell. What could happen?
If it gathers positive feedback this could be fun…
Parar de fumar: As primeiras 72h!
29/09/15 17:51 Classificados como: Parar de fumar
Nasci em Outubro de 1969. Fumei desde os 15 anos, mais coisa menos coisa, parei de fumar no dia 27 de Setembro de 2015 (às 15h). Números redondos, são 30 anos a fumar, cerca de 20 cigarros por dia.
Este texto é sobre essa minha relação com a nicotina, alcatrão e uma série de químicos que desconheço de nome, mas que sei que estão nos cigarros que fumo. Já parei de fumar algumas vezes no passado, sei o que me custa parar, sei como é fácil voltar a fumar.
Eu não me preparei para deixar de fumar. Não marquei uma data. Não escolhi o dia. Não esperei por acabar a caixa de Marlboro. Estava a almoçar com a minha mulher, achei que deixar de fumar era uma ideia interessante, a propósito de coisa nenhuma que me recorde.
Tenho 3 isqueiros e 3 caixas de 20 cigarros novas na secretária. Não vou recorrer a truques, tipo afastar todas as tentações, pedir ao mundo para não fumar ao pé de mim, tomar nicotina em adesivos ou pastilhas. Sou eu e tu dona nicotina, bora lá a a isso, a ver quem ganha… let's dance!
As primeiras 24 horas...
A imagem é de uma app:
Meu último cigarro - Pare e não volte a fumar - Mastersoft Ltdque instalei no iPhone. A app mostra um contador de minutos desde o meu último cigarro, ilustrando os benefícios para a saúde relacionados com a minha abstinência de fumar.

Eu já passei por isto no passado, e sei a receita para parar. Primeiro há que tomar a decisão de parar. Não é a decisão de "querer parar" um dia destes. É a decisão de parar, já, de vez, agora. Depois disso é tudo simples, mas penoso, e que implica um compromisso com a decisão tomada:
1- Não há mais nenhuma passa... não há excepções. Não há cá terapias "soft" de ir progressivamente fumando menos até ao dia de parar. Custa, mas funciona parar "cold turkey". Todas as minhas tentativas "progressivas" não funcionaram, foram mais penosas, e a abordagem "penso rápido" funcionou sempre melhor.
2- Não há batotas, pastilhas de nicotina, cigarros electrónicos, nada. Ou é para fazer ou não é. Os primeiros dias são chatos, isto não é propriamente heroína ou álcool, em que as paragens súbitas e descontroladas são acompanhadas de desequilíbrios físicos que são potencialmente letais. É uma guerra pessoal, interna, de vontades, a de fumar e a de não fumar.
3- Vai apetecer fumar. Ou se quer parar ou não se quer. Quem quer mesmo parar não fuma (não mete o cigarro na boca). Custa. Paciência, há muita coisa que custa na vida, e quem quer essas coisas tem de pagar o preço.
4 - Não vou deixar todos os meus vícios ao mesmo tempo (e alguns não quero deixar de todo). Vou continuar a beber café. E sim, vai apetecer mais fumar nessas alturas. Paciência. Eu não me vou esquecer que fumar é apetecível para quem está a em défice crónico de nicotina, e andar a trocar café por chá, "por causa da associação" do café ao cigarro. Isso a mim não faz nenhum sentido. "Esquecer" não faz parte do processo de eu largar um vicio. É ao contrário, é lembrar que se tem um problema com a nicotina que ajuda a lidar com ele.
5- As pessoas à minha volta não fazem parte deste processo. Parar de fumar não me dá o direito de me portar com um cretino, de libertar a minha frustração com a privação dos cigarros, nem de obrigar as pessoas à volta a envolverem-se. A decisão é minha. Pessoal. Não é para partilhar. Não há parceiros ou aliados externos nessa luta interna de vontades. A história de anunciar aos sete ventos que se deixou de fumar, porque a "vergonha de recair ajuda" é próprio de pessoas muito fraquinhas e impressionáveis com a opinião dos outros. A mim isso não ajuda puto, não me podia estar mais marimbando para a opinião dos outros sobre o meu consumo de nicotina, alcatrão e mais "sabe-se lá o quê" que a Marlboro mete nos cigarros. Já eu portar-me um idiota, mais ainda que o costume, por estar a deixar de fumar, é algo que me desagrada e que preciso de ter muito presente para evitar. Tenho de ter um controle mais consciente sobre os meus humores durante estes dias.
Como lidar com a vontade "incontrolável de fumar"? De frente! Não vou fumar. Simples. E agora se não estivesse parvinho por causa da privação da nicotina o que é que eu iria querer fazer "a seguir" a inalar minha "dose"?
As tácticas de fazer coisas "substitutas" para quando me apetece fumar, tipo ir dar uma volta, ou fazer ginástica, etc... não funcionam. Tenho de trabalhar, tenho coisas que quero fazer, já agora uma delas é não fumar, e não faço tenções de me enganar a mim próprio relativamente ao que me está a fazer sentir "desconfortável" ou "impaciente". Eu sei o que é: privação de nicotina. Aguenta, não chora.
Essa vontade diminui com o tempo, nunca passa totalmente no meu caso, não faço puto de ideia se com o resto do mundo é igual. Já voltei a fumar depois de anos de abstinência. É crónica a minha vontade de fumar, umas vez mais forte, outras vezes mais fraca, mas está lá, à espera da oportunidade para voltar ao meu vicio. E porque voltei a fumar não quer dizer que "falhei", posso sempre parar outra vez. A pessoa a quem mais deve interessar essa relação com as tabaqueiras é a mim próprio...
Entre as minha desculpas preferidas que as pessoas arranjam para falharem, perante elas próprias e terceiros, é que não podem parar de fumar "agora" porque "afecta" o trabalho, ou "a relação" com alguém, ou seja lá o que for. Isso são raciocínios de quem não quer parar. Como se estragar as férias fosse "melhor" que lidar com o incomodo da privação, ou esperar que a relação que não se quer estragar acabe fosse uma boa ocasião para "deixar de fumar"... Ou se quer parar, ou não se quer parar. Muita gente não quer, porque lida mal com o desconforto que a privação da droga causa, e prefere as vantagens do consumo com todas as consequências a ele associadas. São opções pessoais e não são opções fáceis.
Querem inspiração para lidar com "o desconforto"? Sugiro vivamente que leiam o "The heroin diaries" (Nikki Sixx) - http://amzn.to/1MSavjE - que descreve o processo infinitamente mais complicado de lidar com a dependência de heroína. Deixar de fumar é substancialmente mais confortável... Aproveitem e conheçam Sixx A.M. (banda sonora do livro, literalmente) - http://amzn.to/1jnMJ2i - que é brilhante.

