Sporting: entrada do Jesualdo Ferreira
20/12/12 19:26 Classificados como: Sporting
Gosto do plano… mas a relação dele com o treinador vai provavelmente ser uma “caldeirada”…
Comments
Equidade fiscal
04/10/12 20:59 Classificados como: Portugal
Era uma vez dez amigos que se reuniam todos os dias numa cervejaria para beber e a factura era sempre de 100 euros. Solidários, e aplicando a teoria da equidade fiscal, resolveram o seguinte:
- os quatro amigos mais pobres não pagariam nada;
- o quinto pagaria 1 euro;
- o sexto pagaria 3;
- o sétimo pagaria 7;
- o oitavo pagaria 12;
- o nono pagaria 18;
- e o décimo, o mais rico, pagaria 59 euros.
Satisfeitos, continuaram a juntar-se e a beber, até ao dia em que o dono da cervejaria, atendendo à fidelidade dos clientes, resolveu fazer-lhes um desconto de 20 euros, reduzindo assim a factura para 80 euros.
Como dividir os 20 euros por todos?
Decidiram então continuar com a teoria da equidade fiscal, dividindo os 20 euros igualmente pelos 6 que pagavam, cabendo 3,33 euros a cada um. Depressa verificaram que o quinto e sexto amigos ainda receberia para beber.
Gerada alguma discussão, o dono da cervejaria propôs a seguinte modalidade que começou por ser aceite:
- os cinco amigos mais pobres não pagariam nada;
- o sexto pagaria 2 euros, em vez de 3, poupança de 33%;
- o sétimo pagaria 5, em vez de 7, poupança de 28%;
- o oitavo pagaria 9, em vez de 12, poupança de 25%;
- o nono pagaria 15 euros, em vez de 18.
- o décimo, o mais rico, pagaria 49 euros, em vez de 59 euros, poupança de16%.
Cada um dos seis ficava melhor do que antes e continuaram a beber.
No entanto, à saída da cervejaria, começaram a comparar as poupanças.
-Eu apenas poupei 1 euro, disse o sexto amigo, enquanto tu, apontando para o décimo, poupaste 10!... Não é justo que tenhas poupado 10 vezes mais...
- E eu apenas poupei 2 euros, disse o sétimo amigo, enquanto tu, apontando para o décimo, poupaste 10!...Não é justo que tenhas poupado 5 vezes mais!...
E os 9 em uníssono gritaram que praticamente nada pouparam com o desconto do dono da cervejaria.
"Deixámo-nos explorar pelo sistema e o sistema explora os pobres", disseram. E rodearam o amigo rico e maltrataram-no por os explorar.
No dia seguinte, o ex-amigo rico "emigrou" para outra cervejaria e não compareceu, deixando os nove amigos a beber a dose do costume.
Mas quando chegou a altura do pagamento, verificaram que só tinham 31euros, que não dava sequer para pagar metade da factura!...
Aí está o sistema de impostos e a equidade fiscal.
Os que pagam taxas mais elevadas fartam-se e vão começar a beber noutra cervejaria, noutro país, onde a atmosfera seja mais amigável!..."
[David R. Kamerschen, Ph.D. -Professor of Economics, University of Georgia]
O que dizia antes de ser eleito...
09/09/12 18:06 Classificados como: Portugal

Como é que é mesmo? Não pode incidir sempre nos aumentos de impostos e corte no rendimento?
Onde estão os tais cortes na despesa? Eu estou de acordo que se aplicarem austeridade centrada no estado “metade” do problema está resolvido. Estão a guardar essa “metade” para quando? Se não se despacham em pouco tempo não haverá empresas para salvar e eu aposto como vamos ver o desemprego a chegar aos 30%… ajudava se enquanto esperam não destruíssem as empresas privadas. Ah! Espera portugal não pode ter 700 mil desempregados?
“Basta de aplicá-la só aos cidadãos” até tem piada visto hoje (Setembro de 2012).
Não será necessário cortar salários? A sério? Ah, e a aplicar impostos será aos escalões mais elevados do IRS… isso vai acontecer quando?
A classe média e baixa estão a viver um dos períodos mais complicados de que me recordo, cortesia de uma carga fiscal exagerada, tudo em nome de não mexer nos interesses de quem patrocina os partidos.
Portugal vive uma democracia viciada, dominada pela maçonaria e opus dei, em que ganhe quem ganhar as eleições o verdadeiro poder mantém o controle dos destinos do país. Face a isto a nossa democracia e sistema partidário tem que ser destruído e está na hora de mudar de sistema.
Eu não conheço o Pedro Passos Coelho pessoalmente. Não sei que forças o levaram a ir para o governo com uma intenção e a mudar 180º o sentido da governação. Ou é doido e mentiroso, ou é fraco e não tem o poder que lhe foi conferido pelos votos, ou pura e simplesmente vendeu-se. Sei sim que os factos estão à vista…
Estou 100% convencido que “ganhe quem ganhe” umas eleições o resultado é o mesmo. Perdi a fé no sistema democrático. Com leis anti-corrupção que tornam impossível tocar nos políticos, com pessoas a ser votadas pela “carinha laroca” em vez de programas de governo, com a “legalidade” de propor um programa e executar exactamente o oposto… é impossível.
Mais impossível se torna quando temos os “filhos dos partidos” na presidência dos dois maiores partidos portugueses. O sistema construiu uma geração de dirigentes, na escola dos lambe-botas, da troca de favores e influências, que são hoje as escolhas para os Portugueses… brilhante.
Sporting 0-1 Rio Ave
28/08/12 16:54 Classificados como: Sporting
Vi ao vivo (e a cores) o Sporting a perder em casa com o Rio Ave por 0-1. O Sporting voltou a entrar em campo em versão “dois trincos” (Gelson e Elias), molengão e a rematar pouco: cinco remates dignos do nome (14, 24, 25, 30 e 42 minutos) em 45 minutos de jogo, contra três do Rio Ave (33, 38 e 40 minutos quando fez o golo). Manifestamente poucos remates e ainda pior concretização.
Na segunda parte quase tudo mudou. Saiu ao intervalo o Adrien (tal como em guimarães esteve “certinho” mas “lento”) e Elias (que esteve bem, e eu estranhei que tivesse saido ele e permanecido o Gelson em campo), entraram o André Martins e Labyad. O Sporting ganhou agressividade e velocidade, mas com o passar dos minutos foi perdendo clarividência, e as coisas teimavam a sair mal. Aos 72 minutos saiu o Gelson para entrar o Viola (estreia). O jogo terminou depois de cinco agonizantes minutos de compensação. Foi uma segunda parte cheia de coração, vontade, desespero e pouca capacidade de jogar à bola.
O Sporting perdeu bem... o Rio Ave fez o seu jogo e, à parte das fitas e perdas de tempo, foi um justo vencedor. Teria sido uma história provavelmente muito diferente se a equipa da segunda parte tivesse jogado mais tempo, com menos coração e com mais cabeça... Os primeiros 45 minutos são um hino à arte de oferecer um jogo a uma equipa pequena: lentos, desinspirados e pouco eficazes.
Quanto aos jogadores...
Gostei muito de toda a defesa. O Boulahrouz é excepcional e o grande patrão. O Rojo é já um craque e tem do seu lado uma enorme margem de progressão. O Cedric e Insua são rápidos e agressivos (mas defendem pior do que atacam). O Patrício é aquilo que se sabe.
O meio campo está um granel de todo o tamanho. O Gelson é incansável mas é um destruidor de jogo puro. Igualmente incansável, mas também capaz de construir jogo, o Elias faz umas viagens às laterais e à entrada da área. Uma equipa como o Sporting não pode jogar com os dois ao mesmo tempo. Isto é, na minha opinião, um erro do Sá Pinto.
O Adrien sozinho à frente de dois trincos não tem a velocidade para criar jogo. Mais que criticar o Adrien eu diria que ele precisa ou que o Elias esteja mais avançado ou de alguém ainda mais ofensivo por perto (Schaars, André Martins, Viola, ou adaptações tipo Labyad/Jeffren que são extremos!). O Sporting precisa de dois médios ofensivos e não de dois trincos! A segunda parte mostrou a diferença óbvia entre os resultados potenciais dos dois sistemas.
O ataque, forçosamente longe de um meio campo excessivamente defensivo, torna-se previsível e simples de anular. Capel e Carrillo nas alas tentam as respectivas receitas (Capel a velocidade e Carrillo os dribles) e o Wolfswinkel parece uma barata tonta na área, sempre com os centrais em cima, sempre a lutar em desvantagem numérica. Se só há movimentos pelas alas, se o meio do campo não faz pressão ofensiva, é estupidamente difícil escapar a uma previsibilidade de movimentos que as defesas naturalmente aproveitam.
Quanto ao treinador...
A minha vontade é dizer em tom de brincadeira “volta Peseiro/Bento/Domingos que estás perdoado”. Mas não digo. Porque a probabilidade de algum deles voltar é nula, porque não acredito em mudanças de treinadores a meio de épocas, porque acredito que começar mal um campeonato acontece aos melhores (o Mourinho tem também um ponto com o Real Madrid em duas jornada e está a 5 pontos do Barcelona!).
Estou céptico e expectante. Acho que o Sporting tem o melhor conjunto de jogadores de sempre, mas o maestro ainda não mostrou capacidade de afinar a orquestra. Falta o futebol lindo, estonteante e dominante do Peseiro. Falta o rigor a agressividade secas do Paulo Bento. Falta o futebol bonito e rápido dos melhores tempos do Domingos. Ainda estou para ver o que é a versão Sá Pinto do Sporting, até agora temos um manifesto “queremos” e “corremos”, mas o conjunto parece-me desafinado e sem fio de jogo.
Gostava de ver o Sporting a fazer pressão desde os primeiros segundos de jogo, a jogar com dois médios ofensivos, a acabar com a palermice descabida dos dois trincos. Nesta escolha particular a culpa é toda do treinador.
Horsens (para a liga Europa) é já na quinta feira, 72 horas depois deste desaire caseiro, e é bom que se comece a ver alguma coisa... até agora há palavras e promessas sem correspondência em campo.
Horsens 1-1 Sporting (2012/2013)
24/08/12 18:33 Classificados como: Sporting
Playoff da liga Europa. O Sporting jogou com uma equipa fraquinha, mas aguerrida e fisicamente forte, um jogo de quase sentido único. Falhou seguramente uma dezena de golos, com destaque para os falhanços do Wolfswinkel.
O jogo propriamente dito não tem grande história. O Horsens marcou contra a corrente do jogo, demonstrou vontade e podia ter marcado mais um ou dois golos. O Sporting podia ter marcado quatro ou cinco mas só marcou um (Carrillo)...
O futebol é um jogo mágico, às vezes a bola entra, outras vezes não há maneira de entrar. O ponta de lança se falha oportunidades flagrantes é olhado com um misto de desconfiança e desespero. Este jogo é mais um, que acumula com a ultima meia dúzia, mas é generalizado o sentimento dos adeptos: é preciso uma alternativa.
Pessoalmente sinto que sim, que é necessária competição interna e credível para todos os lugares do plantel, e que esta é a posição em que o Sporting está pior servido.
Quanto à eliminatória propriamente dita, acho que se resolverá à favor do Sporting em Alvalade a menos que algo de profundamente anormal suceda. Provavelmente o Sporting ganhará o jogo com uma margem folgada (dois ou três golos de diferença)... a ver vamos.
Sporting 0-0- Guimarães (2012/2013)
20/08/12 20:16 Classificados como: Sporting

Um exercício de frustração. Uma equipa excessivamente defensiva (dois trincos????), sem imaginação, sem chama, com garra para destruir mas sem saber o que fazer à bola quando a tinha.
O Sporting entrou em campo com Rui Patrício, Cédric, Boulahrouz, Rojo, Insúa, Gelson, Elias, Carrillo, Adrien Silva, Capel, Wolfswinkel.
Aos 45 minutos saiu o Adrien Silva para entrar o André Martins. O Adrien enquanto esteve em campo fez quase tudo bem, mas foi lento e previsível, longe de ter sido o organizador de jogo que o Sporting precisava ou ter complementado o ponta-de-lança. O André Martins conseguiu dar um bocadinho (meh... mais gato doméstico assanhado que um leão neste jogo) mais de alma e agressividade à equipa. Nenhum dos dois me parece um organizador de jogo ou segundo ponta de lança. Pelo menos no momento que atravessam.
Aos 72 minutos saiu o Gelson e entrou o Labyad. O Gelson destruiu muito jogo adversário mas não construiu jogo para a equipa. Não consigo apreciar este tipo de jogadores, mesmo percebendo a sua utilidade, e preferia ter visto o Schaars (mais à frente) ou o Rinaudo (na mesma posição) a jogar. Nem me recordo de coisa nenhuma do Labyad, digna de nota, nos minutos (22) que esteve em campo.
O Jeffrén entrou aos para o lugar do Capel aos 88 minutos. Os 6 minutos que jogou foram irrelevantes. O Capel fartou-se de correr. Não sei se estava muito cansado e não aguentava mais seis minutos, mas estas substituições a meia dúzia de minutos do fim raramente servem para alguma coisa... neste caso serviu só para perder tempo.
Positivo:
Rui Patrício que marcou presença sempre que necessária a sua intervenção.
O Rojo e Boulahrouz fazem uma excelente dupla de centrais, como não me recordo de ver no Sporting, e já lá vão uns anos a seguir a equipa. É cedo para os declarar heróis... mas prometem.

Insúa que foi melhor extremo que os dois extremos (Carrilho e Capel) durante todo o jogo. Enorme jogador. Uns furos abaixo, mas com boa prestação, esteve o Cédric na lateral oposta.
O Elias encheu o campo. É um médio claramente acima da média (e não é à toa que está na selecção brasileira). Defendeu, atacou, rematou, centrou. Esteve lá e fez o que era previsível.
Negativo:
Adrien esteve lento, pouco inspirado, não criou o jogo, não ajudou a finalizar. Mesmo não estando “mal”, ocupou o espaço que se esperava para o médio ofensivo, sendo inconsequente na função, o que levou a 45m desperdiçados. O André Martins fez mais do mesmo (ser inconsequente), mas pelo menos fez “mais rápido”, com mais agressividade. Nenhum fez o que era necessário (i.e. criar jogo que possa levar a oportunidades de golo), não na quantidade necessária para uma equipa com as aspirações do Sporting.
Gelson... Tão bem a destruir, tão incapaz a construir. Serviu para eu sentir saudades do Rinaudo. Não morro de amores por este tipo de jogador. Percebo a utilidade, mas não gosto na mesma.
Capel e Carrilho fizeram pouco, mesmo que tenham corrido muito, e estiveram longe dos seus melhores jogos com a camisola do Sporting.
O Wolswinkel fez algum remate? Lá andou aos trambolhões, sempre onde não estava a bola, não consegue fazer uma finta se apanha a bola na lateral, e teve uma noite para esquecer. Sem alternativa no plantel, faz-me equacionar se o Sporting não deveria jogar sem ponta de lança quando a equipa não cria jogo que justifique ter um jogador fixo na posição... se a bola não lhe chega em posição de rematar (a única coisa que me parece saber fazer) não consegue ser útil.
Quanto ao treinador...
Não gostei das opções (duplo médio defensivo e o Adrien como médio ofensivo). Se a preocupação era não perder o jogo eu entenderia, mas não acredito que o Guimarães fosse uma ameaça tão preocupante, e a imagem com que fiquei foi má.
Fiquei com a impressão que existe algum realismo (i.e. não há nesta altura fio de jogo e capacidade de criar futebol de ataque, pelo que a aposta foi em não sofrer golos) e pragmatismo (se não se marca é particularmente importante não sofrer golos). Mas eu não me identifico com futebol de destruição e de ataque atabalhoado e previsível.
Faltou imaginação e talento. Não é só “querer”, é preciso “saber”, e eu espero que o Sá Pinto consiga por a equipa a jogar bem. Não foi no primeiro jogo que isso aconteceu. Foi chato e cinzento.
Os outros...
Benfica, Porto e Braga empataram. Perdeu-se uma boa oportunidade de ganhar dois pontos aos rivais directos... vi o Benfica-Braga e uns minutos do Porto-Gil Vicente. Está tudo coxo ainda. Mas não vai ser sempre assim...
Videos que todos os portugueses devem ver!
06/07/12 18:37 Classificados como: Portugal
Vejam, percebam, partilhem.
Eu criei no Facebook um grupo de apoio ao Paulo Teixeira Morais. Tenho esperança que apareçam na sociedade Portuguesa líderes honestos capazes de alterar o triste estado de desgoverno, corrupção e falta de espinha dorsal dos nossos políticos.
A página dele no Facebook já atingiu o numero máximo de “amigos”.
Euro 2012: Terminou a brilhante participação nacional
28/06/12 12:14 Classificados como: Euro 2012

Portugal perdeu com a Espanha a meia final. A Espanha ganhou os últimos mundial e europeu e é uma excelente equipa que passou as passas do algarve para nos ganhar nos penalties. Portugal rematou mais, mas quase sempre pior, e teve menos posse de bola (que era previsível). Interessa dar os parabéns à Espanha porque ganhou, à nossa equipa porque tudo fez para ganhar e foi um digno vencido.
A prestação da equipa nacional excedeu em muito as minhas expectativas, ultrapassando o “grupo da morte” com duas vitórias (Dinamarca e Holanda) e depois vencendo a Republica Checa nos quartos de final. Brilhante! Como todos os portugueses, incluindo os jogadores e treinadores, acreditei que uma vez nas meias finais tudo era possível… mas mesmo com um excelente jogo não conseguimos meter a bola lá dentro. Faltou a sorte do jogo. Mesmo no desempate por grandes penalidades não fomos tão felizes como a Espanha; a nossa bola bateu no poste e saiu, a deles bateu no poste e entrou. É a vida. Acontece. Ser “normal” não impede que eu tenha ficado triste, ficou um gosto amargo na minha boca, que parece inerente a não gostar de perder. Sei que me passa. Segunda vez seguida que a Espanha nos ganha com um travo de injustiça à mistura.
Agora resta ver quem joga com a Espanha a final (Itália ou Alemanha) e depois quem leva a taça para casa… gosto muito de futebol, mas perdi uma boa parte do meu entusiasmo pelo europeu agora que a nossa equipa deixou de estar na competição. Resta pegar na parte que sobra e apreciar os jogos que faltam.
O nosso Portugal...
24/06/12 16:38 Classificados como: Portugal
No Facebook esta semana escrevi em comentários a posts de amigos algumas coisas. Não quero deixar de passar para aqui algumas das ideias centrais…
Futebol e politicos
Um amigo meu colocou na sua “wall” esta imagem:

A que eu respondi que tal não é nem possível nem expectável. Ninguém pede excelência a pessoas que sabemos que são medíocres, como é o caso da esmagadora maioria dos nossos políticos. Deles esperamos mais mediocridade. Pelo contrário o Ronaldo sabemos que é muito bom na sua profissão, e por isso mesmo queremos que se supere, seja o melhor do mundo...
Politicos de carreira e as juventudes partidárias
Os lideres do PS e PSD cresceram nas juventudes “socialista” e “social democrata”. Cresceram e prosperaram (chegando a liderança) nesse mar de mediocridade, troca e favores, por oposição a serem pessoas que no mercado de trabalho demonstraram o seu valor criando empresas e riqueza.
Para quem não percebe, as juventudes partidárias, tal como a “mocidade portuguesa” ou a “juventude hitleriana”, não servem para rigorosamente nada excepto doutrinar determinados valores em miúdos. A ideia, para além de colarem cartazes e fazer numero em manifestações, é que venerem determinados valores e personalidades. No caso dos nossos partidos actuais; uma sociedade democrática com pilares socialistas.