Eu fumei o meu ultimo cigarro depois do almoço. É na hora de me deitar, quase dez horas depois, que sinto maior vontade de fumar... Os níveis de nicotina no meu organismo estão 20% mais baixos que o "normal" e o meu cérebro começa a reclamar vivamente...
Going to bed…. zzzzzzZZZZZZZ… waking up…..

Ao acordar, a primeira coisa que fazia era tomar um café e fumar um cigarro. O melhor café e cigarro do dia. Hoje é diferente. O café continua bestial...
Bom, é dia de trabalho, a vontade de fumar vai ser grande, à medida que os níveis de nicotina no meu organismo baixam e o cérebro pede para serem restabelecidos. Os primeiros dias são particularmente chatos. Há que conseguir fazer o trabalho, não é suposto notar-se nenhuma diferença no meu comportamento e desempenho.
Os níveis de monóxido de carbono baixam para o normal (de um não-fumador) ao longo do dia de hoje (depois de 24h sem fumar)...

A imagem é de uma segunda app:
Smoke Free - Quit smoking now and stop for good - David CraneQuase 24h depois, os níveis de nicotina estão a sensivelmente metade, quanto mais baixos maior a sensação de apetecer fumar, só vai continuar a piorar nas próximas 24h. Estas primeiras horas foram más e só vai piorar, até ao momento em que começa finalmente a melhorar. Quando é que isso acontece? Quando os níveis de nicotina chegarem a zero (48h depois de parar) e a minha vontade de os repor for diminuindo (fumar é isso; repor níveis de nicotina em que se está viciado).
Exercício físico
Uma das (poucas) coisas que me dá algum prazer, no meio do sacrifício que representa fazer o desmame da nicotina, é ir ver a minha resistência física a aumentar. Fazer exercício ajuda a diminuir a vontade de fumar.
No primeiro dia, fiz dois blocos de exercício:
- 1 km a correr (neste caso a arfar, andar para recuperar o fôlego, e a voltar a correr novamente). 1,02 km em 9:32 minutos.
- 1000+ passos a passear o meu cão, a brincar com ele, com pausas ocasionais para ele cheirar "coisas"... 1050 passos durante 14:38 minutos
A caminho das 48h e nível "zero" de nicotina

É descer a pique na montanha russa, até atingir o ponto mais baixo, mais difícil, que mais custa. A nicotina vai baixando... a vontade de fumar ("cravings") permanece no máximo! As primeiras semanas são particularmente duras, mas a vontade de fumar eventualmente vai diminuindo...
zzzzzzZZZZZZZZZZZZZ


Noite mal dormida. Estou quase sem nicotina no organismo. Não sei se há um nexo de causalidade. Não interessa...
Interessa neste ponto no tempo perceber que isto é "o pior" que se vai estar no que respeita à vontade de fumar. Durante algum tempo (semanas) esta "intensidade" com que se deseja fumar não desaparece. O que passa é a ser "esquecida" mais vezes, quando regressa "incomoda na mesma" (e com a mesma intensidade), mas à medida que o tempo passa sucede menos vezes.
Fui descobrindo pequenas receitas para lidar com a vontade de fumar...
Pessoalmente os momentos que me custam mais são os de tensão e ansiedade (reuniões, gestão de pessoas e processos que estejam a correr mal, etc). O cigarro fazia o papel do veículo para o "espera, pára, pensa". Passei a fazer pequenos exercícios respiratórios (i.e. respirar fundo meia dúzia de vezes) antes de lidar com a situação.
Passei também a ir "andar" uns minutos, nas minhas "pausas" anteriormente dedicadas aos cigarros... À volta do quarteirão, no parque de estacionamento, em qualquer sitio... Essas pausas estão relacionadas com o próprio processo de trabalho, em que avalio o que estou a fazer, para onde estou a caminhar, e que sentido isso faz. O cigarro era só o "marcador de ritmos" que assegurava a regularidade dos intervalos, não quero perder as vantagens dessas pausas, mesmo que perca a "campainha da nicotina" a dar horas.
Beber muita água ajuda...

Ah!AH! Começa a baixar a coluna dos "cravings", devagarinho, mas começa a baixar!
Exercício físico
À medida que o ultimo cigarro vai ficando mais distante, o nosso corpo lida melhor com o exercício, e podemos ir aumentando a dose sem um esforço excessivo...
- 2.12 km a correr (neste caso a arfar, andar para recuperar o fôlego, e a voltar a correr novamente). 2,12 km em 18:02 minutos. Custou-me menos que ontem percorrer o dobro da distância em menos tempo. É espantoso como noto a diferença que 48h sem fumar fazem.
- 2000+ passos a passear o cão e a brincar com ele. Muitas pausas para ele cheirar "coisas"... 2077 passos durante 30:58 minutos
As 72h mais tarde: recuperar sabor e olfacto...
É uma boa altura para comer bem... por volta das 72h depois do ultimo cigarro a percepção do sabor e olfacto voltam ao normal. A capacidade de respirar e níveis de energia também recuperam para níveis de um não fumador...

A velocidade a que o nosso corpo inicia a recuperação é em alguns aspectos surpreendente... e sente-se perfeitamente nos primeiros dias. É agradável sentir essas alterações.
… e a parte realmente mais complicada de deixar de fumar "está ultrapassada". Agora é dar tempo ao tempo, resistir à vontade de fumar que vai recorrentemente voltar a aparecer, mas com cada vez menos frequência…
Eu e a bicicleta...

Estava eu um dia a relaxar no Jamor, deitado na relva, quando num ataque de loucura, a minha “mais que tudo” propôs que se fossem comprar umas bicicletas. Podíamos fazer uns passeios e com isso passar umas tardes agradáveis no fim-de-semana. Dito e feito, fomos directos ao Decathlon para comprar as ditas bicicletas.
Eu queria bicicletas de BTT, por vários motivos, sendo o principal porque gosto da ideia de sair de estradas e caminhos civilizados e ter a opção de andar por trilhos em parques e florestas. A minha moça alinhou, e comprámos um par de B'TWIN ROCKRIDER 340 (180 euros cada).
Vinte e tal anos sem andar de bicicleta (tanto eu como ela) e descobrimos que ainda conseguimos dar ao pedal sem malhar na primeira curva. Alguns minutos a andar nas bicicletas, no parque de estacionamento ao pé de casa, confirmou que estava tudo bem…
Acessórios e equipamentos…
Em ambas as bicicletas metemos uma bolsa (à frente, junto ao guiador) e um suporte para garrafa de água e a dita garrafa. Na minha eu meti um suporte para a GO PRO, a Marlene acrescentou a ela um suporte para a bicicleta não cair (a minha fica no chão ou encostada a qualquer coisa, não estou minimamente preocupado com isso). Arranjei uns “reforços de gel” para os selins, que são a coisa mais desconfortável que se possa imaginar, mas que não me parece que ajudem…
Quanto a equipamento dos “atletas aventureiros”: Capacete e um par de luvas para cada um. Eu comprei uns calções confortáveis para andar. A moça ainda não se interessou por roupa para os passeios.
Por onde andar?
Quero árvores, jardins, nada de estradas com carros, de preferência sem gente a mais… já testei dois sítios: Jamor (Oeiras) e Quinta das conchas (Lumiar). Com o tempo descobrirei muitos mais e melhores…
Jamor (Oeiras)

Pouca gente, pisos variados, muitos caminhos de terra batida, Gosto. Bom sitio para fazer a minha hora e meia (cerca de 10 km, que é o que aguentamos nestes primeiros dias) a brincar com a bicicleta. O video dá para terem uma ideia do cenário…
Quinta das conchas (Lumiar, Lisboa)


Dependendo da hora há muita gente, e em particular muitas crianças, o que significa atenção constante a esses obstáculos em movimento, pelo que há que tomar atenção. A voltinha “curta”, sem ir para fora de estrada, é pouco mais que um km “muito fácil”, com uns 21% do percurso a subir, e outro tanto a descer, com 58% do percurso plano. A volta “mais longa”, saindo da estrada, acrescenta uns 300 metros ao percurso praticamente sempre a subir, em terra batida, que torna cada volta um bocadinho mais “dura”. No video podem ver o cenário (putos kamikaze incluídos)…
Runtastic Mountain Bike
O software que escolhi para medir os meus progressos é muito, mas muito, muito bom. Contabiliza velocidade, inclinação do terreno, dá mensagens de incentivo, marca os meus recordes, etc. Muito satisfeito com a escolha que fiz…
O documentário mais épico de sempre sobre motas...
25/06/15 13:52 Classificados como: Motas
Não é segredo que eu adoro motas… já escrevi muito sobre o assunto, já fiz uma viagens porreiras incluindo o coast to coast (atravessar os estados unidos seguindo a famosa route 66). Mas esta viagem à volta do mundo é um patamar tão épico que me deixa cheio de inveja.
O documentário é uma série de televisão absolutamente fantástica. Está todo no Youtube, bem como o "Long way down" (da Escócia à Africa do Sul). Ambos os videos estão também na Amazon.
"The movie finders guru" missing manual!
20/06/15 17:33 Classificados como: Movie guru
"The movie finders guru"
04/06/15 17:16 Classificados como: Movie guru
De vez em quando há fins de semana que resultam em "coisas"… desta vez, no ultimo fim de semana, nasceu o "The movie guru":

É um motor de recomendações, cruzando os dados sobre os melhores filmes que os utilizadores pesquisam e classificam. Neste momento está a coleccionar dados, quando atingir um valor razoável de dados, começa a mostrar as recomendações adequadas a cada utilizador. Vai mostrar não só os melhores filmes do passado (para cada pessoa) mas também os presentes (i.e. em exibição) e futuros.
Os algoritmos estão escritos, carecem de validação no terreno, e é para isso que serve este projecto… quer ajudar: vá ao site http://movie.finders.guru e classifique meia dúzia de excelentes filmes… isso é um padrão, e eu preciso de umas centenas deles.
Socialismo e liberdade
20/04/15 14:23 Classificados como: Sociedade

Faz-me impressão quando o estado resolve limitar a minha liberdade, proibindo-me de fazer coisas que só a mim dizem respeito (andar de mota sem capacete) ou "taxando o que entendem que é mau para mim" (beber álcool ou consumir drogas na privacidade do meu lar sem afectar terceiros). Os estados assumirem uma postura paternalista, tratando as pessoas como atrasados mentais ou criancinhas que precisam de orientação, é insultuoso. Se os estados entendem que quem "anda de mota sem capacete" ou "abusa de determinadas substâncias" não pode onerar os serviços estatais de saúde, muito bem, não trate essas pessoas (elas que apostem em seguros de saúde privados que cubram esses riscos, ou que os assumam, se lhes correr mal o problema é delas). O que não deve é interferir na liberdade das pessoas de tomarem as suas decisões e arcarem com as consequências das mesmas. Liberdade implica isso mesmo: lidar com as consequências das acções que resolver tomar.