O problema é se queremos líderes para a nossa sociedade que sejam “verdadeiros crentes” ou pessoas com provas dadas em áreas como economia, gestão, direito, etc. Eu aceito um papel de pessoas saídas destas organizações nos partidos e organizações, desde que mostrem na sociedade em que se inserem o seu valor (i.e. não se trata de picar o ponto, mas conquistar a admiração dos seus pares de profissão, por oposição a “colegas” de partido) trabalhando fora do âmbito “político”. Crescerem nestas organizações “per si” não é nenhum defeito mas chegarem ao poder “sem mais” é uma distorção da realidade.
O problema numa sociedade em que existe uma classe dirigente (i.e. dominada pelas organizações partidárias), é que isso torna complicado aos melhores lideres e profissionais que temos, que não estejam integrados no meio político, poderem prestar à nação o inestimável serviço de nos servir. Gostava de poder votar numa “Sonae ou Jerónimo Martins” (salvo seja, nos seus melhores lideres e técnicos nas mais diversas áreas), para nos governar. Votar no líder dos coladores de cartazes e cheerleaders das “juventudes partidárias” para primeiro ministro é um disparate óbvio.
Uma oportunidade única para atenuar 30+ anos de disparates desperdiçada...
Em Portugal passou-se algo extraordinário em que ninguém parece ter reparado: votámos um plano nas ultimas eleições. Três dos cinco partidos socialistas assinaram o memorando imposto a Portugal. Toda a definição do caminho a seguir estava por isso definida. Mesmo assim estes (desculpem o termo) anormais incompetentes conseguiram não aproveitar a hipótese circunstancial (de o programa lhes ter sido imposto, inclusive com reformas associadas em cima da mesa) para fazer as reformas estruturais que Portugal necessitava para ser competitivo.
- Não se fez uma reforma da legislação laboral. Continuamos com o mesmo disparate socialista, que perpetua o desemprego e premeia a mediocridade de quem não quer trabalhar mas não pode ser despedido sem custos elevados para quem cria empregos. Não é de estranhar que tantos portugueses sigam para países como a Inglaterra (legislação laboral mais liberal do planeta!). O mesmo se passa com o capital e investimentos.
- A nossa justiça não funciona em tempo útil. Se justiça não há como cobrar dividas, impor coercivamente o respeito por acordos, salvaguardar respeito por regras. que Deve ser profundamente complicado olhar para países onde funciona e aplicar a mesma formula. dado que a nossa tem dado tão bons resultados é de ir fazendo remendos cosméticos. Pessoalmente não acredito minimamente em nenhum processo que tenha de passar pela justiça portuguesa. Restam empresas de cobranças, ter cuidado com o que se acorda, e não poder dar qualquer tipo de crédito ou conferir credibilidade a seja quem for. É um mau pressuposto para se fazerem negócios.
- O estado continua a perpetuar dividas a fornecedores (na minha opinião o estado não deve ter em nenhuma circunstância qualquer tipo de divida e os pagamentos devem ser nas datas estipuladas para o efeito) e a dar os piores exemplos de incumprimento.
- O estado continua a cobrar impostos indevidos de forma abusiva (IVA contra facturas, exigindo às empresas a entrega de um imposto que ainda não foi cobrado aos seus clientes). Quando não paga a um fornecedor atempadamente (i.e. sempre!) chega ao absurdo de exigir o IVA “em dia” das facturas que tem em atraso aos seus fornecedores quando finalmente decidir que vaio fazer o pagamento.
- Continuamos a ter uma máquina social (de serviços e benefícios) que não podemos pagar. O governo dos três partido signatários do memorando (oficialmente de dois deles, na prática um compromisso a três) foi incapaz de reduzir a despesa pública de forma significativa: para metade ou um terço. Realizou “operações de cosmética” mantendo o real problema: gastamos mais dinheiro do que a sociedade gera em impostos. Em vez disso criaram uma aberração fiscal que afasta empresas e riqueza do nosso país, numa situação em que há liberdade de movimento de pessoas e capitais dentro da união europeia. Assim não é “complicado”, é mesmo impossível.
No cenário (único e extraordinário) em que havia um compromisso dos três maiores partidos com um documento não foi alterada a constituição (socialista, utópica e ultrapassada) que temos, não foram alteradas as estruturas que nos condenam a ser pobres e pouco competitivos.
Democracias e totalitarismo
Não é de animo leve que realizo a falência e distorções existentes na nossa sociedade. Os regimes democráticos criaram uma classe dirigente corrupta, incompetente e subserviente, e um sistema que a perpetua. As pessoas votam cada quatro anos em cinco partidos socialistas, que no fundamental estão de acordo, variando apenas em questões de pormenor quanto a abordagens a tomar. O sistema partidário trabalha fundamentalmente para si próprio, é na prática controlado por interesses transversais aos cinco partidos (i.e. maçonaria e opus dei), e a classe dirigente serve-se primordialmente a si própria.
O ciclo, mostra a história, só é quebrado em momentos de profunda depressão e falência. É nessas circunstancias que se geram “Hitlers” a ganhar eleições e a chegar ao poder em regimes democráticos. A Europa para lá caminha. Não é um problema “português”, ou “grego”, ou “espanhol”. É irónico ver a Alemanha a receitar o mesmo remédio (empobrecimento e austeridade) que lhes foi imposto no final da primeira guerra mundial, conduziu à ascensão ao poder do partido nazi, e a antítese de que proporcionou ao mundo mais de meio século de paz no final da segunda guerra mundial..
Quando não se aprende com a história estamos condenado a repetir a mesma, e é preciso ser profundamente estúpido para não se perceber a relação entre causa de efeito a que leva esta lógica, para esperar resultados diferentes.
A minha única esperança neste momento é o exemplo islandês, que substituiu uma classe dirigente que levou o país à ruína, fazendo literalmente uma revolução. Adivinhem qual é o país europeu mais distante da crise actual?
Por favor acordem. Antes que morra gente, antes que se chegue a guerras civis ou à terceira guerra mundial. Por mim, por si, pelos seus filhos e pessoas de quem gosta. Portugal precisa de um novo partido político, de lideres decentes, de pessoas que evitem o que está no horizonte. É assustadoramente óbvio o que vai acontecer.
Uma aula de "religião e moral"...
24/06/12 15:09 Classificados como: Ateísmo
Sam Harris dá “a lição” sobre religião e moralidade. É uma aula a que todos os miúdos e graúdos deviam assistir.
Depois de visto o video, recomendo a leitura do livro: “End of faith”.
A religiões não são inofensivas, não é algo com que as pessoas devam viver, são perigosas e irracionais.
Euro 2012: O nosso grupo na segunda jornada…
13/06/12 21:48 Classificados como: Euro 2012

O nosso grupo pode ainda terminar com três equipas empatadas e nesses cenários o critério de desempate do “confronto directo” não resolve nada.
- Se a Dinamarca ganhar à Alemanha e nós ganharmos à Holanda ficam três equipas com 6 pontos, sendo que nós perderíamos no confronto directo com a Alemanha, a Alemanha perderia no confronto directo com Dinamarca, e a Dinamarca perderia no confronto directo com Portugal.
- Se a Dinamarca perder com a Alemanha e Portugal perder com a Holanda, ficam três equipas com três pontos, sendo que nós teremos vantagem sobre a Dinamarca, a Dinamarca terá vantagem sobre a Holanda, e a Holanda terá vantagem sobre nós.
Nestes casos os critérios de desempate são:
- Confronto directo (que já se viu que não ajudaria nestes dois casos)
- Diferença entre golos marcados e sofridos (nos jogos entre todas as equipas empatadas pontualmente)
- Maior numero de golos marcados (nos jogos entre todas as equipas empatadas pontualmente)
- Diferença entre golos marcados e sofridos em todos os jogos da fase de grupos
- Maior numero de golos marcados em todos os jogos da fase de grupos
- Ranking da UEFA das equipas
- Conduta disciplinar das equipas
- Sorteio

Tudo isto é evitado se Portugal ganhar ou empatar com a Holanda e a Dinamarca não ganhar à Alemanha… Nesse cenário Portugal só pode potencialmente empatar pontualmente com a Dinamarca, com quem temos vantagem no primeiro critério de desempate (confronto directo).
Se a Dinamarca fizer o mesmo ou pior resultado (i.e. mesmos pontos) que Portugal nós passamos. Se Portugal fizer pior resultado (i.e. menos pontos) que a Dinamarca passam eles.
Em resumo: se Portugal ganhar à Holanda, e a Dinamarca não ganhar à Alemanha, passamos. Se ambos ganharem são os golos marcados e sofridos que decidem quem passa. Se empatar estamos dependentes da Dinamarca não ganhar à Alemanha. Se Portugal perder estamos dependentes da Dinamarca perder também e interessa marcar tantos golos quanto possível e sofrer o menos possível, dado que será por aí que se decide quem passa.
Isto pode correr mal. Mesmo ganhando à Holanda! Interessa ganhar e com muitos golos, para lidar com empates pontuais.
Euro 2012: Primeira ronda de jogos completa…
12/06/12 02:09 Classificados como: Euro 2012
Vi todos os jogos do Euro. O pior jogo foi o França - Inglaterra (aquela segunda parte foi penosa, a primeira foi melhor). Foi um jogo de estratégia em tempo real, com as equipas com mais medo de perder que vontade de ganhar. Os jogos de Espanha - Itália e Alemanha - Portugal foram semelhantes mas mais giros.
Portugal começou mal. Jogou bem mas teve pouca ambição. Repetiu-se o filme de jogar com dez (o Postiga não conta) a maior parte do tempo e assim é mais complicado. Agora é a doer, sem margem para erros, começam a ganhar ou voltam para casa.

A Russia e Polónia pareceram-me as melhores equipas… E a Russia garante o apuramento caso ganhe à Polónia no jogo de hoje! Grécia e República Checa precisam de empatar (o menos mau dos resultados possíveis) ou ganhar (coloca tudo em aberto) os respectivos jogos para terem hipóteses… uma derrota e qualquer equipa, com excepção da Rússia, fica numa situação péssima.

Alemanha e Dinamarca garantem a passagem se ganharem os respectivos jogos. Holanda e Portugal são respectivamente os adversários e precisam de ganhar. É o grupo da morte. E pode haver mortes já esta quarta feira!
As quatro equipas estão praticamente ao mesmo nível. Tudo pode acontecer aqui.
Eu estou obviamente a torcer por Portugal. Nada menos que uma vitória contra a Dinamarca é um bom resultado. Dependendo do resultado do Holanda - Alemanha um empate pode hipoteticamente não nos deixar fora do euro, mas nem quero pensar no assunto. Toca mas é a ganhar! Não há aqui espaço para maus resultados.

Espanha e Itália são as duas equipas mais fortes. Jogaram entre si e empataram. A Croácia entretanto cilindrou a Irlanda e levou os três pontos pelo que está em óptima posição à frente do grupo. Qualquer equipa que perca agora, exceptuando a Croácia está com um pé fora do Euro.
Eu aposto que a Espanha ganhará os três pontos e a Irlanda ficará eliminada. A Itália e Croácia vai ser um jogo de nervos e não arrisco um vencedor!

Todas as equipas empatadas. Grupo muito equilibrado. Vão ser dois jogos sensacionais: Suécia - Inglaterra e França - Ucrânia. Gostei muito da Ucrânia e desconfio que a França terá de suar as camisolas para lhes ganhar.
kit de sobrevivencia para o Euro 2012…
07/06/12 20:14 Classificados como: Euro 2012
Quando chega a altura destas competições há duas coisas que eu tenho sempre à mão:
- Calendários: http://subscriptions.thismonkey.com/fixtures/football/calendars/uefa/2012/index.html
- App para o iPhone/iPad (ou Android) com os resultados, tabelas com as classificações, etc.
São infinitamente mais práticos que andar a aceder aos jornais desportivos e funcionam offline (i.e. sem as actualizações).
Euro 2012: Selecção nacional
06/06/12 13:34 Classificados como: Euro 2012
Está quase a começar o Euro 2012. Dias de festa, recheados com muito futebol, temperados com a participação da selecção nacional. Adoro estas competições, vejo tantos jogos quanto o meu tempo livre me permite. Evito perder jogos na nossa selecção.

À partida para o euro 2012 estamos em 10º lugar no ranking (da FIFA) mundial. Retirando as selecções de fora da europa (Uruguai, Brasil e Argentina) estamos em sétimo lugar no ranking entre as selecções que participam na competição europeia.
Infelizmente no nosso grupo (de quatro equipas) estão três equipas com melhor cotação que a selecção nacional: Alemanha, Holanda e Dinamarca. Só passam duas destas equipas para a fase seguinte da competição.
Face ao nosso ranking e grupo em que estamos inseridos, eu diria que um bom resultado para a equipa nacional seria conseguir passar a fase de grupos. Chegar aos quartos de final (estar entre os oito melhores) seria muito bom.
Não passar a fase de grupos é infelizmente o resultado mais provável. Os nossos três adversários estão melhor cotados que a nossa equipa. Três derrotas seria normal, mesmo que seja o cenário que ninguém deseja que aconteça. Mas se Portugal se exceder e agigantar, estou convencido que poderemos passar, e fazer um brilharete. Ganhar à Alemanha ou à Holanda é um excelente resultado que não é expectável, e fantástico. Já ao medir forças com a Dinamarca (com quem perdemos os dois jogos na fase de qualificação!) acho que temos mais hipóteses.
A minha aposta antes de começar a competição: Uma vitória (contra a Dinamarca), um empate e uma derrota (contra os restantes adversários: Alemanha e Holanda). Confesso que qualquer coisa melhor que “um jogo ganho e um empate” e acharei que fizemos um brilharete. Quanto ao provável vencedor (Espanha) eu diria que não há grandes duvidas sobre o favoritismo… como não havia relativamente à liga dos campeões, e correu mal aos dois colossos espanhóis, porque é futebol e tudo pode acontecer.
Viva Portugal! Vamos eles! Hora de ganhar um lugar na história! Ganhem lá à Alemanha para eu ficar eufórico. Eles ganham-nos nos “euros de papel verde”, mas pode ser que lhes corra mal no “euro do futebol”. Onze de cada lado, é uma batalha de vontade, garra, talento e ambição.
O nosso "desgoverno"
23/05/12 15:40 Classificados como: Portugal
desgoverno |ê|
(des- + governo)
s. m.
1. Falta de governo.
2. Mau governo; má administração.
3. Desperdício, esbanjamento.
desgovernar
(des- + governar)
v. tr.
1. Governar mal.
2. Desperdiçar, malgastar.
v. intr.
3. Não obedecer ao leme; navegar sem governo.
v. pron.
4. Desregrar-se; governar-se mal.
O problema...
Portugal tem um sério problema de “desgoverno”. Vivemos numa sociedade utópica, em que cinco partidos socialistas lutam de quatro em quatro anos pelo poder, conferido por um regime democrático. Todos os partidos defendem a preservação de um estado social, gentil e paternal, que cuida da nossa educação, saúde e segurança. Variam ligeiramente as abordagens, entre os diferentes partidos, mas nenhuma delas é minimamente realista ou pragmática e todos são “defensoras da utopia do estado social”.
Realismo e pragmatismo são necessários para determinar “o que queremos” e (objectivamente) “o que podemos pagar”. Não havendo meios para “pagar tudo o que queremos”, teremos que fazer escolhas. Salvaguardamos o que consideramos mais importante em detrimento do resto. O que não podemos fazer é construir um estado social que não podemos pagar. Isso é uma perversão.
O resultado de quase 40 anos de socialismo descontrolado, pago a crédito, sem qualquer tipo de rigor. É um país falido, com a maior carga fiscal de sempre, em que o estado social não é a organização de “excedentes” para salvaguardar os mais fracos. Aparentemente “o estado social é o objectivo”, a perseguir mesmo que isso implique destruir o tecidos produtivo da sociedade que o sustenta. É um estado social também suicida.
Alguém nos mentiu, criou a ilusão de que somos ricos, e que os problemas são de “eficiência” do estado. Retirar “os excessos de gordura” da máquina foi o grande plano que este governo usou como plataforma eleitoral. Isto é uma visão completamente surrealista do problema. Não é a (óbvia) falta de eficiência do estado que é o problema. É o excesso de ambição na definição de objectivos e o descontrole da despesa. Ninguém com dois dedos de testa espera qualquer tipo de eficiência das organizações estatais. As organizações estatais são corruptas, as pessoas que as gerem escolhidas por políticos, todo o modelo é de profunda ineficiência. A progressão na carreira é baseada no tempo que passa e botas lambidas. Porque raio alguém pode esperar um resultado diferente do que é previsível?
O problema é que as mesmas não vivem com o seu orçamento “limitado ao que os contribuintes pagam”, pelo contrário “criam dividas” em nosso nome, para serem saldados com “impostos futuros”. Este é o único problema real. Esta irresponsabilidade criminosa, em nome de ideais “nobres”, perpetuada pelo mar de corrupção e jogos de interesse da nossa classe política. A corrupção e incapacidade de prestar os serviços de forma eficiente são “fogo de vista”, “areia para o ar”. Ninguém quer saber disso se for barato, ou pelo menos sustentável, até faz as pessoas sentirem-se gratificadas por viverem numa sociedade que cuida dos seus elementos mais fracos. Nunca ninguém fez drama nenhum da “misericórdia” ser um antro de “tias”, a gastar o dinheiro dos outros para ajudar terceiros”, com a ineficiência digna de qualquer policia africana. O problema é quando essa máquina nos destrói, criando dividas impossíveis de pagar, asfixiando a sociedade em vez de a servir.
As falsas soluções (que agravam os problemas antigos e criam alguns novos)
Quem acredita que “retirando gorduras e ineficiência” das máquinas estatais é um projecto possível? Dedo no ar… ok, um dois… vários idiotas. Entendam de uma vez: não podem fazer organizações eficientes se:
- Ninguém pode ser despedido. Não há discriminação negativa para quem não se esforça, ou para quem sabotar o trabalho dos outros, ou para quem pura e simplesmente se está nas tintas. Sem poder trocar os maus funcionários públicos por outros, sem essa ameaça omnipresente, é impossível optimizar seja o que for.
- Ninguém é premiado por trabalhar mais. Não há discriminação positiva, o talento e esforço não são sinónimos de reconhecimento, de uma mais rápida e merecida progressão na carreira, de melhores salários e benefícios.
Qual é o problema? O sistema está moldado para a massa de funcionários públicos ser uniforme, em que as pessoas não são discriminadas, e a discriminação é necessária. Porque os seres humanos não são todos iguais, porque uns trabalham mais que outros, porque uns se encostam mais que outros. Quando a assiduidade é mais importante que o que é produzido, quando as metas são picar o ponto à entrada e saída, quando as avaliações são um processo que se pretende “não discriminatório”, o resultado é visível para todos.
Eu percebo que toda a gente goste da ideia de haver “ensino” gratuito, “saúde” gratuita, “segurança” gratuita, apoios para todos os que estão em dificuldades, etc. Isso todo seria óptimo e realizável se fossemos ricos. O socialismo é óptimo para países com petróleo/diamantes/gás. Em que se a parte necessária da população (ou estrangeiros) o extraírem, o resto das pessoas pode viver das mais valias geradas. Em países pobres o socialismo precisa de ser proporcional à riqueza que a sociedade gera, ou seja, só pode gastar as mais valias geradas em impostos pela população activa. Se geram pouca riqueza temos que ter menos socialismo.
Cortar os salários de forma cega, não discriminatória e transversal a toda a função publica é um disparate de proporções épicas! Precisamos de cortar com os elementos menos produtivos (despedir as pessoas!), atrair novos elementos mais produtivos (contratar pessoas com capacidade e vontade de trabalhar) com melhores salários para os que ficam. É precisamente nesta gestão sem discriminação que está um dos grandes problemas. O que fizeram, ao cortar 1/7 dos rendimentos foi penalizar todos os funcionários públicos, independentemente de quem trabalha muito ou pouco. Pura demência, uma tremenda injustiça, e uma redução em apenas 1/7 dos custos, sem qualquer optimização ou beneficio para a máquina estatal. Era preferível despedir metade das pessoas (ou 1/3, ou 2/3, seja qual for o numero correcto) e aumentar os salários de quem fica, contratar bons gestores no mercado, com contratos a prazo e salários parcialmente dependentes de resultados (não digo “altos”, porque altíssimos já eles são em muitas empresas públicas e de capitais públicos: o erro é não estarem indexados a resultados e níveis de eficiência, são tachos, cemitérios de elefantes brancos políticos, ninhos de lambe botas que nunca geriram uma empresa “real” fora da asa do estado).