A forma de lidar com o problema dos estados modernos é literalmente tirar o dinheiro às pessoas, supostamente é uma poupança compulsiva e gerida pelo estado. É uma burla. Só é "sustentável" quando a base de contribuintes é maior que a base de beneficiários, porque todo o dinheiro taxado é usado imediatamente para "tapar as despesas correntes" dos actuais beneficiários. As contribuições que são descontadas a cada pessoa não existem para beneficiar o contribuinte "forçado", existem para pagar as despesas de quem está actualmente a beneficiar do esquema. Em Portugal, com a diminuição da base contributiva e aumento da expectativa de vida, o esquema vai obviamente deixar de ser "viável". A única coisa que diferencia um esquema de "pirâmide" ilegal de um legalizado, e perpetuado por um estado, é as pessoas não poderem "sair" e não terem a opção de "não entrar" (i.e. fazerem a gestão das suas próprias poupanças, ou apostarem em seguros de reforma privados, ou em investimentos de longo prazo). Mas nem assim o dito é viável, porque as "saídas" de investidores fazem-se por via da demografia e do aumento das expectativas de mais pessoas viverem mais tempo.
O drama destes estados paternalistas é assumirem que limitando a liberdade das pessoas vão obter melhores resultados. Que não é verdade em muitos casos, como na gigantesca mentira (golpada) que é a segurança social; literalmente um assalto entre gerações. E eu entendo que a qualidade dos resultados nem sequer é a questão, a liberdade das pessoas tem que ser mais importante, que qualquer promessa de um colectivo. As pessoas são livres de usando a sua liberdade se associarem e se protegerem de forma solidária, constituindo seguros de saúde ou de reforma, por exemplo. Mas sem a força de um estado a tornar a adesão a esses colectivos compulsória. É nesse detalhe, de não ter a escolha de aderir, que a nossa liberdade vai pela janela, e somos engolidos pelo colectivo, que se arroga a achar que sabe melhor que o individuo o que é melhor para ele.
Democracia
07/04/15 15:39 Classificados como: Sociedade
Alguns pensamentos soltos sobre "democracia"… aparentemente a maior parte das pessoas nunca pensou sobre o que significa e confunde com ser sinónimo de liberdade.
O dicionário não ajuda a descodificar a realidade:

Ponto 1 da definição: A democracia pode ser directa. (i.e. cada questão é decidida por voto). Tende a ser mais comum com "pequenos" grupos. Progressivamente menos comum proporcionalmente ao tamanho do grupo. Em grupos maiores tende a ser uma democracia "indirecta" ou "representativa", em que se escolhem "líderes" ou "partidos", que por sua vez escolhem as suas equipas, ou representantes, que no fim da linha votam decisões (representado quem os elegeu no inicio do projecto).
Há vários problemas com a democracia mesmo quando é "directa" e outros problemas progressivamente mais complexos quanto mais "indirecta" for a democracia. Mas vamos apenas aos mais simples de entender…

A democracia é a prevalência da maioria sobre a minoria. 51% das pessoas decidem o destino dos restantes 49%. Ser democrata implica tacitamente aceitar estar em qualquer um destes grupos. Mesmo quando a maioria pode decidir frontalmente contra os interesses da minoria. A maioria pode legislar que determinadas acções são puníveis e impor essa punição à minoria. Não fiquem tão chocados que é isso que acontece em todas as sociedade democráticas. Os direitos do individuo são colocados em risco pela vontade do colectivo.
Ah, e tal, mas "há formas" de salvaguardar os direitos e liberdades do individuo, através de constituições, o grupo assinando convenções (tipo "direitos humanos" e protocolos associados), etc. Basicamente não. Não porque é a maioria que decide as constituições (às vezes com salvaguardas tipo só com 75% dos votos), a que convenções e protocolos decide aderir ou resolve abandonar. Não, não há. A democracia é sempre a subordinação dos direitos dos indivíduos aos interesses do colectivo. Não há veto individual.

A prevalência do "colectivo" sobre os direitos dos "indivíduos" é o pretexto utilizado nos últimos 200 anos para criar aberrações como o "socialismo". E a dissociação entre democracias e os dois "ismos" só se faz porque, uma vez no poder, os comunistas historicamente demonstraram ter "zero" apetência para dar ao povo a palavra. Os "socialistas" tendem a ser o "bom bandido", que rouba (i.e. taxa) às minorias mais bem sucedidas, para distribuir pelas maiorias (i.e. subsídios, segurança social, etc) que lhe conferem o poder… o socialismo tende a dar-se bem com as maiorias, consequentemente com a democracia, é a arte de "taxar" de um lado, distribuir de outro, assegurando que consegue manter as maiorias satisfeitas. Pelo meio há toda a perversidade, falta de senso e muita incompetência, de quem está a manipular o dinheiro dos outros, precisa de o gastar de forma tão visível quanto possível de forma a assegurar os votos em cada ciclo de "democracia".

Falei bastante sobre o assunto com vários amigos (de comunistas a liberais, passando pelos vários "ismos" e diferentes graus de "social-ó-apologistas") no "tempo de antena" (podcast em video). Claro que poucos concordam comigo, mas eu não estou a concorrer para ser popular, nem para ganhar eleições, apenas a usar uma coisa preciosa chamada liberdade de expressão.
Em Portugal…
Nas "democracias representativas" há um funcionamento por camadas; o povo vota em partidos (e na carinha laroca que os representar em cada eleição), os partidos votam nos seus próprios lideres e escolhem os seus representantes (listas para a assembleia da república), e depois o processo é passado para assembleias (da república no nosso caso) onde os representantes do povo, escolhidos pelos partidos em que o povo votou, votam à vez cada lei e discutem todos muito entre si. O partido mais votado, ou um conjunto deles, é depois convidado pelo presidente da república a formar governo. Ninguém sabe quem são os elementos desse governo, isso é escolhido pelos lideres partidários (ou pela máquina partidária que os domina, como preferirem). Esse governo para legislar, precisa de submeter (e está submetido) as leis à assembleia, onde na teoria se repete o sufrágio eleitoral em versão indirecta com os representantes dos partidos, perdão do povo que votou nos partidos, votam de forma supostamente "livre" as leis uma a uma. Na prática as máquinas dos partidos controla esses votos mas por algum motivo é importante dar a ideia de que não. Episodicamente há uns casos (tipo "queijo limiano") no parlamento, e é dada liberdade de voto aos deputados (se isso não coloca em risco os interesses do partido, questões morais tipicamente, que são elevadas ao estatuto de "mais importantes" que "questões financeiras", talvez porque o partido não paga em "moralidades" e sim "em euros" os seus interesses).
Já a eleição para presidente da república é mais directa. Supostamente sem máquinas partidárias à mistura (se bem que "milagrosamente" parece haver muito mais dinheiro nas campanhas dos candidatos com apoios partidários). O presidente eleito não tem que depois debater cada resolução com os candidatos minoritários (ou seus representantes). Entre o circo que é o parlamento, com os filhos e enteados dos partidos a levantar a mão a pedido, e a presidência da república, confesso que prefiro a versão mais barata da coisa (e apenas por isso).
Não sendo democrata a minha preocupação é em manter a minha liberdade… infelizmente a maioria das pessoas resolveu votar em pessoas que posteriormente decidiram que eu tenho de pagar imensas coisas em que não tenho qualquer interesse (bancos por exemplo, estradas em que nunca vou passar na minha vida, etc). E como vivemos em democracia podem legislar livremente sobre quanto me vão cobrar em impostos e para que uso fazem desse dinheiro.
O que eu gostaria…
Ah. Eu gostaria de muita coisa radicalmente diferente mas, relativamente à democracia, e assumindo que não me livro da "lei da maioria" a ser "bully" do individuo (que eu acho uma ideia terrível) e a determinar a minha liberdade, gostaria de a tornar pelo menos execrável e mais lógica (dentro da obscenidade inerente ao conceito):
- que fosse sempre directa e em programas vinculativos: não houvesse deputados e sim apenas um governo eleito com um programa definido antes de cada eleição em que os eleitores votassem. Por outras palavras, o programa de governo ganharia as eleições e os governantes estariam mandatados para executar esse programa. Tudo o que não estivesse no programa que seja referendado. Votar em círculos de poder (i.e. partidos) e "desconhecidos" (as listas dos partidos) que são livres de mentir desalmadamente, propor umas coisas antes das eleições e executar outras (às vezes o exacto oposto do que prometeram), é de um nível de estupidez que devia ser óbvio para toda a gente. Mas não é. Aparentemente a nossa sociedade gosta de aldrabões no poder, e depois choraminga que fazem vigarices (como se fosse de esperar qualquer outro resultado). As pessoas são maioritariamente burras como pneus e manda a maioria.
- que fosse proporcional ao dinheiro taxado aos contribuintes; quem paga mais para o colectivo deve ter mais peso na decisão de como é gasto o dinheiro. Até proponho a formula: ao voto de cada um (1 unidade) seria somado uma décima de ponto por cada escalão de IRS (i.e. havendo meia dúzia de escalões, os contribuintes que pagam mais teria 0,6 votos adicionais.
- que fosse proporcional aos anos como contribuinte de cada pessoa: quem paga impostos à mais tempo (as pessoas mais velhas) ter mais poder de voto. Acredito que a idade e experiência de vida acarretam tipicamente uma melhor capacidade de decidir os destinos do colectivo. Até proponho uma formula; por cada década como contribuinte (i.e. em que pagou impostos) que seja acrescentada à unidade de voto de cada um uma décima de ponto. Quem paga impostos há 10 anos teria assim mais 0,1 votos, 20 anos corresponderiam a 0,2, etc.
- que fosse proporcional aos níveis de educação das pessoas, porque ter mais educação tende a ajudar as pessoas a ter melhor capacidade de decisão dos interesses do colectivo. Até proponho uma formula: uma décima de ponto por cada nível de ensino a somar ao ponto de base: 0,1 para o primário, 0,2 para o secundário, 0,3 para o ensino superior.