As soluções (simples de perceber e implementar)
O problema: Temos uma máquina estatal (de gastar dinheiro) desproporcional, que nos endividou em mais de 100% de toda a riqueza gerada no país por ano (i.e. PIB). Precisamos de pagar essa divida e lidar com o tamanho desse “monstro” consumidor de dinheiro.
A solução é reduzir a máquina estatal à dimensão que podemos pagar (i.e. o nosso orçamento), deixando margem para o pagamento das nossas dividas. Não sei se é 2/3, 1/2 ou 1/3 do tamanho actual. Mas não deve ser difícil fazer a conta de merceeiro e descobrir. Isso implica despedir muita gente (muda-se a lei, não podemos ter leis impraticáveis e insustentáveis, e é para isso que temos organismos legislativos, caso contrário não precisávamos de novas leis), fechar muitos hospitais, escolas, acabar ou baixar muitos subsídios, adequar as nossas despesas em exércitos (onde temos mais generais que os estados unidos, num exercito muito menor!) e policias. Se isto for implementado resolvem o problema de fundo.
O estado não gera riqueza. Apenas a gasta. A solução de atacar “as receitas” (cobrando mais impostos) e baixar com pinças as despesas (ai, não queremos despedir ninguém, nem fechar muita coisa, vamos antes cortar dois salários por ano e em “detalhes” que dão nas vistas) é uma falsa solução. Pior que isso, é uma solução que afasta investidores de Portugal, que fecha empresas, que estrangula quem gera as receitas para o estado gastar. É um completo suicídio, que vai levar Portugal para um filme Grego. E o filme é o mesmo, eles vão é uns capítulos à nossa frente. O resultado do disparate de impostos vai ser haver menos empresas, menos economia, e consequentemente menos impostos cobrados. O estado fica com despesas agravadas exactamente na mesma proporção; subsídios de desemprego, rendimentos mínimos e aumento da criminalidade.
Mudem a legislação laboral para o modelo Inglês ou Americano (nem precisam de inventar nada!). O que nós temos é uma barbaridade socialista que torna as nossas empresas pouco competitivas e perpetua o desemprego (limitando a rotatividade de quem trabalha). Querem investimento a sério, já, e pleno emprego? Adoptem os modelos chinês, brasileiro ou Indiano. Decidam com querem querem competir. Neste momento o que estão a fazer é destruir a nossa sociedade. E sem ela paradoxalmente o vosso “querido e falido estado social”. Deixem as empresas empregar quem quer trabalhar e despedir quem não quer. Acabem com os subsídios (e respectivos impostos para a segurança social) e vão ver como as pessoas se mexem. Até vou mais longe: DEIXEM AS PESSOAS ESCOLHER! Deixem que as pessoas escolham entre “o vosso querido estado social ultra regulamentado” e o “liberalismo puro”, implementando um duplo sistema (como na china) e vão ver quantas pessoas preferem os empregos inexistentes e regulamentados face à abundância de oportunidades. Convidar as pessoas a emigrar é uma estupidez sem paralelo. Porque é que eu conheço tanta gente a ir para Londres e para os Estados Unidos? Porque lá há menos socialismos estúpidos e mais empregos. Deixem antes que as empresas venham para cá com impostos mais baixos, ampla oferta de mão de obra, e com um duplo sistema em que as pessoas escolham se querem a “vossa protecção” ou trabalhar nos moldes em que acordarem com os respectivos patrões.
E por favor, parem de enganar as pessoas, acabem lá com a ilusão de que somos ricos e só podemos trabalhar X horas por semana em empregos em que se não formos produtivos é… igual. Pode parecer uma “doce e conveniente mentira branca”, mas está a assassinar o nosso país. É insustentável manter 5 partidos com diferentes tonalidades de socialismo, uma constituição que parte do pressuposto que temos petróleo ou diamantes, e uma legislação que premeia a mediocridade.
Quem salvar o país perde as eleições seguintes? Provavelmente. Mas que diferença faz que mudem os porcos da nossa quinta orwelliana? Não consigo descobrir nem políticos honestos capazes de dominar as máquinas partidárias (muito eu gostava de ver o Rui Rio primeiro ministro), nem vejo um povo consciente da barbaridade que foram os últimos 40 anos. Tanta gente estúpida que continua a reclamar os ideais utópicos do refrão da cantiga que lhes deram.
Artigo sobre pioneiros da Internet em Portugal
22/05/12 19:31 Classificados como: Entrevista
Fui contactado por uma jornalista (particularmente simpática e com quem foi agradável conversar) para dar uma entrevista rápida (foram cinco minutos no Skype) e este foi o resultado. Boa oportunidade para fazer um elogio publico ao Mário Valente (meu amigo de sempre), com quem tantas vezes não estou de acordo (na realidade estou “ainda mais vezes de acordo”, mas o que tem piada é obviamente discutir ideias, que andar a “cantar em coro” aquilo em que acordamos não é particularmente interessante).
Primeira parte:
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/media-e-tecnologia/internet-esoterica-computador-sapo-laureano-santos-agencia-financeira/1350083-2974.html
Segunda parte:
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/media-e-tecnologia/internet-facebook-portugal-ydreams-sapo-agencia-financeira/1350076-2974.html
Blog em Inglês...
13/05/12 22:03 Classificados como: A minha página
Comecei um blog em Inglês. O racional é simples: no twitter, facebook e Google+, tenho várias pessoas a seguir-me que não falam Português. Algumas das coisas que escrevo são para elas também, logo justifica-se que eu escreva em Inglês.
Não queria ter uma secção “em Inglês” na minha página pessoal, pelo que comecei um blog no blogspot: http://paulolaureanolinks.blogspot.pt/
Os conteúdos na maior parte dos posts não vão ser “duplicados”. Aqui estão os artigos de fundo, na língua de Camões (e sem acordo ortográfico), no blog estão coisas “curtas e rápidas”, provavelmente escritas no telemóvel/iPad. Excepção feita para os artigos de base sobre segurança (de e-mail, DNS, etc), em que, sempre que o tempo o permita, gostava de fazer uma versão em Inglês.
Se por um lado as versões Inglesas tendem a ser menos completas e ilustradas, por outro são mais “directas ao assunto”. Dirigem-se a menos de 5% das pessoas que conheço pessoalmente, pelo que tenho que dosear o esforço de escrever, de forma minimamente proporcional.
A reportagem sic/expresso "Os bons piratas"
08/05/12 21:48 Classificados como: Televisão | Entrevista
Já nem me lembrava da reportagem/artigo…
E do artigo do expresso…
E já agora hacker significa coisas muito diferentes “hoje” e há “25+ anos atrás”: http://en.wikipedia.org/wiki/Hacker_(term)
A reportagem é sobre eventos que ocorreram há muito, muito tempo atrás, numa terra nada distante.
Atentado de Camarate: a confissão!
07/05/12 02:28 Classificados como: Terrorismo
O que toda a gente sabia, mas que as autoridades fizeram por ignorar, deixando passar em branco o assassinato do Primeiro Ministro de Portugal. Pessoalmente não tenho duvida nenhuma sobre a veracidade do que é descrito.
http://www.scribd.com/doc/89792623/Camarate-1ª-Parte http://www.scribd.com/doc/89798332/Camarate-2ª-Parte http://www.scribd.com/doc/89803494/Camarate-3ª-Parte http://www.scribd.com/doc/89807938/Camarate-4ª-Parte http://www.scribd.com/doc/89814334/Camarate-5ª-Parte-ULTIMA-PARTE
Eu, Fernando Farinha Simões, decidi finalmente, em 2011, contar toda a verdade sobre Camarate. No passado nunca contei toda a operação de Camarate, pois estando a correr o processo judicial, poderia ser preso e condenado. Também porque durante 25 anos não podia falar, por estar obrigado ao sigilo por parte da CIA, mas esta situação mudou agora, ao que acresce o facto da CIA me ter abandonado completamente desde 1989. Finalmente decidi falar por obrigação de consciência.
Fiz o meu primeiro depoimento sobre Camarate, na Comissão de Inquérito Parlamentar, em 1995. Mais tarde prestei alguns depoimentos em que fui acrescentando factos e informações. Cheguei a prestar declarações para um programa da SIC, organizado por
Emílio Rangel, que não chegou contudo a ir para o ar. Em todas essas declarações públicas contei factos sobre o atentado de Camarate, que nunca foram desmentidos, apesar dos nomes que citei e da gravidade dos factos que referi. Em todos esses relatos, eu desmenti a tese oficial do acidente, defendida pela Polícia Judiciária e pela Procuradoria Geral da Republica. Numa tive dúvidas de que as Comissões de Inquérito Parlamentares estavam no caminho certo, pois Camarate foi um atentado. Devo também dizer que tendo eu falado de factos sobre Camarate tão graves.e do envolvimento de certas pessoas nesses factos, sempre me surpreendeu que essas pessoas tenham preferido o silêncio. Estão neste caso o Tenente Coronel Lencastre Bernardo ou o Major Canto e Castro. Se se sentissem ofendidos pelas minhas declarações, teria sido lógico que tivessem reagido. Quanto a mim, este seu silêncio só pode significar que, tendo noção do que fizeram, consideraram que quanto menos se falar no assunto, melhor.
Nessas declarações que fiz, desde 1995, fui relatando, sucessivamente, apenas parte dos factos ocorridos, sem nunca ter feito a narração completa dos acontecimentos. Estávamos ainda relativamente próximos dos acontecimentos e não quis portanto revelar todos os pormenores, nem todas as pessoas envolvidas nesta operação. Contudo, após terem passado mais de 30 anos sobre os factos, entendi que todos os portugueses tinham o direito de conhecer o que verdadeiramente sucedeu em Camarate. Não quero contudo deixar de referir que hoje estou profundamente arrependido de ter participado nesta operação, não apenas pelas pessoas que aí morreram, e cuja qualidade humana só mais tarde tive ocasião de conhecer, como do prejuízo que constituiu, para o futuro do país, o desaparecimento dessas pessoas. Naquela altura contudo, Camarate era apenas mais uma operação em que participava, pelo que não medi as consequências. Peço por isso desculpa aos familiares das vítimas, e aos Portugueses em geral, pelas consequências da operação em que participei.
Gostaria assim de voltar atrás no tempo, para explicar como acabei por me envolver nesta operação. Em 1974 conheci, na África do Sul, a agente dupla alemã, Uta Gerveck, que trabalhava para a BND (Bundesnachristendienst) - Serviços de Inteligência Alemães Ocidentais, e ao mesmo tempo para a Stassi. A cobertura legal de Uta Gerveck é feita atravez do conselho mundial das Igrejas (uma espécie de ONG), e é através dessa fachada que viaja praticamente pelo Mundo todo, trabalhando ao mesmo tempo para a BND e para a Stassi. Fez um livro em alemão que me dedicou, e que ainda tenho, sobre a luta de liberdade do PAIGC na Guiné Bissau. O meu trabalho com a Stassi veio contudo a verificar-se posteriormente, quando estava já a trabalhar para a CIA. A minha infiltração na Stassi dá-se por convite da Uta Gerveck, em l976, com a concordância da CIA, pois isso interessava-lhes muito.
Úta Gerveck apresenta-me, em 1978, em Berlim Leste, a Marcus Wolf, então Director da Stassi. Fui para esse efeito então clandestinamente a Berlim Leste, com um passaporte espanhol, que me foi fornecido por Úta Gerveck. 0 meu trabalho de infiltração na Stassi consistiu na elaboração de relatórios pormenorizados acerta das “toupeiras" infiltradas na Alemanha Ocidental pela Stassi. Que actuavam nomeadamente junto de Helmut Khol, Helmut Schmidt e de Hans Jurgen Wischewski. Hans Jurgen Wischewski era o responsável pelas relações e contactos entre a Alemanha Ocidental e de Leste, sendo Presidente da Associação Alemã de Cooperação e Desenvolvimento (ajuda ao terceiro Mundo), e também ia às reuniões do Grupo Bilderberg. Viabilizou também muitas operações clandestinas, nos anos 70 e 80. de ajuda a gupos de libertação, a partir da Alemanha Ocidental. Estive também na Academia da Stassi, várias vezes, em Postdan - Eiche.
Relativamente ao relato dos factos, gostaria de começar por referir que tenho contactos, desde 1970, em Angola, com um agente da CIA, que é o jornalista e apresentador de televisão Paulo Cardoso (já falecido). Conheci Paulo Cardoso em Angola com quem trabalhei na TVA - Televisão de Angola na altura.
Em 1975, formei em Portugal, os CODECO com José Esteves, Vasco Montez, Carlos Miranda e Jorge Gago (já falecido). Esta organização pretendia, defender, em Portugal, se necessário por via de guerrilha, os valores do Mundo Ocidental.
Através de Paulo Cardoso sou apresentado, em 1975, no Hotel Sheraton, em Lisboa, a um agente da CIA, antena, (recolha de informações), chamado Philip Snell. Falei então durante algum tempo com Philip Snell. O Paulo Cardoso estava então a viver no Hotel Sheraton. Passados poucos dias, Philip Snell, diz-me para ir levantar, gratuitamente, um bilhete de avião, de Lisboa para Londres, a uma agência de viagens na Av. de Ceuta, que trabalhava para a embaixada dos EUA. Fui então a uma reunião em Londres, onde encontrei um amigo antigo, Gary Van Dyk, da África do Sul, que colaborava com a CIA. Fui então entrevistado pelo chefe da estação da CIA para a Europa, que se chamava John Logan. Gary Van Dyk, defendeu nessa reunião, a minha entrada para a CIA, dizendo que me conhecia bem de Angola, e que eu trabalhava com eficiência. Comecei então a trabalhar para a CIA, tendo também para esse efeito pesado o facto de ter anteriormente colaborado com a NISS - National Intelligence Security Service ( Agência Sul Africana de Informações). Gary Van Dyk era o antena, em Londres, do DONS - Department Operational of National Security ( Sul Africana ).
Regressando a Lisboa, trabalhei para a Embaixada dos EUA, em Lisboa entre 1975 e 1988, a tempo inteiro. Entre 1976 e 1977, durante cerca de uma ano e meio vivi numa suite no Hotel Sheraton, o que pode ser comprovado, tudo pago pela Embaixada dos EUA. Conduzia então um carro com matrícula diplomática, um Ford, que estacionava na garagem do Hotel. Nesta suite viveu também a minha mulher, Elsa, já grávida da minha filha Eliana. O meu trabalho incluía recolha de informações /contra informações, informações sobre tráfico de armas, de operações de combate ao tráfico de droga, informações sobre terrorismo, recrutamento de informadores, etc. Estas actividades incluem contactos com serviços secretos de outros países, como a Stassi, a Mossad, e a "Boss" (Sul Africana), depois NISS - National Information Sectret Service, depois DONS e actualmete SASS.
Era pago em Portugal, reccebendo cerca de USD 5.000 por mês. Nestas actividades facilita o facto de eu falar seis línguas. Actuei utilizando vários nomes diferente, com passaportes fornecidos pela Embaixada dos EUA em Lisboa. Facilitava também o facto de eu falar um dialecto angolano, o kimbundo.
A Embaixada dos EUA tinha também uma casa de recuo na Quinta da Marinha, que me estava entregue, e onde ficavam frequentemente agentes e militares americanos, que passavam por Portugal. Era a vivenda "Alpendrada".
A partir de 1975, como referi, passei a trabalhar directamente para a CIA. Contudo a partir de 1978, passei a trabalhar como agente encoberto, No chamado "Office of Special Operations", a que se chamava serviços clandestinos, e que visavam observar um alvo, incluindo perseguir, conhecer e eliminar o alvo, em qualquer país do mundo, excepto nos EUA. Por pertencermos a este Office, éramos obrigados a assinar uma clausula que se chamava "plausible denial" que significa que se fossemos apanhados nestas operações com documentos de identificação falsos, a situação seria por nossa conta e risco, e a CIA nada teria a ver com a situação. Nessa circunstância tínhamos o discurso preparado para explicar o que estávamos a fazer, incluindo estarmos preparados para aguentar a tortura.
Trabalhei para o "Office of Special Operations ” até 1989, ano em que saí da CIA.
Para fazer face a estes trabalhos e operações, as minhas oontas dos cartões de crédito do VISA, American Express e Dinners Club, tinham, cada uma, um planfond de 10.000 USD, que podiam ser movimentados em caso de necessidade. Estes cartões eram emitidos no
Brasil, em bancos estrangeiros sediados no Brasil, como o Citibank, o Bank of Boston ou o Bank of America. Entre 1975 e 1989, portanto durante cerca de 14 anos, gastei com estes cartões cerca de 10 milhões de USD, em operações em diversos países, nomeadamente pagando a informadores, políticos, militares, homens de negócios, e também traficantes de armas e de drogas, em ligação com a DEA (Drug Enforcement Agency), Existiram outros valores movimentados à parte, a partir de um saco azul, “em cash”, valores esses postos à disposição pelo chefe da estação da CIA, no local onde as operações eram realizadas. Este saco azul servia para pagar despesas como viagens, compras necessárias, etc.
Posso referir que a operação de Camarate, que a seguir irei transcrever custou a preços de 1980 entre 750000 e 1 milhão de USD. Só o Sr, José António dos Santos Esteves recebeu 200000 USD. Estas despesas relacionadas com a operação de Camarate, incluíram os pagamentos a diversas pessoas e participantes, como o Sr. Lee Rodrigues, como seguidamente irei descrever.
Entre 1975 e 1988, participei em vários cursos e seminários em Langley, Virginia e Quantico, pago pela CIA, sobre informação, desinformação, contra-informação. terrorismo, contra-terrorismo, infiltrações encobertas, etc, etc.
Trabalhei em serviços de infiltração pela CIA e pela DEA (Drug Enforcement Agency), em diferentes países, como Portugal, El Salvador, Bolívia, Colômbia,Venezuela, Peru, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Chile, Líbano, Síria, Egipto, Argélia, Marrocos, Filipinas.
A minha colaboração com a DEA, iniciou-se em 1981, através de Richard Lee Armitage.
Em 1980, Richard Armitage viria também a estar comigo e com o Henry Kissinger em Paris, Richard Lee Armitage era membro do CFR (Counceil for Foreign Affairs and Relations) e da Organização e Cooperação para a Segurança da Europa (OSCE), criada pela CIA, Richard Armitage era também membro, na altura, do Grupo Carlyle, do qual o CEO era Frank Carlucci. O Grupo Carlyle dedica-se à construção civil, imobiliário e é uma dos maiores grupos de tráfico de armas no Mundo, junto com o Grupo Haliburton, chefiado por Richard "Dick" Cheney. O Grupo Carlyle pertence a vários investidores privados dos EUA, por regra do Partido Republicano. Este grupo promove nomeadamente vendas de armas, petróleo e cimento para países como o Iraque, Afeganistão e agora para os países da primavera árabe.
A lavagem do dinheiro do tráfico de armas e da droga, era feito, na altura, pelo Banco BCCI, ligado à CIA e à NSA - National Security Agency. O BCCI foi fundado em 1972 e fechado no princípio dos anos 90, devido aos diversos escândalos em que esteve envolvido.
Oliver North pertencia ao Conselho Nacional de Segurança, às ordens de william walker, ex-embaixador dos EUA em El Salvador. Oliver North seguiu e segue sempre as ordens da CIA, dependente de William Casey. Oliver North está hoje retirado da CIA , e é CEO de vários grupos privados americanos, tal como Frank Carlucci.
Da DEA conheci Celerino Castilho, Mike Levine. Anabelle Grimm e Brad Ayers, tendo trabalhado para a DEA entre 1975 até 1989. Da CIA trabalhei também com Tosh Plumbey, Ralph Megehee - tenente coronel da NSA, actualmente reformado. Da CIA trabalhei ainda com Bo Gritz e Tatum. Estes dois agentes tinham a sua base de operações em El Salvador, (onde eu também estive durante os anos 80, durante o tráfico Irão - Contras), desenvolvendo nomeadamente actividades com tráfico de armas. Uma das suas operações consistiu no transporte de armas dos EUA para El-Salvador, que eram depois transportadas para o Irão e a Nicarágua. Os aviões, normalmente panamianos e colombianos regressavam depois para os EUA com droga, nomeadamente cocaína, proveniente de países como a Colômbia, Bolivia e El Salvador, que serviam para financiar a compra de armas. Esta actividade desenvolveu-se essencialmente desde os finais dos anos 70 até 1988.
A cocaina vinha nomeadamente da Ilha Normans Cay, nas Bahamas, de que era proprietário Carlos Lheder Rivas. Carlos Rivas era um dos chefes do Carte de Medellin, trabalhando para este cartel e para ele próprio. Carlos Rivas era, neste contexto um personagem importante, sendo o braço direito de Roberto Vesco, que trabalhava para a CIA e para a NSA. Roberto Vesco era proprietário de Bancos nas Bahamas, nomeadamente o colombus trust. Carlos rivas fazia toda a logística de Roberto Vesco e forneciam armas a troco de cocaina, nomeadamente ao movimento de guerrilha Colombiano M19. Roberto Vesco está hoje refugiado em Cuba.
O dinheiro das operações de armas e de droga são lavadas no Banco BCCI e noutros bancos, com o nome de código "Amadeus". Há no entanto contas activas nas Bahamas e em Norman's Cay, nas Ilhas Jersey, que gerem contas bancárias, nomeadamente para o tráfico de armas para os “Contras” da Nicarágua, e para o Irão.
Como acima referi, muito desse dinheiro foi para bancos americanos e franceses, o que em parte explicará porquê é que Manuel Noriega foi condenado a 60 anos de prisão, tendo primeiro estado preso nos EUA, depois em França, e actualmente no Panamá. Foi preso porque era conveniente que estivesse calado, não referindo nomeadamente que partilhava com a CIA, o dinheiro proveniente da venda de armas e da venda de drogas. Noriega movimentava contas bancárias em mais de 120 bancos, com conhecimento da CIA. Noriega fazia também parte da operação Black Eagle, dedicada ao tráfico de armas e de droga, que
em 1982 se transformou numa empresa chamada Enterprise, com a colaboração de Oliver North e de Donald Gregg da CIA. Em face do grau de informações e de conhecimento que tinha, é fácil de perceber porquê se verificou o derrube e a prisão de Noriega. Devo dizer que estou pessoalmente admirado que não o tenham até agora “suicidado", pois deve ter muitos documentos ainda guardados. Noriega tinha a intenção de contar tudo o que sabia sobre este tráfico, nomeadamente sobre os serviços prestados à CIA e a Bush Pai, tendo por isso sido preso. Washington e a CIA são assim veículos importantes do tráfico de armas e de droga, utilizando nomeadamente os pontos de apoio de South Flórida e do Panamá.
No início dos anos 80 conheci um traficante do cartel de Cali, de nome Ramon Milian Rodriguez, que depois mais tarde perante uma comissão do Senado Americano, onde falou do tráfico de armas e de droga, do branqueamento de dinheiro, bem como das cumplicidades de Oliver North neste tráfico às ordens de Bush Pai e do Donald Gregg.
Muito do dinheiro gerado nessas vendas foi para bancos americanos e franceses. Este dinheiro servia também para compras de propriedades imobiliárias. Por estar ligado a estas operações, Noriega foi preso pelos EUA.
Foi numa operação de droga que realizei na Colômbia e nas Bahamas, em 1984, onde se deu a prisão de Carlos Lheder Rivas, do Cartel de Medallin, em que eu não concordei com os agentes da DEA da estação de Maiami, pois eles queriam ficar com 10 milhões de dólares e com o avião "lear-jet" provenientes do tráfico de droga. Não concordando, participei desses agentes ao chefe da estação da DEA de Maiami. Este chefe mandou-lhes então levantar um inquérito, tendo sido presos pela própria DEA. A partir de aí a minha vida tornou-se num verdadeiro inferno, nomeadamente com a realização de armadilhas, e detenções, tendo acabado por sair da CIA em 1989, a conselho de Frank Carlucci. O principal culpado da minha saída da CIA foi e da DEA foi John C. Lawn, director da estação da DEA e amigo de Noriega e de outros traficantes. John Lawn encobriu, ou tentou encobrir, todos os agentes da DEA que denunciei aquando da prisão de Carlos Rivas. Após a minha saída da CIA, Frank Carlucci continuou contudo a ajudar-me com dinheiro, com conselhos e com apoio logístico, sempre que eu precisei até 1994.
Regressando contudo à minha actividade em Portugal, anteriormente a Camarate e ao serviço da CIA, devo referir que conheci Frank Carlucci, em 1975, através de duas pessoas: um jornalista Português da RTP, já falecido, chamado Paulo Cardoso de Oliveira, que conhecera em Angola, e que era agente da CIA, e Gary Van Dyk, agente da BOSS (Sul Africana) que conheci também em Angola. Mantive contactos directos frequentes com Frank Carlucci, sobretudo entre l975 e 1982, de quem recebi instruções para vários trabalhos e operações. Os meus contactos com Frank Carlucci mantêm-se até hoje, com quem falo ainda ocasionalmente pelo telefone. A última vez que estive com ele foi em Madrid, em 2008, na escala de uma viagem que Frank Carlucci realizou à Turquia.
Em Lisboa, também lidei e recebi ordens de William Hasselberg - antena da CIA em Lisboa, que além de recolher informacões em Lisboa actua como elo de ligação entre portugueses e americanos. Tive inclusivamente uma vida social com William Hasselberg, que inclui uma vida nocturna em Lisboa, em diferentes bares, restaurantes, e locais públicos. William Hasselberg gostava bastante da vida nocturna, onde tinha muito gosto em aparecer com as suas diversas “conquistas” femininas. Trabalhei também com outros agentes da CIA, nomeadamente Philip Agee. Neste âmbito, trabalhei em operações de tráfico de armas, e em infiltrações em organizações com o objectivo de obter informações políticas e militares, “Billie” Hasselberg fala bem português, e era grande amigo de Artur Albarran, Hasselberg e Albarran conheceram-se numa festa da embaixada da Colômbia ou Venezuela, tendo Albarran casado nessa altura, nos anos 80, com a filha do embaixador, que foi a sua primeira mulher.
Das reuniões que tive com a embaixada americana em Lisboa, a partir de 1978, conheci vários agentes da CIA. O Chefe da estação da CIA em Portugal, John Logan, oferece-me um livro seu autografado. Conheci também o segundo chefe da CIA, Sr. Philip Snell, Sr. James Lowell, e o Sr. Arredondo. Da parte militar da CIA conheci o cor Wilkinson, a partir de quem conheci o coronel Oliver North e o coronel Peter Bleckley. O coronel Oliver North, militar mas também agente da CIA e o coronel Peter Bleckley, são os principais estrategas nos contactos internacionais, com vista ao tráfico e venda de armas, nomeadamente com países como Irão, Iraque, Nicarágua, e o El Salvador. Na sequência do conhecimento que fiz com Oliver North , tendo várias reuniões com ele e com agentes da CIA, por causa do tráfico e negócio de armas. Estas reuniões têm lugar em vários países, como os EUA, o México, a Nicarágua, a Venezuela, o Panamá. Neste último país contacto com dois dos principais adjuntos de Noriega, José Bladon, chefe dos serviços secretos do Panamá, que me disse que praticamente todos os embaixadores do Panamá em todo o Mundo estavam ao serviço de Noriega.
Blandon pediu-me na altura se eu arranjava um Rolls Royce Silver Spirits, para o embaixador do Panamá em Lisboa, o que acabei por conseguir.
Em meados de 1980, Frank Carlucci refere-me, por alto, e pela primeira vez, que eu iria ser encarregue de fazer um "trabalho" de importância máxima e prioritária em Portugal, com a ajuda dele, da CIA, e da Embaixada dos EUA em Portugal, sendo-me dado, para esse efeito, todo o apoio necessário.
Tenho depois reuniões em Lisboa, com o agente da CIA, Frank Sturgies, que conheço pela primeira vez. Frank Sturgies é uma pessoa de aspecto sinistro e com grande frieza, e é organizador das forças anti-castristas, sediadas em Miami, e é elo de ligação com os "contra" da Nicarágua. Frank Sturgies refere-me então, que está em marcha um plano para afastar, definitivamente, (entenda-se eliminar) uma pessoa importante, ligada ao Governo Português de então, sem dizer contudo ainda nomes.
Algum tempo depois, possívelmente em Setembro ou Outubro de 1980, jogo ténis com Frank Cariucci quase toda a tarde, na antiga residência do embaixador dos EUA, na Lapa. Janto depois com ele, onde Frank Cartucci refere novamente que existem problemas em Portugal para a venda e transporte de armas, e que Francisco Sá Carneiro não era uma pessoa querida dos EUA. Depois já na sobremesa, juntam-se a nós o General Diogo Neto, o Coronel Vinhas, o Coronel Robocho Vaz e Paulo Cardoso, onde se refere novamente a necessidade de se afastarem alguns obstáculos existentes ao negócio de armas. Todos estes elementos referem a Frank Caducci que eu sou a pessoa indicada para a preparação e implementação desta operação.
Em Outubro de 1980, num juntar no Hotel Sharaton onde participo eu, Frank Sturgies (CIA), Vilfred Navarro (CIA), o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas (já falecidos), onde se refere que há entraves ao tráfico de armas que têm de ser removidos. Depois há um outro jatar também no Hotel Sharaton, onde participam, entre outros, eu e o Coronel OliverNorth, onde este diz claramente que "é preciso limar algumas arestas" e "se houver necessidade de se tirar alguém do caminho, tira-se", dando portanto a entender que haverá que eliminar pessoas que criam problemas aos negócios de venda de armas. Oliver North diz-me também que está a ter problemas com a sua própria organização, e que teme que o possam querer afastar e "deixar cair", o que acabou por acontecer.
Há também Portugueses que estavam a beneficiar com o tráfico de armas, como o Major Canto e Castro, o General Pezarat Correia, Franco Charais e o empresário Zoio. Sabe-se também já nessa altura que Adelino Amaro da Costa estava a tentar acabar com o tráfico de armas, a investigar o fundo de desenvolvimento do Ultramar, e a tentar acabar acabar com lobbies instalados. Afastar essas duas pessoas pela via política era impossível, pois a AD tinha ganho as eleições. Restava portanto a via de um atentado.
Passados alguns dias, recebo um telefonema do Major Canto e Castro (pertencente ao conselho da revolução), que eu já conhecia de Angola, pedindo para eu me encontrar com ele no Hotel Altis. Nessa reunião está também Frank Sturgies, e fala-se pela primeira vez em "atentado", sem se referirem ainda quem é o alvo. referem que contam comigo para esta operação. O Major Canto e Castro diz que é preciso recrutar alguém capaz de realizar esta operação.
Tenho depois uma segunda reunião no Hotel Altis com Frank Sturgies e Philip Snell, onde Frank Sturgies me encarrega de preparar e arranjar alguns operacionais para uma possível operação dentro de pouco tempo, possivelmente dentro de 2 ou 3 meses. Perguntam-me se já recrutou a pessoa certa para realizar este atentado, e se eu conheço algum perito na fabricação de bombas e em armas de fogo. Respondo que em Espanha arranjaria alguém da ETA para vir cá fazer o atentado, se tal fosse necessário. Quem paga a operação e a preparação do atentado é a Cia e o Major Canto e Castro. Canto e Castro colabora na altura com os serviços Secretos Franceses, para onde entrou através do sogro na época. O sogro era de Nacionalidade Belga, que trabalhava para a SDEC, os serviços de inteligência franceses, em 1979 e 1980. Canto e Castro casou com uma das suas filhas, quando estava em Luanda, em Angola, ao serviço da Força Aérea Portuguesa. Em Luanda, Canto e Castro vivia perto de mim.
Tendo que organizar esta operação, falo então com José Esteves e mais tarde com Lee Rodrigues ( que na altura ainda não conhecia). O elo de ligação de Lee Rodrigues em Lisboa era Evo Fernandes, que estava ligado à resistência moçambicana, a renamo. Falo nessa altura também com duas pessoas ligadas à ETA militar, para caso do atentado ser realizado através de armas de fogo.
Depois, noutro jantar em casa de Frank Carlucci, na Lapa, na Mansarda, no último andar, onde jantamos os dois sozinhos, Frank Carlucci diz abertamente e pela primeira vez, o que eu tinha de fazer, qual era a operação em curso e que esta visava Adelino Amaro da Costa, que estava a dificultar o transporte e venda de armas a partir de Portugal ou que passavam em Portugal, e que havia luz verde dada por Henry Kissinger e Oliver North. Cumprimento ambos, referindo que sou "o homem deles em Lisboa".
Três semanas antes dos atentado, Canto e Castro e Frank Surgies, referem pela primeira vez, que o alvo do atentado é Adelino Amaro da Costa. O Major Canto e Castro afirma que irá viajar para Londres. Frank Sturgies pede-me que obtenha um cartão de acesso ao aeroporto para um tal Lee Rodrigues, que é referido como sendo a pessoa que levará e colocará a bomba no avião.
Recebo depois um telefonema de Canto e Castro, referindo que está em Londres e para eu ir ter lá com ele. Refere-me que o meu bilhete está numa agência de viagens situada na Av. da Republica , junto à pastelaria Ceuta. Chegado a Londres fico no Hotel Grosvenor, ao pé de Victoria Station. Canto e Castro vai buscar-me e leva-me a uma casa perto do Hotel, onde me mostra pela primeira vez, o material, incluindo explosivos, que servirão para confeccionar a "bomba" nesta operação. Essa casa em Londres, era ao mesmo tempo residência e consultório de um dentista indiano, amigo de Canto e Castro, Canto e Castro refere-me que esse material será levado para Portugal pela sua companheira Juanita Valderrama. O Major Canto e Castro pede-me então que vá ao Hotel Altis recolher o material. Vou então ao Hotel acompanhado de José esteves, e recebemos uma mala e uma carta da senhora Juanita, José Esteves prepara então uma bomba destinada a um avião, com esses materiais, com a ajuda de Carlos Miranda.
O Major Canto e Castro volta depois de Londres, encontra-se comigo, e digo-lhe que a bomba está montada. Lee Rodrigues é-me apresentado pelo Major Canto e Castro. Alguns dias depois Lee Rodrigues telefona-me e encontramo-nos para jantar no restaurante galeto, junto ao Saldanha, juntamente com Canto e Castro, onde aparece também Evo Fernandes, que era o contacto de Lee Rodrigues em Lisboa. Fora Evo Fernandes que apresentara Lee Rodrigues a Canto e Castro. Lee Rofrigues era moçambicano e tinha ligações à Renamo. Nesse jantar alinham-se pormenores sobre o atentado. Canto e Castro refere contudo nesse jantar que o atentado será realizado em Angola. Perante esta afirmação, pergunto se ele está a falar a sério ou a brincar, e se me acha com “cara de palhaço"- fazendo tenção de me levantar. Refiro que, através de Frank Carlueci, já estava a par de tudo. Lee Rodrigues pede calma, referindo depois Canto e Castro que desconhecia que eu já estava a par de tudo, mas que sendo assim nada mais havia a esconder.
Possivelmente em Novembro, é-me solicitado por Philip Snell que participe numa reunião em Cascais, num iate junto á antiga marina (na altura não existia a actual marina). Vou e levo comigo José Esteves. Essa reunião tem lugar entre as 20 e as 23 horas, nela participando Philips Snell, Oliver North, Frank Sturgies, Sydral e Lee Rodrigues e mais cerca de 2 ou 3 estrangeiros, que julgo serem americanos. Nesta reunião é referido que há que preparar com cuidado a operação que será para breve, e falam-se de pormenores a ter em atenção. É referido também os cuidados que devem ser realizados depois da operação, e o que fazer se algo correr mal. A língua utilizada na reunião é o Inglés. José Esteves recebeu então USD 200.000 pelo seu futuro trabalho. Eu não recebi nada pois já era pago normalmente pela CIA. Eu nessa altura recebia da CIA o equivalente a cinco mil dólares, dispondo também de dois cartões de crédito Diner's Club e Visa Gold, ambos com plafonds de 10.000 Dólares.
Lee Rodrigues pede-me então que arranje um cartão para José Esteves entrar no aeroporto.
Para este efeito, obtenho um cartão forjado, na mouraria, em Lisboa, numa tipografia que hoje já não existe. Lee Rodrigues diz-me também que irá obter uma farda de piloto numa loja ao pé do Coliseu, na Rua das Portas de Santo Antão. A meu pedido, João Pedro Dias, que era carteirista, arranja também um cartão para Lee Rodrigues. Este cartão foi obtido por João Pedro Dias, roubando o cartão de Miguel Wahnon, que era funcionário da TAP.
Apenas foi necessário mudar-se a fotografia desse cartão, colocando a fotografia de Lee Rodrigues.
José Esteves prepara então em sua casa no Cacém, um engenho para o atentado. Conta com a colaboração de outro operacional chamado Carlos Miranda, especialista em explosivos, que é recrutado por mim, e que eu já conhecia de Angola, quando Carlos Miranda era comandante da FNLA e depois CODECO em Portugal. José Esteves foi também um dos principais comandantes da FNLA, indo muitas vezes a Kinshasa.
Depois do artefacto estar pronto, vou novamente a Paris. No Hotel Ritz, à tarde, tenho um encontro com Oliver North, o cor. Wilkison e Philip Snell, onde se refere que o alvo a abater era Adelino Amaro da Costa, Ministro da Defesa.
Volto a Portugal, cerca de 5 ou 6 dias antes do atentado. É marcado por Oliver North um jantar no hotel Sheraton. Necesse jantar aparece e participa um indivíduo que não conhecia e que me é apresentado por Oliver North , chamado Penaguião. Penaguião afirma ser segurança pessoal de Sá Carneiro. Oliver North refere que Penaguião faz parte da segurança pessoal de Sá Carneiro e que é o homem que conseguirá meter Sá Carneiro no Avião. Penaguião afirma, de forma fria e directa que sá Carneiro também iria no avião, "pois dessa forma matavam dois coelhos de uma cajadada! " Afirma que a sua eliminação era necessária, uma vez que Sá Carneiro era anti-americano, e apoiava
incondicionalmente Adelino Amaro da Costa na denúncia do trático de armas, e na descoberta do chamado saco azul do Fundo de Defesa do Ultramar, pelo que tudo estava, desde o início, preparado para incluir as duas pessoas. Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. Fico muito receoso, pois só nesse momento fiquei a conhecer a inclusão de Sá Carneiro no atentado. Pergunto a Penaguião como é que ele pode ter a certeza de que Sá Carneiro irá no avião, ao que Penaguião responde de que eu não me preocupasse pois que ele, com mais alguém, se encarregaria de colocar Sá Carneiro naquele avião naquele dia e naquela hora, pois ele coordenava a segurança e a sua palavra era sempre escutada. No final do jantar, juntam-se a nós três o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas.