- zero dinheiro de impostos a ir para partidos políticos. Financiem-se directamente junto dos apoiantes que reúnam.
Entrar em contacto comigo...
E-mail é o meio mais usual de entrar em contacto comigo. Eu verifico o e-mail diariamente, normalmente várias vezes por dia, esteja ou não a trabalhar. Respondo a todos os e-mails, que careçam de resposta, o mais depressa possível. O e-mail não me interrompe, não é intrusivo, e é a ferramenta de eleição de comunicação. Recebo e-mail 24h por dia, leio e respondo na primeira oportunidade.
Instante messaging e telefone (SMS/Skype/Voz) serve para emergências. O que está a ser enviado necessita da minha atenção no momento, não pode esperar. As mensagens instantâneas interrompem-me o que estiver a fazer, obrigam-me a parar, a dar atenção ao que quer que lá esteja. É bom que seja importante e urgente, porque o meu humor desaparece instantaneamente quando acho que as pessoas estão a abusar da minha disponibilidade e utilizam indevidamente esta forma de comunicar comigo. Eu tenho Skype/SMS ligados 24h por dia para emergências.
É importante perceber a minha disponibilidade…
Eu estou a trabalhar entre as 10:30 e as 18:30 todos os dias úteis. É durante esse período que estou mais activo a responder a e-mail. Excepcionalmente trabalho fora de horas e durante os sábados/domingos/feriados, mas não é a norma. O normal será eu responder a mensagens de e-mail durante o horário normal de trabalho. As mensagens instantâneas e chamadas de voz são processadas o mais depressa possível, assumindo que são de facto emergências, mas nem sempre o posso fazer no momento (i.e. posso estar ao telefone, ou em reunião, ou a lidar com uma outra emergência). Tenho limitações iguais às de todos os outros seres humanos relativamente a quantas coisas consigo fazer em simultâneo.
Sou pago por algumas empresas para estar disponível para emergências 24h por dia, 365 dias por ano, e para essas entidades estou obviamente sempre contactável (ou está entregue o contacto de quem me está a substituir durante determinados períodos de tempo). Quem me paga para esse efeito sabe que o faz, e quem não me paga para esse efeito sabe que não o faz. É normal que eu ignore ou cobre alarvemente (pelo menos o dobro de um ano de avença de disponibilidade) a quem não me paga, e devia ter pago para eu estar disponível, e depois tenta usar o meu tempo pessoal para questões profissionais urgentes fora do âmbito que me foi contratado.
E não abusar da mesma…
Quando um servidor está com problemas, em 90% dos casos eu sei instantaneamente, antes dos clientes que me confiam os sistemas terem sequer a percepção do problema. Não se trata de magia, mas sim de haver sistemas de alarme (Pingdom, Monitis e Monit) que me notificam de problemas em tempo real. Nem todos os potenciais problemas são detectados, e excepcionalmente são os clientes que entram em contacto comigo, mas na esmagadora maioria dos casos quando me contactam eu já estou a lidar com o problema (se é que não foi entretanto já resolvido).
Os sistemas de informação mais tarde ou mais cedo vão ter problemas. Hardware e software mais tarde ou mais cedo falham. Redes de que dependem mais tarde ou mais cedo vão ter problemas. Há hackers no planeta a atacar os sistemas diariamente numa corrida sem fim entre a aplicação de correcções de segurança e eles a tentarem explorar um problema de segurança conhecido. Administrar sistemas de informação é saber conviver com isto e fazer o melhor trabalho possível. É quando surgem problemas que se distinguem os homens dos meninos, é em cada problemas que se sabe evitar que se distinguem as pessoas que fazem o trabalho das que não fazem (ou fazem mal).
As pessoas quando precisam de mim esperam que eu saiba exactamente o que estou a fazer. Quando me passam um problema para as mãos a expectativa é de competência e capacidade para lidar com o problema. Cada decisão a tomar em momentos de crise é suposto ser suportada por décadas de experiência e conhecimento. Em momentos de crise não é suposto haver alarmismos e histerias, é suposto haver clarividência e pragmatismo.
Não há perto de mim "espaço" ou "tolerância" para a "menina que grita continuamente" tipo filmes de série B. E esta é a imagem de muito boa gente face aos problemas, principalmente face aos problemas que a própria "donzela" criou. Vejo mais isto acontecer com colaboradores que com clientes. 99% dos abusos do meu tempo, do Skype/SMS/Voz não são mais que ataques de histeria. Alguma coisa está a acontecer, a pessoa não percebe, entra em pânico, e em vez de usar o cérebro faz o mais simples e menos trabalhoso: ligar para mim… O que me deixam normalmente instantaneamente mal disposto e com pouca vontade de ajudar…
"Rápido, bom e barato": Escolha dois...
27/02/15 17:00 Classificados como: Full IT
Em 1998 fundei, com um conjunto de amigos, a MrNet (hoje Full IT, a mesma empresa com novo nome e imagem). Já lá vão 17 anos a fazer sistemas de informação para clientes. De sites (FNAC, RTP, SIC, Mediacapital, TAP, SATA, Gulbenkian, CCB, etc) a sistemas de E.R.P. (Digal, O.C.P., Centro Português de Serigrafia, etc) que gerem os recursos da empresa e actividades com clientes e/ou fornecedores, sistemas de facturação.
Alguns sistemas foram relativamente simples de programar, outros particularmente complexos. Mas na relação com os clientes fui aprendendo umas quantas lições que partilho aqui…
"Rápido, bom e barato": Escolha dois...