Fico estarrecido com esta nova informação sobre Sá Carneiro, e decido ir, nessa mesma noite, à residência do embaixador dos EUA, na Lapa, onde estava Frank Carlucci, a quem conto o que ouvi. Frank Carlucci responde que não me preocupasse, pois este plano já estava determinado há muito tempo. Disse-me que o homem dos EUA era Mário Soares, e que Sá Carneiro, devido à sua maneira de ser, teimoso e anti-americano, não servia os interesses estratégicos dos EUA. Mário Soares seria o futuro apoio da política americana em Portugal, junto com outros lideres do PSD e do PS. Aceito então esta situação, uma vez que Frank Carlucci já me havia dito antes que tudo estava assegurado, inclusivamente se algo corresse mal, como a minha saída de Portugal, a cobertura total para mim e para mais alguém que eu indicasse, e que pudesse vir a estar em perigo. Isto é a usual "realpolitik" dos Estados Unidos, e suspeito que sempre será.
Três dias antes do atentado há uma nova reunião, na Rua das Pretas no Palácio Roquete, onde participam Canto e Castro, Farinha Simões, Lee Rodrigues, José Esteves e Carlos Miranda. Carlos Miranda colaborou na montagem do engenho explosivo com José Esteves, tendo ido várias vezes a casa de José Esteves. Nessa reunião são acertados os últimos pormenores do atentado. Nessa reunião, Lee Rodrigues diz que ele está preparado para a operação e Canto e Castro diz que o atentado será a 3 ou 4 de Dezembro. Nessa reunião é dito que o alvo é Adelino Amaro da Costa. No dia seguinte encontramo-nos com Canto e Castro no Hotel Sheraton, e vamos jantar ao restaurante "O Polícia".
No dia 4 de Dezembro, telefono de um telefone no Areeiro, para o Sr. William Hasselberg, na Embaixada dos EUA, para confirmar que o atentado é para realizar, tendo-me este referido que sim. Desse modo, à tarde, José Esteves traz uma mala a minha casa, e vamos os dois para o aeroporto. Conduzo José Esteves ao aeroporto, num BMW do José Esteves.
Já no aeroporto, José Esteves e eu entramos no aeroporto, por uma porta lateral, junto a um posto da Guarda Fiscal, utilizando o cartão forjado, anteriormente referido. Depois José Esteves desloca-se e entrega a mala, com o engenho, a Lee Rodrigues, que aparece com uma farda de piloto e é também visto por mim. Depois de cerca de 15 minutos, sai já sem a mala, e sai comigo do aeroporto. Separamo-nos, mas mais tarde José Esteves encontra-se novamente comigo no cabeleireiro Bacta, no centro comercial Alvalade.
Depois José Esteves aparece em minha casa com a companheira da época, de nome Gina, e com um saco de roupa para lá ficar por precaução. Ouvi-mos depois o noticiário das 20 horas na televisão, e José Esteves fica muito surpreendido, pois não sabia que Sá Carneiro também ia no avião.
Afirma que fomos enganados. Telefona então para Lencastre Bernardo, que tinha grandes ligações à PJ e à PJ Militar, e uma Ligação ao General Eanes, Lencastre Bernardo tem também ligações a Canto e Castro, Pezarat Correia, Charais, ao empresário Zoio a José António Avelar que era ex-braço direito de Canto e Castro. José Esteves telefona-lhe, e pede para se encontrar com ele. Este aceita, pelo que, pelas 23 horas, José Esteves, eu, e a minha mulher Elza, dirigimo-nos para a Rua Gomes Freire, na PJ, para falar com ele. José Esteves sobe para falar com Lencastre Bernardo que lhe tinha dito que não se preocupasse, pois nada lhe sucederia. Passámos contudo por casa de José Esteves pois este temia que aí houvesse já um conjunto de polícias à sua procura, devido a considerarem que ele estava associado à queda do avião em Camarate. José Esteves ficou assim aliviado por verificar que não existia aparato policial à porta de sua casa. Vem contudo dormir para minha casa.
Alguns dias depois falei novamente com Frank Carlucci. A quem manifestei o meu desconhecimento e ter ficado chocado por ter sabido, depois de o avião ter caído, que acompanhantes e familiares do Primeiro Ministro e do Ministro da Defesa também tinham ido no Avião. Frank Carlucci respondeu-me que compreendia a minha posição, mas que também ele desconhecia que iriam outras pessoas no avião, mas que agora já nada se podia fazer.
Em 1981, encontro-me com Victor Pereira, na altura agente da Polícia Judiciaria, no restaurante Galeto, em Lisboa. Conto a Victor Pereira que alguns dos atentados estão atribuídos às Brigadas Revolucionárias, relacionados com a colocação de bombas, foram porém efectuadas pelo José Esteves, como foram os casos dos atentados à bomba na Embaixada de Angola, de Cuba ( esta última com conhecimento de Ramiro Moreira), na casa de Torres Couto, na casa do prof. Diogo Freitas do Amaral, na casa do Eng. Lopes Cardoso, e na casa de Vasco Montez, a pedido deste, junto ao Jumbo em Cascais, para obter sensacionalismo à época, tendo José Esteves espalhado panfletos iguais aos da FP25. Não falei então com Victor Pereira de camarate. Tomei conhecimento no entanto que Victor Pereira, no dia 4 de Dezembro de 1980, tendo ido nessa noite ao aeroporto da Portela, como agente da PJ, encontrou a mala que era transportada pelo eng. Adelino Amaro da Costa. Nessa mala estavam documentos referentes ao tráfico de armas e de pessoas envolvidas com o Fundo de defesa do Ultramar. Salvo erro, Victor Pereira entregou essa mala ao inspector da PJ Pedro Amaral, que por sua vez a entregou na PJ. Disse-me então Victor Pereira que essa mala, de maior importância no caso de Camarate, pelas informações que continha, e que podiam explicar os motivos e as pessoas por detrás deste atentado, nunca mais voltou a aparecer. Esta informação foi-me transmitida por Victor Pereira, quando esteve preso comigo na prisão de Sintra, em 1986. Não referi então a Victor Pereira que, como descrevo a seguir, eu tinha já tido contacto com essa mala, em finais de 1982, pelo facto de trabalhar com os serviços secretos na Embaixada dos EUA.
Também em 1981, uns meses depois do atentado, eu e o José Esteves fomos ter com o Major Lencastre Bernardo, na Polícia Judiciária, na Rua Gomes Freire. Com efeito, tanto o José Esteves como eu, andávamos com medo do que nos podia suceder por causa do nosso envolvimento no atentado de Camarate, e queríamos saber o que se passava com a nossa protecção por causa de Camarate. Eu não participo na reunião, fico à porta. Contudo José Esteves diz-me depois que nessa conversa Lencastre Bernardo lhe referiu que, numa anterior conversa com Francisco Pinto Balsemão, este lhe havia dito ter tido conhecimento prévio do atentado de Camarate, pois em Outubro de 1980, Kissinger o informou de que essa operação ia ocorrer. Disse-lhe também que ele próprio tinha tido conhecimento prévio do atentado de Camarate. Disse-lhe ainda que podíamos estar sossegados quanto a Camarate, pois não ia haver problemas connosco, pois a investigação deste caso ia morrer sem consequências.
A este respeito gostaria de acrescentar que numa reunião que tive, a sós, em 1986, com Lencastre Bernardo, num restaurante ao pé do edifício da PJ na Rua Gomes Freire, ele garantiu-me que Pinto Balsemão estava a par do que se ia passar em 4 de Dezembro. No restaurante Fouchet's, em Paris, Kissinger tinha-me dito, “por alto”, que o futuro Primeiro Ministro de Portugal seria pinto Balsemão. E importante referir que tanto Henry Kissinger como Pinto Balsemão eram já, em 1980, membros destacados do grupo Bilderberg, sendo certo que estas duas pessoas levavam convidados às reuniões anuais desta organização.
Deste modo, aquando da conversa com Lencastre Bernardo, em 1986, relacionei o que ele me disse sobre Pinto Balsemão, com o que tinha ouvido em Paris, em 1980. Tive também esta informação, mais tarde, em 1993, numa conversa que tive com William Hasselberg, em Lisboa, quando este me confirmou de que Pinto Balsemão estava a par de tudo.
Em finais de 1982, pelas informações que vou obtendo na Embaixada dos EUA, em Lisboa, verifico que se fala de nomes concretos de personalidades americanas com tendo estado envolvidas em tráfico de armas que passava por Portugal. Pergunto então a William Hasselberg como sabem destes nomes. Ao fim de muitas insistências minhas, William Hasselberg acaba por me dizer que a Pj entregou, na embaixada dos EUA, uma mala com os documentos transportados por Adelino Amaro da Costa, em 4 de Dezembro de 1980, e que ficou junto aos destroços do avião, embora não me tenha dito quem foi a pessoa da PJ que entregou esses documentos. Peço então a William Hasselberg que me deixe consultar essa mala, uma vez que faço também parte da equipa da CIA em Portugal. Ele aceita, e pude assim consultar os documentos aí existentes. que consistiam em cerca de 200 páginas. Pude assim consultar este Dossier durante cerca de uma semana, tendo-o lido várias vezes, e resumido, à mão, as principais partes, uma vez que não tinha como fotografa-lo ou copia-lo.
Vejo então, que apesar do desastre do avião, e da pasta de Avelino Amaro da Costa ter ficado queimada, e ter sido substituida por outra, os documentos estavam intactos. Estes documentos continham uma lista de compra de armas, que incluia nomeadamente RPG-7, RPG-27, G3, lança granadas, dilagramas, munições, granadas, minas, rádios, explosivos de plástico, fardas, kalashiskovs AK-47 e obuses. Referia-se também nesses documentos que para se iludir as pistas, as vendas ilegais de armas eram feitas através de empresas de fachada, com os caixotes a referir que a carga se tratava de equipamentos técnicos, e peças sobresselentes para maquinas agrícolas e para a construção civil. Esta forma de transportar armas foi-me confirmada várias vezes por Oliver North, no decorrer da década de 80, até 1988, e quando estive em Ilopango, no El Salvador, também na década de 80, verifiquei que era verdade.
Nestes documentos lembro-me de ver que algumas armas vinham da empresa portuguesa Braço de Prata, bem como referências de vendas de armas de Portugal e de países de Leste, como a Polónia e a Bulgária, com destino para a Nicarágua, Irão, El Salvador, Colombia, Panamá, bem como para alguns países Africanos que estavam em guerra, como Angola, ANC da África do Sul, Nigéria, Mali, Zimbawe, Quénia, Somália, Líbia, etc. Está também claramente referido nesses documentos que a venda de armas é feita através da empresa criada em Portugal chamada "Supermarket" (que operava através da empresa mãe "Black - Eagle").
Nos referidos documentos ví também que as vendas de armas eram legais através de empresas portuguesas, mas também havia vendas de armas ilegais feitas por empresas de fachada, com a lavagem de dinheiro em bancos suíços e "off-shores" em nome dos detentores das contas, tanto pessoas civis como militares.
As vendas ilegais de armas ocorriam por várias razões, nomeadamente: Em primeiro lugar muitos dos países de destino, tinham oficialmente sanções e embargos de armas. Em segundo lugar os EUA não queriam oficialmente apoiar ou vender armas a certos países, nomeadamente aos contra da Nicarágua, ou ao Irão e ao Iraque, a quem vendiam armas ao mesmo tempo, e sem conhecimento de ambos. Em terceiro lugar a venda de armas ilegal é mais rentável e foge aos impostos. Em quanto lugar a venda de armas ilegal permite o branqueamento de capitais, que depois podiam ser aproveitados para outros fins.
Entre os nomes que vi referidos nestes documentos figuravam:
- José Avelino Avelar
- Coronel Vinhas
- General Diogo Neto
- Major Canto e Castro
- Empresário Zoio
- General Pezarat Correia
- General Franco Charais
- General Costa Gomes
- Major Lencastre Bernardo
- Coronel Robocho Vaz
- Francisco Pinto Balsemão
Francisco Balsemão e Lencastre Bernardo eram referidos como elementos de ligação ao grupo Bildeberg e a Henry Kissinger, Francisco Balsemão pertence também à loja maçónica "Pilgrim", que é anglo-saxónica, e dependente do grupo Bildeberg. Lencastre Bernardo tinha também assinalada a sua ligação a alguns serviços de inteligência, visto ele ser, nos anos 80, o coordenador na PJ e na Polícia Judiciária Militar.
Entre as empresas Portuguesas que realizavam as vendas de armas atrás referidas, entre os anos 1974 e 1980, estavam referidas neste Dossier:
- Fundição de Oeiras (morteiros, obuses e granadas)
- Cometna (engenhos explosivos e bombas)
- OGMA (Oficinas Gerais Militares de Fardamento e OGFE (Oficinas de Fardamento do Exercito)
- Browning Viana S.A.
- A. Paukner Lda, que existe desde 1966
- Explosivos da trafaria
- SPEL (Explosivos)
- INDEP (armamento ligeiro e munições)
- Montagrex Lda, que actuava desde 1977, com Canto e Castro e António José Avelar. Só foi contudo oficialmente constituida em 1984, deixando, nessa altura, Canto e Castro de fora, para não o comprometer com a operação de Camarate. A Montagrex Lda operava no Campo Pequeno, e era liderada por António Avelar que era o braço direito de Canto e Castro e também sócio dessa empresa. O escritório dessa empresa no Campo Pequeno é um autentico “bunker", com portas blindadas, sensores, alarmes, códigos nas portas, etc.
Canto e Castro e António Avelar são também sócios da empresa inglesa BAE - Systems, sediada no Reino Unido. Esta empresa vede sistemas de defesa, artilharia, mísseis, munições, armas submarinas, minas e sobretudo sistemas de defesa anti-mísseis para barcos.
Todos estes negócios eram feitos, na sua maior parte, por ajuste directo, através de brokers - intermediários, que recebiam as suas comissões, pagas por oficiais do Exército, Marinha, Aeronáutica, etc.
Nestes documentos era referido que, como consequência desta vendas de armas, gerava-se um fluxo considerável de dinheiro, a partir destas exportações, legais e ilegais. Estes documentos referiam também a quem eram vendidas estas armas, sobretudo a países em guerra, ou ligados ao terrorismo internacional. Era também referido que todas estas vendas de armas eram feitas com a conivência da autoridade da época, nomeadamente militares como o General Costa Gomes, o General Rosa Coutinho (venda de armas a Angola) e o próprio Major Otelo Saraiva de Carvalho ( venda de armas a Moçambique). Vi várias vezes o nome de Rosa Coutinho nestes documentos, que nas vendas de armas para Angola utilizava como intermediário o general reformado angolano, José Pedro Castro, bastante ligado ao MPLA, que hoje dispõe de uma fortuna avaliada em mais de 500 milhões de USD, e que dividia o seu tempo entre Angola, Portugal e Paris. O seu filho, Bruno Castro é director adjunto do Banco BIC em Angola.
No referido dossier estavam também referidos outros militares envolvidos neste negócio de armas, nomeadamente o Capitão Dinis de Almeida, o Coronel Corvacho, o Vera Gomes e Carlos Fabião.
Todas estas pessoas obtinham lucros fabulosos com estes negócios, muitas vezes mesmo antes do 25 de Abril de 1974 e até 1980. Era referido que estas pessoas, nomeadamente militares, que ajudavam nesta venda de armas, beneficiavam através de comissões que recebiam. Estavam referidos neste Dossier os nomes de "off-shores", que eram usadas para pagar comissões às pessoas atrás referidas e a outros estrangeiros, por Oliver North ou por outros enviados da CIA. Estas "off-shores" detinham contas bancárias, sempre numeradas.
Esta referência batia certo com o que Oliver north sempre me contou, de que o negócio das armas se proporciona através de "off-shores" e bancos controlados para a lavagem de dinheiro.
Vale a pena a este respeito referir que no negócio das armas, empresas do sector das obras públicas aparecem frequentemente associadas, como a Haliburton, a Carlyle, ou a Blackwater, (empresa de armas, construção e mercenários), entre outras. Esta relação está referida, há anos, em vários relatórios, nomeadamente nos relatórios do Bribe Payer Index (indice internacional dos pagadores de subornos), que é uma agencia americana. A indicação deste tipo de práticas foi desenvolvida mais tarde, pela Transparency International e pelo Comité Norte Americanos de Coordenação e Promoção do Comercio do Senado Americano, que referem que há muitos anos , mais de 50% do negócio e comercio de armas em Portugal, é feito através de subornos. Os americanos sempre usaram Portugal para o tráfico de armas, fazendo também funcionar a Base das Lajes, nos Açores, para este efeito, nomeadamente depois de 1973, aquando da guerra do Yom Kippur, entre Israel e os países árabes. Este tráfico de armas deu origem a várias contrapartidas financeiras, nomeadamente através da FLAD, que foi usada pela CIA para este efeito. A FLAD recebeu diversos fundos específicos para a requalificação de recursos humanos.
Não ví contudo neste Dossier observações referindo referindo que estas vendas de armas eram condenáveis ou que tinham efeitos negativos. Havia contudo uma pequena nota, em que algumas folhas de que se devia tomar cuidade com tudo o que aí estava escrito, e que portanto se devia actuar. Havia também na primeira página um carimbo que dizia "confidentical and restricted".
Estas vendas de armas continuaram contudo depois de 1980. Tanto quanto eu sei, estas vendas de armas continuaram a ser realizadas até 2004, embora com um abrandamento importante a partir de 1984, a partir do escândalo das fardas vendidas à Polónia.
No referido Dossier estavam também referidas personalidades americanas envolvidas no negócio de armas, nomeadamente Bush (Pai), dick Cheney, Frank Carlucci, Donald Gregg, vários militares, bem como a empresas como a Blackwater. são ainda referidas empresas ligadas aos EUA, como a Carlyle, Haliburton, Black Eagle Enterprise, etc, que estavam a usar Portugal para os seus fins, tanto pela passagem de armas através de portos portugueses, como pelo fornecimento de armas a partir de empresas portuguesas. Tirei apontamentos desses documentos, que ainda hoje tenho em meu poder.
A empresa atrás referida, denominada supermarket, foi criada em Portugal em 1978, e operava através da empresa mão, de nome Black-Eagle, dirigida por William Casey, (membro do CFR(counceil for Foreign Affairs and Relations), ex-embaixador dos EUA nas Honduras e também com ligações à CIA). A empresa supermarker organizava a compra de armas de fabrico soviético, através de Portugal, bem como a compra de armas e munições portuguesas, referidas anteriormente, com toda a cumplicidade de Oliver North. Estas armas iam para entrepostos nas Honduras, antes de serem enviadas para os seus destinos finais. Oliver North pagou muitas facturas destas compras em Portugal, através de uma empresa chamada Gretsh World, que servia de fachada à Supermarket. Mais tarde, cerca de 1985, quando se começou muito a falar de camarate, Oliver North cancelou a operação "Supermarket, e fechou todas as contas bancárias.
Devo ainda referir que William Hasselberg e outros americanos da embaixada dos EUA, em Lisboa, comentaram comigo, várias vezes o que estava escrito neste Dossier.
Relativamente a Hasselberg isso era lógico, pois foi ele que me deu o Dossier a ler.
Posteriormente comentei também o que estava escrito neste Dossier com Frank Carlucci, que obviamente já tinha conhecimento da informação nele contida.
Tanto William Hasselberg, como membro da CIA, como outros elementos da CIA atrás referidos e outros, comentaram várias vezes comigo o envolvimento da CIA na operação de Camarate e neste negócio de armas. Lembro-me nomeadamente que quando alguém da CIA, me apresentava a outro elemento da Cia, dizia frequentemente "this is the portuguese guy, the one from Camarate, the case in Portugal with the plane!".
As vendas de armas, a partir e através de Portugal, foram realizadas ao longo desses anos, pois era do interesse político dos EUA. A CIA organizou e implementou estas vendas de armas em Portugal, à semelhança do que sucedeu noutros países, pois era crucial para os EUA que certas armas chegassem aos países referidos, de forma não oficial, tendo para isso utilizados militares e empresários Portugueses, que acabaram também por beneficiar dessas vendas.
Como anteriormente referi, William Casei e Oliver North estavam, nas décadas de 70 e 80 conluiados com o presidente Manuel Noriega, no escândalo Irão - contras (Irangate). Foi sempre Oliver North que se ocupou da questão dos reféns americanos no Irão, bem como da situação da América Central. Recebeu pessoalmente por isso uma carta de agradecimentos de George Bush Pai, Vice Presidente à época de Ronald Reagan.
Devo dizer a este respeito que John Bush, filho de Bush Pai, então com 35 anos, a fiver na Flórida, pertencia em 1979 e 1980 ao “Condado de Dade", que era e é uma organização republicana, situada em South Florida, destinada a angariar fundos para as campanhas eleitorais republicanas. John Bush era um dos organizadores de apoios financeiros para os "contra" da Nicarágua.
Conheci também Monzer Al Kasser um grande traficante de armas que tinha uma casa em Puerto Banus em Marbella, e que me foi apresentado, em Paris, por Oliver North, em 1979.
Era um dos grandes vendedores de armas para os “Contra” na Nicarágua, trabalhando simultaneamente para os serviços secretos sírios, búlgaros e polacos. Na sua casa em Marbella, referiu-me também que, por vezes, o tráfico de armas era feito através de África, para que no Iraque não se apercebessem da sua proveniência, pois também vendiam ao mesmo tempo ao Irão e mesmo a Portugal. Este tráfico de armas, que estava em curso, desde há vários anos, em 1980, e o começo do caso Camarate.
Através de Al Kasser conheci, em Marbella, no final de 1981, outro famoso traficante de armas, numa festa em casa de Monzer, que se chamava Adrian Kashogi. Kashogi, como pude testemunhar em sua casa, tinha relações com políticos e empresários europeus, árabes e africanos, por regra ligados ao tráfico de armas e drogas.
Sou preso em 1986, acusado de tráfico de drogas. Esta prisão foi uma armadilha montada pela DEA, por elementos que nessa organização não gostavam de mim, por eu ter levado à detenção de alguns deles, como referi anteriormente. Fui então levado para a prisão de Sintra. Estou na prisão com o Victor Pereira,, que aí também estava preso. Sei, em 1986, que estavam a preparar para me eliminar na prisão, pelo que peço à minha mulher Elza, para ir falar, logo que possível com Frank Carlucci. Em consequência disso recebo na prisão a visita de um agente da CIA, chamado Carlston, juntamente com outro americano. estes, depois de terem corrompido a direcção da prisão, incluindo o director, sub-director e chefe da guarda, bem como um elemento que se reformou muito recentemente, da Direcção Geral dos serviços Prisionais, chamada Maria José de Matos, conseguem a minha fuga da prisão. Contribui ainda para esta minha fuga, mediante o recebimento de uma verba elevada, paga pelos referidos agentes americanos esta directora-adjunta da Direcção Geral dos serviços Prisionais. Estes agentes americanos obtêm depois um helicóptero, que me transporta para a Lousã, onde fico cerca de 20 dias. Vou depois para Madrid, com a ajuda dos americanos, e depois daí ara o Brasil. as despesas com a minha fuga da prisão custaram 25000 euros, o que na época era uma quantia elevada.
Só mais tarde no Brasil, depois de 1986, é que referi a José Esteves que sabia que Sá Carneiro ia no avião, contando-lhe a história toda. José Esteves, responde então, que nesse caso, tinha-mos corrido um grande risco. Eu tranquilizei-o, referindo que sempre o apoiei e protegi neste atentado. Dei-lhe apoio no Brasil no que pude. Assegurei-lhe também o transporte para o Brasil, obtendo-lhe um passaporte no Governo Civil de lisboa, entreguei-lhe 750 contos que me foram dados para esse efeito pela embaixada dos EUA, em Lisboa, e arranjei-lhe o bilhete de avião de Madrid para o Rio de Janeiro . Na viagem de Lisboa para Madrid, José Esteves foi levado por Victor Moura, um amigo comum. No Rio de Janeiro ajudei-o a montar uma loja, numa roulote. Como trabalhava ainda para a embaixada dos EUA, em Lisboa, estas despesas foram suportadas pela Embaixada. Ficou no Brasil cerca de dois anos. Eu, contudo andava constantemente em viagem.
José Esteves recebe depois um telefonema de Francisco Pessoa de Portugal, onde Francisco Pessoa o aconselha a voltar a Portugal, e a pedir protecção, a troco de ir depor na Comissão de Inquérito Parlamentar sobre Camarate. Esse telefonema foi gravado, mas José Esteves nunca chegou a obter uma protecção formal.
Telefono a Frank Carlucci, em 1987, pedindo-lhe para falar com ele pessoalmente. Ele aceita, pelo que viajo do Brasil, via Miami, para Washington. Pergunto-lhe então, em face do que se tinha falado de Camarate, qual seria a minha situação, se corria perigo por causa de Camarate, e se continuarei, ou não a trabalhar para a CIA. Frank Carlucci responde-me que sim, que continuarei a trabalhar para a CIA, tendo efectivamente continuado a ser pago pela CIA até 1989. Frank Carlucci confirma nessa reunião que puderam contar com a colaboração de Penaguião na operação de Camarate, e que ele, Frank Carlucci, esteve a par dessa participação.
Em 1994, foi-me novamente montada uma armadilha em Portugal, por agentes da DEA que não gostavam de mim, por causa da referida prisão de agentes seus, denunciados por mim. Nesta armadilha participam também três agentes da DCITE - Portuguesa, os hoje inspectores Tomé, Sintra e Teófilo Santiago. Depois desta detenção, recebo a visita na prisão de Caxias de dois procuradores do Ministério Público, um deles, se não estou em erro, chamado Fernando Ventura, enviados por Cunha Rodrigues, então Procurador Geral da República. Estes procuradores referem-me que me podem ajudar no processo de droga de que sou acusado, desde que eu me mantenha calado sobre o caso Camarate.
Por ser verdade. e por entender que chegou o momento de contar todo o meu envolvimento na operação de Camarate, em 4 de Dezembro de 1980, decidi realizar a presente Declaração, por livre vontade. Não podendo já alterar a minha participação nesta operação,
que na altura estava longe de poder imaginar as trágicas consequências que teria para os familiares das vítimas e para o país, pude agora, ao menos, contar toda a verdade, para que fique para a História, e para que nomeadamente os portugueses possam dela ter pleno conhecimento.
Não quero, por ultimo, deixar de agradecer à minha mãe, à minha mulher Elza Simões, que ao longo destes mais de 35 anos, tanto nos bons como nos maus momentos, sempre esteve a meu lado, suportando de forma extraordinária, todas as dificuldades, ausências, e faltas de didicaçâo à família que a minha profissão implicava. Só uma grande mulher e um grande amor a mim tornaram possível este comportamento. Quero também agradecer à minha filha Eliana, que sempre soube aceitar as consequências que para si representavam a minha vida profissional, nunca tendo deixado de ser carinhosa comigo. Finalmente quero agradecer à minha mão que, ao longo de toda a minha vida me acarinhou e encorajou, apesar de nem sempre concordar com as minhas opções de vida. A natureza da sua ajuda e apoio, tiveram para mim uma importância excepcional, sem, as quais não teria conseguido prosseguir, em muitos momentos da minha vida. Posso assim afirmar que tive sempre o apoio de uma família excepcional, que foi para mim decisiva nos bons e maus momentos da minha vida.
Lisboa, 26 de Março de 2012
Fernando Farinha Simões
B.I. n.º 7540306
Fonte:
http://www.scribd.com/doc/89792623/Camarate-1ª-Parte http://www.scribd.com/doc/89798332/Camarate-2ª-Parte http://www.scribd.com/doc/89803494/Camarate-3ª-Parte http://www.scribd.com/doc/89807938/Camarate-4ª-Parte http://www.scribd.com/doc/89814334/Camarate-5ª-Parte-ULTIMA-PARTE
Texto integral:
Eu, Fernando Farinha Simões, decidi finalmente, em 2011, contar toda a verdade sobre Camarate. No passado nunca contei toda a operação de Camarate, pois estando a correr o processo judicial, poderia ser preso e condenado. Também porque durante 25 anos não podia falar, por estar obrigado ao sigilo por parte da CIA, mas esta situação mudou agora, ao que acresce o facto da CIA me ter abandonado completamente desde 1989. Finalmente decidi falar por obrigação de consciência.
Fiz o meu primeiro depoimento sobre Camarate, na Comissão de Inquérito Parlamentar, em 1995. Mais tarde prestei alguns depoimentos em que fui acrescentando factos e informações. Cheguei a prestar declarações para um programa da SIC, organizado por
Emílio Rangel, que não chegou contudo a ir para o ar. Em todas essas declarações públicas contei factos sobre o atentado de Camarate, que nunca foram desmentidos, apesar dos nomes que citei e da gravidade dos factos que referi. Em todos esses relatos, eu desmenti a tese oficial do acidente, defendida pela Polícia Judiciária e pela Procuradoria Geral da Republica. Numa tive dúvidas de que as Comissões de Inquérito Parlamentares estavam no caminho certo, pois Camarate foi um atentado. Devo também dizer que tendo eu falado de factos sobre Camarate tão graves.e do envolvimento de certas pessoas nesses factos, sempre me surpreendeu que essas pessoas tenham preferido o silêncio. Estão neste caso o Tenente Coronel Lencastre Bernardo ou o Major Canto e Castro. Se se sentissem ofendidos pelas minhas declarações, teria sido lógico que tivessem reagido. Quanto a mim, este seu silêncio só pode significar que, tendo noção do que fizeram, consideraram que quanto menos se falar no assunto, melhor.
Nessas declarações que fiz, desde 1995, fui relatando, sucessivamente, apenas parte dos factos ocorridos, sem nunca ter feito a narração completa dos acontecimentos. Estávamos ainda relativamente próximos dos acontecimentos e não quis portanto revelar todos os pormenores, nem todas as pessoas envolvidas nesta operação. Contudo, após terem passado mais de 30 anos sobre os factos, entendi que todos os portugueses tinham o direito de conhecer o que verdadeiramente sucedeu em Camarate. Não quero contudo deixar de referir que hoje estou profundamente arrependido de ter participado nesta operação, não apenas pelas pessoas que aí morreram, e cuja qualidade humana só mais tarde tive ocasião de conhecer, como do prejuízo que constituiu, para o futuro do país, o desaparecimento dessas pessoas. Naquela altura contudo, Camarate era apenas mais uma operação em que participava, pelo que não medi as consequências. Peço por isso desculpa aos familiares das vítimas, e aos Portugueses em geral, pelas consequências da operação em que participei.
Gostaria assim de voltar atrás no tempo, para explicar como acabei por me envolver nesta operação. Em 1974 conheci, na África do Sul, a agente dupla alemã, Uta Gerveck, que trabalhava para a BND (Bundesnachristendienst) - Serviços de Inteligência Alemães Ocidentais, e ao mesmo tempo para a Stassi. A cobertura legal de Uta Gerveck é feita atravez do conselho mundial das Igrejas (uma espécie de ONG), e é através dessa fachada que viaja praticamente pelo Mundo todo, trabalhando ao mesmo tempo para a BND e para a Stassi. Fez um livro em alemão que me dedicou, e que ainda tenho, sobre a luta de liberdade do PAIGC na Guiné Bissau. O meu trabalho com a Stassi veio contudo a verificar-se posteriormente, quando estava já a trabalhar para a CIA. A minha infiltração na Stassi dá-se por convite da Uta Gerveck, em l976, com a concordância da CIA, pois isso interessava-lhes muito.
Úta Gerveck apresenta-me, em 1978, em Berlim Leste, a Marcus Wolf, então Director da Stassi. Fui para esse efeito então clandestinamente a Berlim Leste, com um passaporte espanhol, que me foi fornecido por Úta Gerveck. 0 meu trabalho de infiltração na Stassi consistiu na elaboração de relatórios pormenorizados acerta das “toupeiras" infiltradas na Alemanha Ocidental pela Stassi. Que actuavam nomeadamente junto de Helmut Khol, Helmut Schmidt e de Hans Jurgen Wischewski. Hans Jurgen Wischewski era o responsável pelas relações e contactos entre a Alemanha Ocidental e de Leste, sendo Presidente da Associação Alemã de Cooperação e Desenvolvimento (ajuda ao terceiro Mundo), e também ia às reuniões do Grupo Bilderberg. Viabilizou também muitas operações clandestinas, nos anos 70 e 80. de ajuda a gupos de libertação, a partir da Alemanha Ocidental. Estive também na Academia da Stassi, várias vezes, em Postdan - Eiche.
Relativamente ao relato dos factos, gostaria de começar por referir que tenho contactos, desde 1970, em Angola, com um agente da CIA, que é o jornalista e apresentador de televisão Paulo Cardoso (já falecido). Conheci Paulo Cardoso em Angola com quem trabalhei na TVA - Televisão de Angola na altura.
Em 1975, formei em Portugal, os CODECO com José Esteves, Vasco Montez, Carlos Miranda e Jorge Gago (já falecido). Esta organização pretendia, defender, em Portugal, se necessário por via de guerrilha, os valores do Mundo Ocidental.
Através de Paulo Cardoso sou apresentado, em 1975, no Hotel Sheraton, em Lisboa, a um agente da CIA, antena, (recolha de informações), chamado Philip Snell. Falei então durante algum tempo com Philip Snell. O Paulo Cardoso estava então a viver no Hotel Sheraton. Passados poucos dias, Philip Snell, diz-me para ir levantar, gratuitamente, um bilhete de avião, de Lisboa para Londres, a uma agência de viagens na Av. de Ceuta, que trabalhava para a embaixada dos EUA. Fui então a uma reunião em Londres, onde encontrei um amigo antigo, Gary Van Dyk, da África do Sul, que colaborava com a CIA. Fui então entrevistado pelo chefe da estação da CIA para a Europa, que se chamava John Logan. Gary Van Dyk, defendeu nessa reunião, a minha entrada para a CIA, dizendo que me conhecia bem de Angola, e que eu trabalhava com eficiência. Comecei então a trabalhar para a CIA, tendo também para esse efeito pesado o facto de ter anteriormente colaborado com a NISS - National Intelligence Security Service ( Agência Sul Africana de Informações). Gary Van Dyk era o antena, em Londres, do DONS - Department Operational of National Security ( Sul Africana ).
Regressando a Lisboa, trabalhei para a Embaixada dos EUA, em Lisboa entre 1975 e 1988, a tempo inteiro. Entre 1976 e 1977, durante cerca de uma ano e meio vivi numa suite no Hotel Sheraton, o que pode ser comprovado, tudo pago pela Embaixada dos EUA. Conduzia então um carro com matrícula diplomática, um Ford, que estacionava na garagem do Hotel. Nesta suite viveu também a minha mulher, Elsa, já grávida da minha filha Eliana. O meu trabalho incluía recolha de informações /contra informações, informações sobre tráfico de armas, de operações de combate ao tráfico de droga, informações sobre terrorismo, recrutamento de informadores, etc. Estas actividades incluem contactos com serviços secretos de outros países, como a Stassi, a Mossad, e a "Boss" (Sul Africana), depois NISS - National Information Sectret Service, depois DONS e actualmete SASS.
Era pago em Portugal, reccebendo cerca de USD 5.000 por mês. Nestas actividades facilita o facto de eu falar seis línguas. Actuei utilizando vários nomes diferente, com passaportes fornecidos pela Embaixada dos EUA em Lisboa. Facilitava também o facto de eu falar um dialecto angolano, o kimbundo.
A Embaixada dos EUA tinha também uma casa de recuo na Quinta da Marinha, que me estava entregue, e onde ficavam frequentemente agentes e militares americanos, que passavam por Portugal. Era a vivenda "Alpendrada".
A partir de 1975, como referi, passei a trabalhar directamente para a CIA. Contudo a partir de 1978, passei a trabalhar como agente encoberto, No chamado "Office of Special Operations", a que se chamava serviços clandestinos, e que visavam observar um alvo, incluindo perseguir, conhecer e eliminar o alvo, em qualquer país do mundo, excepto nos EUA. Por pertencermos a este Office, éramos obrigados a assinar uma clausula que se chamava "plausible denial" que significa que se fossemos apanhados nestas operações com documentos de identificação falsos, a situação seria por nossa conta e risco, e a CIA nada teria a ver com a situação. Nessa circunstância tínhamos o discurso preparado para explicar o que estávamos a fazer, incluindo estarmos preparados para aguentar a tortura.
Trabalhei para o "Office of Special Operations ” até 1989, ano em que saí da CIA.
Para fazer face a estes trabalhos e operações, as minhas oontas dos cartões de crédito do VISA, American Express e Dinners Club, tinham, cada uma, um planfond de 10.000 USD, que podiam ser movimentados em caso de necessidade. Estes cartões eram emitidos no
Brasil, em bancos estrangeiros sediados no Brasil, como o Citibank, o Bank of Boston ou o Bank of America. Entre 1975 e 1989, portanto durante cerca de 14 anos, gastei com estes cartões cerca de 10 milhões de USD, em operações em diversos países, nomeadamente pagando a informadores, políticos, militares, homens de negócios, e também traficantes de armas e de drogas, em ligação com a DEA (Drug Enforcement Agency), Existiram outros valores movimentados à parte, a partir de um saco azul, “em cash”, valores esses postos à disposição pelo chefe da estação da CIA, no local onde as operações eram realizadas. Este saco azul servia para pagar despesas como viagens, compras necessárias, etc.
Posso referir que a operação de Camarate, que a seguir irei transcrever custou a preços de 1980 entre 750000 e 1 milhão de USD. Só o Sr, José António dos Santos Esteves recebeu 200000 USD. Estas despesas relacionadas com a operação de Camarate, incluíram os pagamentos a diversas pessoas e participantes, como o Sr. Lee Rodrigues, como seguidamente irei descrever.
Entre 1975 e 1988, participei em vários cursos e seminários em Langley, Virginia e Quantico, pago pela CIA, sobre informação, desinformação, contra-informação. terrorismo, contra-terrorismo, infiltrações encobertas, etc, etc.
Trabalhei em serviços de infiltração pela CIA e pela DEA (Drug Enforcement Agency), em diferentes países, como Portugal, El Salvador, Bolívia, Colômbia,Venezuela, Peru, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Chile, Líbano, Síria, Egipto, Argélia, Marrocos, Filipinas.
A minha colaboração com a DEA, iniciou-se em 1981, através de Richard Lee Armitage.
Em 1980, Richard Armitage viria também a estar comigo e com o Henry Kissinger em Paris, Richard Lee Armitage era membro do CFR (Counceil for Foreign Affairs and Relations) e da Organização e Cooperação para a Segurança da Europa (OSCE), criada pela CIA, Richard Armitage era também membro, na altura, do Grupo Carlyle, do qual o CEO era Frank Carlucci. O Grupo Carlyle dedica-se à construção civil, imobiliário e é uma dos maiores grupos de tráfico de armas no Mundo, junto com o Grupo Haliburton, chefiado por Richard "Dick" Cheney. O Grupo Carlyle pertence a vários investidores privados dos EUA, por regra do Partido Republicano. Este grupo promove nomeadamente vendas de armas, petróleo e cimento para países como o Iraque, Afeganistão e agora para os países da primavera árabe.
A lavagem do dinheiro do tráfico de armas e da droga, era feito, na altura, pelo Banco BCCI, ligado à CIA e à NSA - National Security Agency. O BCCI foi fundado em 1972 e fechado no princípio dos anos 90, devido aos diversos escândalos em que esteve envolvido.
Oliver North pertencia ao Conselho Nacional de Segurança, às ordens de william walker, ex-embaixador dos EUA em El Salvador. Oliver North seguiu e segue sempre as ordens da CIA, dependente de William Casey. Oliver North está hoje retirado da CIA , e é CEO de vários grupos privados americanos, tal como Frank Carlucci.