Isto só não é verdade quando se trata de usar tecnologia já desenvolvida e com poucas alterações…
Compre soluções que já constem do portfólio das empresas…
- A SIC e RTP beneficiaram de anteriormente a Full IT ter desenvolvido tecnologia de CMS para a Mediacapital (Siteseed 1). Depois do primeiro cliente, claro que é muito mais barato reciclar e adaptar tecnologia feita e estável. Conseguiram na altura uma solução muito mais barata, rapidamente e de elevada qualidade, para terem sites de elevada performance. Essa tecnologia ainda hoje faz a página da RTP ( http://www.rtp.pt/homepage/ ), que é instantânea, com mais de 800000 artigos publicados e uma centena de templates diferentes.
Com o passar do tempo, depois de revendida vezes sem conta, a tecnologia passa a ser gratuita (i.e. não ter valor comercial). O siteseed 1 é open source. Não é modificado desde 2004, altura em que foram corrigidos os últimos problemas de segurança (últimos patches), e ficou pela versão 1.6. Houve um fork dele ("startuxcode", feito pelo Mário Gamito, em 2003). Está no Source forge ( http://sourceforge.net/u/plaureano/profile/ ).
- A TAP em 2004/2005 precisou de um sistema de "segunda geração" do Siteseed (a versão 2) que esteve meses a ser desenvolvido de acordo com as necessidades específicas de uma companhia aérea. Com essa tecnologia fez sites institucionais, o Victória, Corporate e de agentes. O Siteseed 2 suportava múltiplas línguas e mercados a partir de um backoffice comum. A SATA e Gulbenkian (em vários sites da instituição) beneficiaram em termos de "velocidade de entrega" de inovações tecnológicas previamente construídas para a TAP. O Siteseed 2 nunca foi "open source", se bem que é entregue a cada cliente com o respectivo código fonte.
- Em 2010/2011 foi desenvolvido o Sitessed 3. A Lusosem e TAP foram os pilares de inovação, com as suas necessidades especificas na altura em que estava a ser desenvolvido (na realidade DEPOIS de ser desenvolvido, porque a Full IT tinha o processo praticamente concluído quando os clientes o começaram a adoptar). Depois dos pioneiros, a tecnologia passou para vários sites da Gulbenkian, CCB, ESOP, Optivisão, INCI, CML, etc. Todos os clientes de "segunda geração" beneficiaram do tempo esperado pelos de primeira geração.
O que é específico e feito à medida sai mais caro, ou demora mais tempo, ou sofre de problemas de qualidade…
Os sistemas de ERP construídos à medida das empresas são quase sempre tão específicos que pouco ou nada do que se faz é transponível para uma segunda geração de clientes, aplica-se sempre a regra do "Escolha dois". Não há excepções. Recorrendo a uma base de software já construído (ou pela empresa ou em open source, ou comprados a terceiros) é possível atalhar caminho, mas quanto maior a carga de desenvolvimentos específicos mais se vai cair nas mesmas regras.
Ah, e tal, ali é mais barato…