Da DEA conheci Celerino Castilho, Mike Levine. Anabelle Grimm e Brad Ayers, tendo trabalhado para a DEA entre 1975 até 1989. Da CIA trabalhei também com Tosh Plumbey, Ralph Megehee - tenente coronel da NSA, actualmente reformado. Da CIA trabalhei ainda com Bo Gritz e Tatum. Estes dois agentes tinham a sua base de operações em El Salvador, (onde eu também estive durante os anos 80, durante o tráfico Irão - Contras), desenvolvendo nomeadamente actividades com tráfico de armas. Uma das suas operações consistiu no transporte de armas dos EUA para El-Salvador, que eram depois transportadas para o Irão e a Nicarágua. Os aviões, normalmente panamianos e colombianos regressavam depois para os EUA com droga, nomeadamente cocaína, proveniente de países como a Colômbia, Bolivia e El Salvador, que serviam para financiar a compra de armas. Esta actividade desenvolveu-se essencialmente desde os finais dos anos 70 até 1988.
A cocaina vinha nomeadamente da Ilha Normans Cay, nas Bahamas, de que era proprietário Carlos Lheder Rivas. Carlos Rivas era um dos chefes do Carte de Medellin, trabalhando para este cartel e para ele próprio. Carlos Rivas era, neste contexto um personagem importante, sendo o braço direito de Roberto Vesco, que trabalhava para a CIA e para a NSA. Roberto Vesco era proprietário de Bancos nas Bahamas, nomeadamente o colombus trust. Carlos rivas fazia toda a logística de Roberto Vesco e forneciam armas a troco de cocaina, nomeadamente ao movimento de guerrilha Colombiano M19. Roberto Vesco está hoje refugiado em Cuba.
O dinheiro das operações de armas e de droga são lavadas no Banco BCCI e noutros bancos, com o nome de código "Amadeus". Há no entanto contas activas nas Bahamas e em Norman's Cay, nas Ilhas Jersey, que gerem contas bancárias, nomeadamente para o tráfico de armas para os “Contras” da Nicarágua, e para o Irão.
Como acima referi, muito desse dinheiro foi para bancos americanos e franceses, o que em parte explicará porquê é que Manuel Noriega foi condenado a 60 anos de prisão, tendo primeiro estado preso nos EUA, depois em França, e actualmente no Panamá. Foi preso porque era conveniente que estivesse calado, não referindo nomeadamente que partilhava com a CIA, o dinheiro proveniente da venda de armas e da venda de drogas. Noriega movimentava contas bancárias em mais de 120 bancos, com conhecimento da CIA. Noriega fazia também parte da operação Black Eagle, dedicada ao tráfico de armas e de droga, que
em 1982 se transformou numa empresa chamada Enterprise, com a colaboração de Oliver North e de Donald Gregg da CIA. Em face do grau de informações e de conhecimento que tinha, é fácil de perceber porquê se verificou o derrube e a prisão de Noriega. Devo dizer que estou pessoalmente admirado que não o tenham até agora “suicidado", pois deve ter muitos documentos ainda guardados. Noriega tinha a intenção de contar tudo o que sabia sobre este tráfico, nomeadamente sobre os serviços prestados à CIA e a Bush Pai, tendo por isso sido preso. Washington e a CIA são assim veículos importantes do tráfico de armas e de droga, utilizando nomeadamente os pontos de apoio de South Flórida e do Panamá.
No início dos anos 80 conheci um traficante do cartel de Cali, de nome Ramon Milian Rodriguez, que depois mais tarde perante uma comissão do Senado Americano, onde falou do tráfico de armas e de droga, do branqueamento de dinheiro, bem como das cumplicidades de Oliver North neste tráfico às ordens de Bush Pai e do Donald Gregg.
Muito do dinheiro gerado nessas vendas foi para bancos americanos e franceses. Este dinheiro servia também para compras de propriedades imobiliárias. Por estar ligado a estas operações, Noriega foi preso pelos EUA.
Foi numa operação de droga que realizei na Colômbia e nas Bahamas, em 1984, onde se deu a prisão de Carlos Lheder Rivas, do Cartel de Medallin, em que eu não concordei com os agentes da DEA da estação de Maiami, pois eles queriam ficar com 10 milhões de dólares e com o avião "lear-jet" provenientes do tráfico de droga. Não concordando, participei desses agentes ao chefe da estação da DEA de Maiami. Este chefe mandou-lhes então levantar um inquérito, tendo sido presos pela própria DEA. A partir de aí a minha vida tornou-se num verdadeiro inferno, nomeadamente com a realização de armadilhas, e detenções, tendo acabado por sair da CIA em 1989, a conselho de Frank Carlucci. O principal culpado da minha saída da CIA foi e da DEA foi John C. Lawn, director da estação da DEA e amigo de Noriega e de outros traficantes. John Lawn encobriu, ou tentou encobrir, todos os agentes da DEA que denunciei aquando da prisão de Carlos Rivas. Após a minha saída da CIA, Frank Carlucci continuou contudo a ajudar-me com dinheiro, com conselhos e com apoio logístico, sempre que eu precisei até 1994.
Regressando contudo à minha actividade em Portugal, anteriormente a Camarate e ao serviço da CIA, devo referir que conheci Frank Carlucci, em 1975, através de duas pessoas: um jornalista Português da RTP, já falecido, chamado Paulo Cardoso de Oliveira, que conhecera em Angola, e que era agente da CIA, e Gary Van Dyk, agente da BOSS (Sul Africana) que conheci também em Angola. Mantive contactos directos frequentes com Frank Carlucci, sobretudo entre l975 e 1982, de quem recebi instruções para vários trabalhos e operações. Os meus contactos com Frank Carlucci mantêm-se até hoje, com quem falo ainda ocasionalmente pelo telefone. A última vez que estive com ele foi em Madrid, em 2008, na escala de uma viagem que Frank Carlucci realizou à Turquia.
Em Lisboa, também lidei e recebi ordens de William Hasselberg - antena da CIA em Lisboa, que além de recolher informacões em Lisboa actua como elo de ligação entre portugueses e americanos. Tive inclusivamente uma vida social com William Hasselberg, que inclui uma vida nocturna em Lisboa, em diferentes bares, restaurantes, e locais públicos. William Hasselberg gostava bastante da vida nocturna, onde tinha muito gosto em aparecer com as suas diversas “conquistas” femininas. Trabalhei também com outros agentes da CIA, nomeadamente Philip Agee. Neste âmbito, trabalhei em operações de tráfico de armas, e em infiltrações em organizações com o objectivo de obter informações políticas e militares, “Billie” Hasselberg fala bem português, e era grande amigo de Artur Albarran, Hasselberg e Albarran conheceram-se numa festa da embaixada da Colômbia ou Venezuela, tendo Albarran casado nessa altura, nos anos 80, com a filha do embaixador, que foi a sua primeira mulher.
Das reuniões que tive com a embaixada americana em Lisboa, a partir de 1978, conheci vários agentes da CIA. O Chefe da estação da CIA em Portugal, John Logan, oferece-me um livro seu autografado. Conheci também o segundo chefe da CIA, Sr. Philip Snell, Sr. James Lowell, e o Sr. Arredondo. Da parte militar da CIA conheci o cor Wilkinson, a partir de quem conheci o coronel Oliver North e o coronel Peter Bleckley. O coronel Oliver North, militar mas também agente da CIA e o coronel Peter Bleckley, são os principais estrategas nos contactos internacionais, com vista ao tráfico e venda de armas, nomeadamente com países como Irão, Iraque, Nicarágua, e o El Salvador. Na sequência do conhecimento que fiz com Oliver North , tendo várias reuniões com ele e com agentes da CIA, por causa do tráfico e negócio de armas. Estas reuniões têm lugar em vários países, como os EUA, o México, a Nicarágua, a Venezuela, o Panamá. Neste último país contacto com dois dos principais adjuntos de Noriega, José Bladon, chefe dos serviços secretos do Panamá, que me disse que praticamente todos os embaixadores do Panamá em todo o Mundo estavam ao serviço de Noriega.
Blandon pediu-me na altura se eu arranjava um Rolls Royce Silver Spirits, para o embaixador do Panamá em Lisboa, o que acabei por conseguir.
Em meados de 1980, Frank Carlucci refere-me, por alto, e pela primeira vez, que eu iria ser encarregue de fazer um "trabalho" de importância máxima e prioritária em Portugal, com a ajuda dele, da CIA, e da Embaixada dos EUA em Portugal, sendo-me dado, para esse efeito, todo o apoio necessário.
Tenho depois reuniões em Lisboa, com o agente da CIA, Frank Sturgies, que conheço pela primeira vez. Frank Sturgies é uma pessoa de aspecto sinistro e com grande frieza, e é organizador das forças anti-castristas, sediadas em Miami, e é elo de ligação com os "contra" da Nicarágua. Frank Sturgies refere-me então, que está em marcha um plano para afastar, definitivamente, (entenda-se eliminar) uma pessoa importante, ligada ao Governo Português de então, sem dizer contudo ainda nomes.
Algum tempo depois, possívelmente em Setembro ou Outubro de 1980, jogo ténis com Frank Cariucci quase toda a tarde, na antiga residência do embaixador dos EUA, na Lapa. Janto depois com ele, onde Frank Cartucci refere novamente que existem problemas em Portugal para a venda e transporte de armas, e que Francisco Sá Carneiro não era uma pessoa querida dos EUA. Depois já na sobremesa, juntam-se a nós o General Diogo Neto, o Coronel Vinhas, o Coronel Robocho Vaz e Paulo Cardoso, onde se refere novamente a necessidade de se afastarem alguns obstáculos existentes ao negócio de armas. Todos estes elementos referem a Frank Caducci que eu sou a pessoa indicada para a preparação e implementação desta operação.
Em Outubro de 1980, num juntar no Hotel Sharaton onde participo eu, Frank Sturgies (CIA), Vilfred Navarro (CIA), o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas (já falecidos), onde se refere que há entraves ao tráfico de armas que têm de ser removidos. Depois há um outro jatar também no Hotel Sharaton, onde participam, entre outros, eu e o Coronel OliverNorth, onde este diz claramente que "é preciso limar algumas arestas" e "se houver necessidade de se tirar alguém do caminho, tira-se", dando portanto a entender que haverá que eliminar pessoas que criam problemas aos negócios de venda de armas. Oliver North diz-me também que está a ter problemas com a sua própria organização, e que teme que o possam querer afastar e "deixar cair", o que acabou por acontecer.
Há também Portugueses que estavam a beneficiar com o tráfico de armas, como o Major Canto e Castro, o General Pezarat Correia, Franco Charais e o empresário Zoio. Sabe-se também já nessa altura que Adelino Amaro da Costa estava a tentar acabar com o tráfico de armas, a investigar o fundo de desenvolvimento do Ultramar, e a tentar acabar acabar com lobbies instalados. Afastar essas duas pessoas pela via política era impossível, pois a AD tinha ganho as eleições. Restava portanto a via de um atentado.
Passados alguns dias, recebo um telefonema do Major Canto e Castro (pertencente ao conselho da revolução), que eu já conhecia de Angola, pedindo para eu me encontrar com ele no Hotel Altis. Nessa reunião está também Frank Sturgies, e fala-se pela primeira vez em "atentado", sem se referirem ainda quem é o alvo. referem que contam comigo para esta operação. O Major Canto e Castro diz que é preciso recrutar alguém capaz de realizar esta operação.
Tenho depois uma segunda reunião no Hotel Altis com Frank Sturgies e Philip Snell, onde Frank Sturgies me encarrega de preparar e arranjar alguns operacionais para uma possível operação dentro de pouco tempo, possivelmente dentro de 2 ou 3 meses. Perguntam-me se já recrutou a pessoa certa para realizar este atentado, e se eu conheço algum perito na fabricação de bombas e em armas de fogo. Respondo que em Espanha arranjaria alguém da ETA para vir cá fazer o atentado, se tal fosse necessário. Quem paga a operação e a preparação do atentado é a Cia e o Major Canto e Castro. Canto e Castro colabora na altura com os serviços Secretos Franceses, para onde entrou através do sogro na época. O sogro era de Nacionalidade Belga, que trabalhava para a SDEC, os serviços de inteligência franceses, em 1979 e 1980. Canto e Castro casou com uma das suas filhas, quando estava em Luanda, em Angola, ao serviço da Força Aérea Portuguesa. Em Luanda, Canto e Castro vivia perto de mim.
Tendo que organizar esta operação, falo então com José Esteves e mais tarde com Lee Rodrigues ( que na altura ainda não conhecia). O elo de ligação de Lee Rodrigues em Lisboa era Evo Fernandes, que estava ligado à resistência moçambicana, a renamo. Falo nessa altura também com duas pessoas ligadas à ETA militar, para caso do atentado ser realizado através de armas de fogo.
Depois, noutro jantar em casa de Frank Carlucci, na Lapa, na Mansarda, no último andar, onde jantamos os dois sozinhos, Frank Carlucci diz abertamente e pela primeira vez, o que eu tinha de fazer, qual era a operação em curso e que esta visava Adelino Amaro da Costa, que estava a dificultar o transporte e venda de armas a partir de Portugal ou que passavam em Portugal, e que havia luz verde dada por Henry Kissinger e Oliver North. Cumprimento ambos, referindo que sou "o homem deles em Lisboa".
Três semanas antes dos atentado, Canto e Castro e Frank Surgies, referem pela primeira vez, que o alvo do atentado é Adelino Amaro da Costa. O Major Canto e Castro afirma que irá viajar para Londres. Frank Sturgies pede-me que obtenha um cartão de acesso ao aeroporto para um tal Lee Rodrigues, que é referido como sendo a pessoa que levará e colocará a bomba no avião.
Recebo depois um telefonema de Canto e Castro, referindo que está em Londres e para eu ir ter lá com ele. Refere-me que o meu bilhete está numa agência de viagens situada na Av. da Republica , junto à pastelaria Ceuta. Chegado a Londres fico no Hotel Grosvenor, ao pé de Victoria Station. Canto e Castro vai buscar-me e leva-me a uma casa perto do Hotel, onde me mostra pela primeira vez, o material, incluindo explosivos, que servirão para confeccionar a "bomba" nesta operação. Essa casa em Londres, era ao mesmo tempo residência e consultório de um dentista indiano, amigo de Canto e Castro, Canto e Castro refere-me que esse material será levado para Portugal pela sua companheira Juanita Valderrama. O Major Canto e Castro pede-me então que vá ao Hotel Altis recolher o material. Vou então ao Hotel acompanhado de José esteves, e recebemos uma mala e uma carta da senhora Juanita, José Esteves prepara então uma bomba destinada a um avião, com esses materiais, com a ajuda de Carlos Miranda.
O Major Canto e Castro volta depois de Londres, encontra-se comigo, e digo-lhe que a bomba está montada. Lee Rodrigues é-me apresentado pelo Major Canto e Castro. Alguns dias depois Lee Rodrigues telefona-me e encontramo-nos para jantar no restaurante galeto, junto ao Saldanha, juntamente com Canto e Castro, onde aparece também Evo Fernandes, que era o contacto de Lee Rodrigues em Lisboa. Fora Evo Fernandes que apresentara Lee Rodrigues a Canto e Castro. Lee Rofrigues era moçambicano e tinha ligações à Renamo. Nesse jantar alinham-se pormenores sobre o atentado. Canto e Castro refere contudo nesse jantar que o atentado será realizado em Angola. Perante esta afirmação, pergunto se ele está a falar a sério ou a brincar, e se me acha com “cara de palhaço"- fazendo tenção de me levantar. Refiro que, através de Frank Carlueci, já estava a par de tudo. Lee Rodrigues pede calma, referindo depois Canto e Castro que desconhecia que eu já estava a par de tudo, mas que sendo assim nada mais havia a esconder.
Possivelmente em Novembro, é-me solicitado por Philip Snell que participe numa reunião em Cascais, num iate junto á antiga marina (na altura não existia a actual marina). Vou e levo comigo José Esteves. Essa reunião tem lugar entre as 20 e as 23 horas, nela participando Philips Snell, Oliver North, Frank Sturgies, Sydral e Lee Rodrigues e mais cerca de 2 ou 3 estrangeiros, que julgo serem americanos. Nesta reunião é referido que há que preparar com cuidado a operação que será para breve, e falam-se de pormenores a ter em atenção. É referido também os cuidados que devem ser realizados depois da operação, e o que fazer se algo correr mal. A língua utilizada na reunião é o Inglés. José Esteves recebeu então USD 200.000 pelo seu futuro trabalho. Eu não recebi nada pois já era pago normalmente pela CIA. Eu nessa altura recebia da CIA o equivalente a cinco mil dólares, dispondo também de dois cartões de crédito Diner's Club e Visa Gold, ambos com plafonds de 10.000 Dólares.
Lee Rodrigues pede-me então que arranje um cartão para José Esteves entrar no aeroporto.
Para este efeito, obtenho um cartão forjado, na mouraria, em Lisboa, numa tipografia que hoje já não existe. Lee Rodrigues diz-me também que irá obter uma farda de piloto numa loja ao pé do Coliseu, na Rua das Portas de Santo Antão. A meu pedido, João Pedro Dias, que era carteirista, arranja também um cartão para Lee Rodrigues. Este cartão foi obtido por João Pedro Dias, roubando o cartão de Miguel Wahnon, que era funcionário da TAP.
Apenas foi necessário mudar-se a fotografia desse cartão, colocando a fotografia de Lee Rodrigues.
José Esteves prepara então em sua casa no Cacém, um engenho para o atentado. Conta com a colaboração de outro operacional chamado Carlos Miranda, especialista em explosivos, que é recrutado por mim, e que eu já conhecia de Angola, quando Carlos Miranda era comandante da FNLA e depois CODECO em Portugal. José Esteves foi também um dos principais comandantes da FNLA, indo muitas vezes a Kinshasa.
Depois do artefacto estar pronto, vou novamente a Paris. No Hotel Ritz, à tarde, tenho um encontro com Oliver North, o cor. Wilkison e Philip Snell, onde se refere que o alvo a abater era Adelino Amaro da Costa, Ministro da Defesa.
Volto a Portugal, cerca de 5 ou 6 dias antes do atentado. É marcado por Oliver North um jantar no hotel Sheraton. Necesse jantar aparece e participa um indivíduo que não conhecia e que me é apresentado por Oliver North , chamado Penaguião. Penaguião afirma ser segurança pessoal de Sá Carneiro. Oliver North refere que Penaguião faz parte da segurança pessoal de Sá Carneiro e que é o homem que conseguirá meter Sá Carneiro no Avião. Penaguião afirma, de forma fria e directa que sá Carneiro também iria no avião, "pois dessa forma matavam dois coelhos de uma cajadada! " Afirma que a sua eliminação era necessária, uma vez que Sá Carneiro era anti-americano, e apoiava
incondicionalmente Adelino Amaro da Costa na denúncia do trático de armas, e na descoberta do chamado saco azul do Fundo de Defesa do Ultramar, pelo que tudo estava, desde o início, preparado para incluir as duas pessoas. Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. Fico muito receoso, pois só nesse momento fiquei a conhecer a inclusão de Sá Carneiro no atentado. Pergunto a Penaguião como é que ele pode ter a certeza de que Sá Carneiro irá no avião, ao que Penaguião responde de que eu não me preocupasse pois que ele, com mais alguém, se encarregaria de colocar Sá Carneiro naquele avião naquele dia e naquela hora, pois ele coordenava a segurança e a sua palavra era sempre escutada. No final do jantar, juntam-se a nós três o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas.