O meu cuidado é tentar transmitir a clientes e potenciais clientes que ter pressa sai mais caro ou tem implicações de qualidade. Procurar o equilíbrio certo projecto a projecto á algo muito mais complicado do que o comum dos mortais imagina. São raros, mas muito bons, os clientes que percebem isto. A maior parte acha que foi muito caro, ou que demorou demasiado tempo, ou que falta qualidade à solução apresentada. Não é verdade. As pessoas recebem exactamente o melhor compromisso entre as escolhas que fazem, e ao fim de tantos anos eu certifico-me que esse compromisso é bem entendido. A partir daí são escolhas que as pessoas fazem…
Quando se é traído...
16/02/15 15:22 Classificados como: Desgosto

Provavelmente achou que estava a fazer "um jeito" a essa pessoa, provavelmente os 500 euros não foram a motivação, provavelmente não avaliou as consequências do que estava a fazer… a motivação não é relevante de todo: É óbvio para qualquer pessoa, mesmo as que não me conhecem, nem a mim nem à empresa, que isso me prejudica directamente, que pode ter consequências, e que substituir pessoas com anos de trabalho e familiaridade com as tecnologias da minha empresa é sempre um processo particularmente complexo e caro. Mais ainda quando é uma pessoa que lida directamente com o maior cliente da empresa. Trata-se de passar informação, que é sensível, a uma empresa concorrente no mesmo mercado, de uma pessoa que ele sabe que desempenha missões criticas.
A dor que sinto é tremenda. Passará com o tempo. Terei de conviver com esta traição. Valores mais altos existem na minha cabeça. Este disparate de proporções épicas não pode interferir com esses valores. O castigo único é que não me esquecerei nunca e não guardarei segredo. E vou ver a pessoa e lembrar-me que um dia traiu a minha confiança. Espero que entre melhores recordações passadas (que há muitas) e futuras (que ajudem a que esta tenha menos impacto no meu espírito).
Não me vou esquecer de todos os motivos porque gosto da pessoa em causa, nem deixar que um acto profundamente irreflectido e incorrecto marque o resto de uma relação que prezo e tenciono manter. As pessoas fazem disparates, às vezes grandes, e temos de os ultrapassar. Não é para esquecer. São coisas diferentes.
Défices...
15/02/15 14:10 Classificados como: Portugal
Um estado não deve ter défices, como uma empresa não deve ter défices, como uma família não deve ter défices. Não devem gastar acima dos seus rendimentos. Se querem gastar mais dinheiro precisam de arranjar mais rendimentos, ou recorrer às reservas que acumularam, se o fizeram.
Existem razões excepcionais para que existam défices temporários e legítimos para estados (guerras, catástrofes naturas, epidemias), empresas (calotes de clientes, mudanças súbitas e temporárias de condições de mercado), famílias (emergências médicas). Antes que algum artista venha enumerar mais razões legitimas: os exemplos dentro dos parêntesis não é suposto serem a lista exaustiva.
Pedir dinheiro emprestado não é nenhum pecado capital, e pode fazer todo o sentido em vários cenários, mas significa um risco, e um esforço maior que o de acumular o mesmo dinheiro primeiro e gastar depois (i.e. paga-se o dinheiro mais os juros, em troca não tem de se esperar o tempo de acumular o capital em falta). Pedir dinheiro emprestado para seja o que for, que não implique um retorno "maior que o custo do empréstimo em juros", significa obviamente diferir um esforço "maior e implícito" para obter determinado resultado.
Fazer poupanças (ou seja o oposto de ter um défice) implica que se está melhor equipado para lidar com emergências e que se tem reservas para lidar com imprevistos pagando défices extemporâneos com reservas previamente acumuladas, em vez de recorrer a dinheiro emprestado. Diz o mais elementar bom senso que estados, empresas e famílias, precisam de por norma gastar menos que o dinheiro disponível para poderem ter essas reservas.
Porque alguém, ou outros todos, fazem o disparate de atropelar os mais elementares princípios do bom senso isso não quer dizer que se deva fazer a mesma coisa. Porque alguém pede dinheiro emprestado, aposta e ganha, conseguindo resultados excelentes, não quer dizer que todos os que pedem dinheiro emprestado façam investimentos igualmente bem sucedidos. Nem quer dizer que a mesma receita exacta possa ser aplicada várias vezes e resulte sempre (era bom, mas não é assim).
Vários idiotas em estados, empresas e famílias, fizeram o oposto. Por todo o mundo. Isso não faz com que os parágrafos anteriores estejam errados. Nem faz com que as empresas de cartões de crédito, bancos e investidores diversos em obrigações dos estados sejam "demónios". O problema fundamental é as pessoas (à frente de estados, empresas e famílias) tomarem más decisões e seguirem maus exemplos (provavelmente isolando os casos em que viram coisas resultar bem, pessoas/empresas/estados que pediram dinheiro emprestado, fizeram bons negócios e usaram-no como alavanca para criar uma realidade mais favorável e menos penosa, e assumindo erradamente que vai resultar da mesma forma para todos). Porque toda a gente faz não significa que não seja um disparate imprudente isento de risco. Porque funcionou para "A", não significa que funcione para as restantes letras do alfabeto.
Sou indiferente a empresas falharem, talvez por ser empresário, por saber que o risco de isso acontecer é inerente à existência de empresas, porque faz parte do risco que aceitei quando fiz a minha empresa. São decisões minhas, e dos meus sócios, que ditam o destino e não tenho alternativa que não seja tomar as melhores decisões que consiga e aceitar as consequências (sejam elas boas ou más).
Ver os sustentáculos de unidades familiares tomarem más decisões é um drama. Mais não posso fazer que ajudar quem me é próximo. Mas tenho dificuldade em perceber como é que gastar sistematicamente mais do que se ganha (viver a crédito) pode na cabeça de alguém "correr bem". A alienação entre o acto de gastar/aceitar dinheiro emprestado e a percepção exacta do esforço para pagar esse crédito não faz sentido. De alguma forma as pessoas conseguem ver os benefícios de "ter já" com muita facilidade e não ver o esforço futuro necessário para pagar a conta. Irracional e não, não é "ser humano", é ser burro. São coisas diferentes que não quero que sejam sinónimos.
Ver estados endividarem gerações gratuitamente e de forma leviana é repugnante. Há motivos para o fazer (guerras, catástrofes naturais, epidemias, etc) mas o bem-estar e ganância temporários e de curto prazo dos políticos, e quem os elege, não são uma delas. Se há regra constitucional que deveria existir é a limitação do endividamento de médio e longo prazo. Os vossos filhos e netos merecem não estar limitados pelos progenitores burros que tiveram.
Usar como desculpa que "os outros" também fizeram não fica bem a idiotas adultos com argumentos e comportamentos de crianças irresponsáveis. Estamos a ter o comportamento de burros apaixonados por utopias. Há consequências de longo prazo. Quem tem filhos/netos devia pensar um bocadinho no legado que lhes está a deixar.
Liberdade que não entendem nem merecem...
15/02/15 13:01 Classificados como: "Je sui Charlie" | Cobardes
Para todos "os Charlies" verem com atenção. Assumindo que ainda dizem ser "Charlies" e que já não lhes passou.
A ideia de que a "liberdade de expressão" deve de alguma forma ser "limitada" pela "liberdade religiosa" (podem dizer o que quiserem desde que eu não sinta que estão a ofender os meus deuses ou profetas/anjinhos imaginários) é o disparate a partir do qual estão abertas as portas para uma teocracia. O tópico é complicado porque se repararem na definição da wikipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/Freedom_of_speech - a ideia de base é "podem dizer o que pensam mas"… em alguns estados esse direito está limitado a coisas que não ofendam ninguém (que não é liberdade nenhuma, porque a sensibilidade de quem escuta pode ser obviamente mais ou menos apurada, e qualquer coisa é passível de ofender alguém, algures). Algures na nossa sociedade "moderna" e "democrática", passou a ser ilegal dizer algumas barbaridades previamente seleccionadas para si, e coisas completamente idiotas que alguém convencionou que passavam um limite qualquer.
Pessoalmente acho que não, que as pessoas devem poder dizer o que quiserem, e pagar o preço do exercício da sua liberdade (seja em tribunais ou na praça publica), bem como lidar com o resto da sociedade lhes poder responder à letra. Quem não se aguenta "à bomboca" de viver numa sociedade livre, tem imensas menos livres para onde pode imigrar e que são verdadeiros paraísos para quem aprecia "moderadores de liberdades excessivas" (assim de repente o ISIS está a aceitar imigrantes em barda para o seu novo estado islâmico, e lá zelam muito por limitar o que as pessoas podem dizer, e são muito rápidos a julgar e condenar quem diz coisas que não deve, um paraíso da limitação da liberdade de expressão, para quem gosta desse modelo - inclui crucificações, decapitação e fuzilamentos na praça pública, com entrada gratuita, entre outras manifestações de implementação de disciplina para esses libertários que precisam de uma lição).

O problema de cobardes abdicarem de liberdade é não a merecerem de todo. É tudo o que uma religião precisa para impor os seus pressupostos a terceiros, aos não crentes, ou crentes em outro disparate qualquer.
Os liberais, comentadores politicamente correctos, que explicam que estes atentados não são uma questão religiosa, não devem ser identificados como tal, estão a ser intelectualmente desonestos. E francamente isso é tão repugnante como as atrocidades do ISIS, precisamente por ser o motor da "tolerância" que permite que aconteçam. É o assobiar para o lado, e fazer de conta que esse é um problema diferente...
Quando vejo o Papa Francisco a defender que as pessoas se devem "moderar" com o que desenham... Não estejam a ofender as alucinações de alguém, estou ver o outro lado da mesmíssima moeda. Os católicos nos últimos séculos são os "moderados", há uns séculos atrás eram os extremistas.
Tudo em nome da ideia que há uns deuses/profetas/anjinhos/diabos "a sério" e outros "que não existem". E é suposto as pessoas exercerem uma "auto-censura" para não ofenderem os deuses/profetas/ankinhos/diabos "verdadeiros" que outros inventam e adoram.
Há pessoas a ser mortas, por fazerem humor e desenhar bonecos que outras pessoas acreditam ser deuses e profetas, imaginem por uns segundos qyue qualquer personagem de banda desenhada ode ser o deus ou profeta de alguém. Que qualquer político caricaturado pode ser o "querido líder" de um anormal qualquer. E que é suposto respeitar todos os maluquinhos, e que isso se deve sobrepor à vossa liberdade.