Fico estarrecido com esta nova informação sobre Sá Carneiro, e decido ir, nessa mesma noite, à residência do embaixador dos EUA, na Lapa, onde estava Frank Carlucci, a quem conto o que ouvi. Frank Carlucci responde que não me preocupasse, pois este plano já estava determinado há muito tempo. Disse-me que o homem dos EUA era Mário Soares, e que Sá Carneiro, devido à sua maneira de ser, teimoso e anti-americano, não servia os interesses estratégicos dos EUA. Mário Soares seria o futuro apoio da política americana em Portugal, junto com outros lideres do PSD e do PS. Aceito então esta situação, uma vez que Frank Carlucci já me havia dito antes que tudo estava assegurado, inclusivamente se algo corresse mal, como a minha saída de Portugal, a cobertura total para mim e para mais alguém que eu indicasse, e que pudesse vir a estar em perigo. Isto é a usual "realpolitik" dos Estados Unidos, e suspeito que sempre será.
Três dias antes do atentado há uma nova reunião, na Rua das Pretas no Palácio Roquete, onde participam Canto e Castro, Farinha Simões, Lee Rodrigues, José Esteves e Carlos Miranda. Carlos Miranda colaborou na montagem do engenho explosivo com José Esteves, tendo ido várias vezes a casa de José Esteves. Nessa reunião são acertados os últimos pormenores do atentado. Nessa reunião, Lee Rodrigues diz que ele está preparado para a operação e Canto e Castro diz que o atentado será a 3 ou 4 de Dezembro. Nessa reunião é dito que o alvo é Adelino Amaro da Costa. No dia seguinte encontramo-nos com Canto e Castro no Hotel Sheraton, e vamos jantar ao restaurante "O Polícia".
No dia 4 de Dezembro, telefono de um telefone no Areeiro, para o Sr. William Hasselberg, na Embaixada dos EUA, para confirmar que o atentado é para realizar, tendo-me este referido que sim. Desse modo, à tarde, José Esteves traz uma mala a minha casa, e vamos os dois para o aeroporto. Conduzo José Esteves ao aeroporto, num BMW do José Esteves.
Já no aeroporto, José Esteves e eu entramos no aeroporto, por uma porta lateral, junto a um posto da Guarda Fiscal, utilizando o cartão forjado, anteriormente referido. Depois José Esteves desloca-se e entrega a mala, com o engenho, a Lee Rodrigues, que aparece com uma farda de piloto e é também visto por mim. Depois de cerca de 15 minutos, sai já sem a mala, e sai comigo do aeroporto. Separamo-nos, mas mais tarde José Esteves encontra-se novamente comigo no cabeleireiro Bacta, no centro comercial Alvalade.
Depois José Esteves aparece em minha casa com a companheira da época, de nome Gina, e com um saco de roupa para lá ficar por precaução. Ouvi-mos depois o noticiário das 20 horas na televisão, e José Esteves fica muito surpreendido, pois não sabia que Sá Carneiro também ia no avião.
Afirma que fomos enganados. Telefona então para Lencastre Bernardo, que tinha grandes ligações à PJ e à PJ Militar, e uma Ligação ao General Eanes, Lencastre Bernardo tem também ligações a Canto e Castro, Pezarat Correia, Charais, ao empresário Zoio a José António Avelar que era ex-braço direito de Canto e Castro. José Esteves telefona-lhe, e pede para se encontrar com ele. Este aceita, pelo que, pelas 23 horas, José Esteves, eu, e a minha mulher Elza, dirigimo-nos para a Rua Gomes Freire, na PJ, para falar com ele. José Esteves sobe para falar com Lencastre Bernardo que lhe tinha dito que não se preocupasse, pois nada lhe sucederia. Passámos contudo por casa de José Esteves pois este temia que aí houvesse já um conjunto de polícias à sua procura, devido a considerarem que ele estava associado à queda do avião em Camarate. José Esteves ficou assim aliviado por verificar que não existia aparato policial à porta de sua casa. Vem contudo dormir para minha casa.
Alguns dias depois falei novamente com Frank Carlucci. A quem manifestei o meu desconhecimento e ter ficado chocado por ter sabido, depois de o avião ter caído, que acompanhantes e familiares do Primeiro Ministro e do Ministro da Defesa também tinham ido no Avião. Frank Carlucci respondeu-me que compreendia a minha posição, mas que também ele desconhecia que iriam outras pessoas no avião, mas que agora já nada se podia fazer.
Em 1981, encontro-me com Victor Pereira, na altura agente da Polícia Judiciaria, no restaurante Galeto, em Lisboa. Conto a Victor Pereira que alguns dos atentados estão atribuídos às Brigadas Revolucionárias, relacionados com a colocação de bombas, foram porém efectuadas pelo José Esteves, como foram os casos dos atentados à bomba na Embaixada de Angola, de Cuba ( esta última com conhecimento de Ramiro Moreira), na casa de Torres Couto, na casa do prof. Diogo Freitas do Amaral, na casa do Eng. Lopes Cardoso, e na casa de Vasco Montez, a pedido deste, junto ao Jumbo em Cascais, para obter sensacionalismo à época, tendo José Esteves espalhado panfletos iguais aos da FP25. Não falei então com Victor Pereira de camarate. Tomei conhecimento no entanto que Victor Pereira, no dia 4 de Dezembro de 1980, tendo ido nessa noite ao aeroporto da Portela, como agente da PJ, encontrou a mala que era transportada pelo eng. Adelino Amaro da Costa. Nessa mala estavam documentos referentes ao tráfico de armas e de pessoas envolvidas com o Fundo de defesa do Ultramar. Salvo erro, Victor Pereira entregou essa mala ao inspector da PJ Pedro Amaral, que por sua vez a entregou na PJ. Disse-me então Victor Pereira que essa mala, de maior importância no caso de Camarate, pelas informações que continha, e que podiam explicar os motivos e as pessoas por detrás deste atentado, nunca mais voltou a aparecer. Esta informação foi-me transmitida por Victor Pereira, quando esteve preso comigo na prisão de Sintra, em 1986. Não referi então a Victor Pereira que, como descrevo a seguir, eu tinha já tido contacto com essa mala, em finais de 1982, pelo facto de trabalhar com os serviços secretos na Embaixada dos EUA.
Também em 1981, uns meses depois do atentado, eu e o José Esteves fomos ter com o Major Lencastre Bernardo, na Polícia Judiciária, na Rua Gomes Freire. Com efeito, tanto o José Esteves como eu, andávamos com medo do que nos podia suceder por causa do nosso envolvimento no atentado de Camarate, e queríamos saber o que se passava com a nossa protecção por causa de Camarate. Eu não participo na reunião, fico à porta. Contudo José Esteves diz-me depois que nessa conversa Lencastre Bernardo lhe referiu que, numa anterior conversa com Francisco Pinto Balsemão, este lhe havia dito ter tido conhecimento prévio do atentado de Camarate, pois em Outubro de 1980, Kissinger o informou de que essa operação ia ocorrer. Disse-lhe também que ele próprio tinha tido conhecimento prévio do atentado de Camarate. Disse-lhe ainda que podíamos estar sossegados quanto a Camarate, pois não ia haver problemas connosco, pois a investigação deste caso ia morrer sem consequências.
A este respeito gostaria de acrescentar que numa reunião que tive, a sós, em 1986, com Lencastre Bernardo, num restaurante ao pé do edifício da PJ na Rua Gomes Freire, ele garantiu-me que Pinto Balsemão estava a par do que se ia passar em 4 de Dezembro. No restaurante Fouchet's, em Paris, Kissinger tinha-me dito, “por alto”, que o futuro Primeiro Ministro de Portugal seria pinto Balsemão. E importante referir que tanto Henry Kissinger como Pinto Balsemão eram já, em 1980, membros destacados do grupo Bilderberg, sendo certo que estas duas pessoas levavam convidados às reuniões anuais desta organização.
Deste modo, aquando da conversa com Lencastre Bernardo, em 1986, relacionei o que ele me disse sobre Pinto Balsemão, com o que tinha ouvido em Paris, em 1980. Tive também esta informação, mais tarde, em 1993, numa conversa que tive com William Hasselberg, em Lisboa, quando este me confirmou de que Pinto Balsemão estava a par de tudo.
Em finais de 1982, pelas informações que vou obtendo na Embaixada dos EUA, em Lisboa, verifico que se fala de nomes concretos de personalidades americanas com tendo estado envolvidas em tráfico de armas que passava por Portugal. Pergunto então a William Hasselberg como sabem destes nomes. Ao fim de muitas insistências minhas, William Hasselberg acaba por me dizer que a Pj entregou, na embaixada dos EUA, uma mala com os documentos transportados por Adelino Amaro da Costa, em 4 de Dezembro de 1980, e que ficou junto aos destroços do avião, embora não me tenha dito quem foi a pessoa da PJ que entregou esses documentos. Peço então a William Hasselberg que me deixe consultar essa mala, uma vez que faço também parte da equipa da CIA em Portugal. Ele aceita, e pude assim consultar os documentos aí existentes. que consistiam em cerca de 200 páginas. Pude assim consultar este Dossier durante cerca de uma semana, tendo-o lido várias vezes, e resumido, à mão, as principais partes, uma vez que não tinha como fotografa-lo ou copia-lo.
Vejo então, que apesar do desastre do avião, e da pasta de Avelino Amaro da Costa ter ficado queimada, e ter sido substituida por outra, os documentos estavam intactos. Estes documentos continham uma lista de compra de armas, que incluia nomeadamente RPG-7, RPG-27, G3, lança granadas, dilagramas, munições, granadas, minas, rádios, explosivos de plástico, fardas, kalashiskovs AK-47 e obuses. Referia-se também nesses documentos que para se iludir as pistas, as vendas ilegais de armas eram feitas através de empresas de fachada, com os caixotes a referir que a carga se tratava de equipamentos técnicos, e peças sobresselentes para maquinas agrícolas e para a construção civil. Esta forma de transportar armas foi-me confirmada várias vezes por Oliver North, no decorrer da década de 80, até 1988, e quando estive em Ilopango, no El Salvador, também na década de 80, verifiquei que era verdade.
Nestes documentos lembro-me de ver que algumas armas vinham da empresa portuguesa Braço de Prata, bem como referências de vendas de armas de Portugal e de países de Leste, como a Polónia e a Bulgária, com destino para a Nicarágua, Irão, El Salvador, Colombia, Panamá, bem como para alguns países Africanos que estavam em guerra, como Angola, ANC da África do Sul, Nigéria, Mali, Zimbawe, Quénia, Somália, Líbia, etc. Está também claramente referido nesses documentos que a venda de armas é feita através da empresa criada em Portugal chamada "Supermarket" (que operava através da empresa mãe "Black - Eagle").
Nos referidos documentos ví também que as vendas de armas eram legais através de empresas portuguesas, mas também havia vendas de armas ilegais feitas por empresas de fachada, com a lavagem de dinheiro em bancos suíços e "off-shores" em nome dos detentores das contas, tanto pessoas civis como militares.
As vendas ilegais de armas ocorriam por várias razões, nomeadamente: Em primeiro lugar muitos dos países de destino, tinham oficialmente sanções e embargos de armas. Em segundo lugar os EUA não queriam oficialmente apoiar ou vender armas a certos países, nomeadamente aos contra da Nicarágua, ou ao Irão e ao Iraque, a quem vendiam armas ao mesmo tempo, e sem conhecimento de ambos. Em terceiro lugar a venda de armas ilegal é mais rentável e foge aos impostos. Em quanto lugar a venda de armas ilegal permite o branqueamento de capitais, que depois podiam ser aproveitados para outros fins.
Entre os nomes que vi referidos nestes documentos figuravam:
- José Avelino Avelar
- Coronel Vinhas
- General Diogo Neto
- Major Canto e Castro
- Empresário Zoio
- General Pezarat Correia
- General Franco Charais
- General Costa Gomes
- Major Lencastre Bernardo
- Coronel Robocho Vaz
- Francisco Pinto Balsemão
Francisco Balsemão e Lencastre Bernardo eram referidos como elementos de ligação ao grupo Bildeberg e a Henry Kissinger, Francisco Balsemão pertence também à loja maçónica "Pilgrim", que é anglo-saxónica, e dependente do grupo Bildeberg. Lencastre Bernardo tinha também assinalada a sua ligação a alguns serviços de inteligência, visto ele ser, nos anos 80, o coordenador na PJ e na Polícia Judiciária Militar.
Entre as empresas Portuguesas que realizavam as vendas de armas atrás referidas, entre os anos 1974 e 1980, estavam referidas neste Dossier:
- Fundição de Oeiras (morteiros, obuses e granadas)
- Cometna (engenhos explosivos e bombas)
- OGMA (Oficinas Gerais Militares de Fardamento e OGFE (Oficinas de Fardamento do Exercito)
- Browning Viana S.A.
- A. Paukner Lda, que existe desde 1966
- Explosivos da trafaria
- SPEL (Explosivos)
- INDEP (armamento ligeiro e munições)
- Montagrex Lda, que actuava desde 1977, com Canto e Castro e António José Avelar. Só foi contudo oficialmente constituida em 1984, deixando, nessa altura, Canto e Castro de fora, para não o comprometer com a operação de Camarate. A Montagrex Lda operava no Campo Pequeno, e era liderada por António Avelar que era o braço direito de Canto e Castro e também sócio dessa empresa. O escritório dessa empresa no Campo Pequeno é um autentico “bunker", com portas blindadas, sensores, alarmes, códigos nas portas, etc.
Canto e Castro e António Avelar são também sócios da empresa inglesa BAE - Systems, sediada no Reino Unido. Esta empresa vede sistemas de defesa, artilharia, mísseis, munições, armas submarinas, minas e sobretudo sistemas de defesa anti-mísseis para barcos.
Todos estes negócios eram feitos, na sua maior parte, por ajuste directo, através de brokers - intermediários, que recebiam as suas comissões, pagas por oficiais do Exército, Marinha, Aeronáutica, etc.
Nestes documentos era referido que, como consequência desta vendas de armas, gerava-se um fluxo considerável de dinheiro, a partir destas exportações, legais e ilegais. Estes documentos referiam também a quem eram vendidas estas armas, sobretudo a países em guerra, ou ligados ao terrorismo internacional. Era também referido que todas estas vendas de armas eram feitas com a conivência da autoridade da época, nomeadamente militares como o General Costa Gomes, o General Rosa Coutinho (venda de armas a Angola) e o próprio Major Otelo Saraiva de Carvalho ( venda de armas a Moçambique). Vi várias vezes o nome de Rosa Coutinho nestes documentos, que nas vendas de armas para Angola utilizava como intermediário o general reformado angolano, José Pedro Castro, bastante ligado ao MPLA, que hoje dispõe de uma fortuna avaliada em mais de 500 milhões de USD, e que dividia o seu tempo entre Angola, Portugal e Paris. O seu filho, Bruno Castro é director adjunto do Banco BIC em Angola.
No referido dossier estavam também referidos outros militares envolvidos neste negócio de armas, nomeadamente o Capitão Dinis de Almeida, o Coronel Corvacho, o Vera Gomes e Carlos Fabião.
Todas estas pessoas obtinham lucros fabulosos com estes negócios, muitas vezes mesmo antes do 25 de Abril de 1974 e até 1980. Era referido que estas pessoas, nomeadamente militares, que ajudavam nesta venda de armas, beneficiavam através de comissões que recebiam. Estavam referidos neste Dossier os nomes de "off-shores", que eram usadas para pagar comissões às pessoas atrás referidas e a outros estrangeiros, por Oliver North ou por outros enviados da CIA. Estas "off-shores" detinham contas bancárias, sempre numeradas.
Esta referência batia certo com o que Oliver north sempre me contou, de que o negócio das armas se proporciona através de "off-shores" e bancos controlados para a lavagem de dinheiro.
Vale a pena a este respeito referir que no negócio das armas, empresas do sector das obras públicas aparecem frequentemente associadas, como a Haliburton, a Carlyle, ou a Blackwater, (empresa de armas, construção e mercenários), entre outras. Esta relação está referida, há anos, em vários relatórios, nomeadamente nos relatórios do Bribe Payer Index (indice internacional dos pagadores de subornos), que é uma agencia americana. A indicação deste tipo de práticas foi desenvolvida mais tarde, pela Transparency International e pelo Comité Norte Americanos de Coordenação e Promoção do Comercio do Senado Americano, que referem que há muitos anos , mais de 50% do negócio e comercio de armas em Portugal, é feito através de subornos. Os americanos sempre usaram Portugal para o tráfico de armas, fazendo também funcionar a Base das Lajes, nos Açores, para este efeito, nomeadamente depois de 1973, aquando da guerra do Yom Kippur, entre Israel e os países árabes. Este tráfico de armas deu origem a várias contrapartidas financeiras, nomeadamente através da FLAD, que foi usada pela CIA para este efeito. A FLAD recebeu diversos fundos específicos para a requalificação de recursos humanos.
Não ví contudo neste Dossier observações referindo referindo que estas vendas de armas eram condenáveis ou que tinham efeitos negativos. Havia contudo uma pequena nota, em que algumas folhas de que se devia tomar cuidade com tudo o que aí estava escrito, e que portanto se devia actuar. Havia também na primeira página um carimbo que dizia "confidentical and restricted".
Estas vendas de armas continuaram contudo depois de 1980. Tanto quanto eu sei, estas vendas de armas continuaram a ser realizadas até 2004, embora com um abrandamento importante a partir de 1984, a partir do escândalo das fardas vendidas à Polónia.
No referido Dossier estavam também referidas personalidades americanas envolvidas no negócio de armas, nomeadamente Bush (Pai), dick Cheney, Frank Carlucci, Donald Gregg, vários militares, bem como a empresas como a Blackwater. são ainda referidas empresas ligadas aos EUA, como a Carlyle, Haliburton, Black Eagle Enterprise, etc, que estavam a usar Portugal para os seus fins, tanto pela passagem de armas através de portos portugueses, como pelo fornecimento de armas a partir de empresas portuguesas. Tirei apontamentos desses documentos, que ainda hoje tenho em meu poder.
A empresa atrás referida, denominada supermarket, foi criada em Portugal em 1978, e operava através da empresa mão, de nome Black-Eagle, dirigida por William Casey, (membro do CFR(counceil for Foreign Affairs and Relations), ex-embaixador dos EUA nas Honduras e também com ligações à CIA). A empresa supermarker organizava a compra de armas de fabrico soviético, através de Portugal, bem como a compra de armas e munições portuguesas, referidas anteriormente, com toda a cumplicidade de Oliver North. Estas armas iam para entrepostos nas Honduras, antes de serem enviadas para os seus destinos finais. Oliver North pagou muitas facturas destas compras em Portugal, através de uma empresa chamada Gretsh World, que servia de fachada à Supermarket. Mais tarde, cerca de 1985, quando se começou muito a falar de camarate, Oliver North cancelou a operação "Supermarket, e fechou todas as contas bancárias.
Devo ainda referir que William Hasselberg e outros americanos da embaixada dos EUA, em Lisboa, comentaram comigo, várias vezes o que estava escrito neste Dossier.
Relativamente a Hasselberg isso era lógico, pois foi ele que me deu o Dossier a ler.
Posteriormente comentei também o que estava escrito neste Dossier com Frank Carlucci, que obviamente já tinha conhecimento da informação nele contida.
Tanto William Hasselberg, como membro da CIA, como outros elementos da CIA atrás referidos e outros, comentaram várias vezes comigo o envolvimento da CIA na operação de Camarate e neste negócio de armas. Lembro-me nomeadamente que quando alguém da CIA, me apresentava a outro elemento da Cia, dizia frequentemente "this is the portuguese guy, the one from Camarate, the case in Portugal with the plane!".
As vendas de armas, a partir e através de Portugal, foram realizadas ao longo desses anos, pois era do interesse político dos EUA. A CIA organizou e implementou estas vendas de armas em Portugal, à semelhança do que sucedeu noutros países, pois era crucial para os EUA que certas armas chegassem aos países referidos, de forma não oficial, tendo para isso utilizados militares e empresários Portugueses, que acabaram também por beneficiar dessas vendas.
Como anteriormente referi, William Casei e Oliver North estavam, nas décadas de 70 e 80 conluiados com o presidente Manuel Noriega, no escândalo Irão - contras (Irangate). Foi sempre Oliver North que se ocupou da questão dos reféns americanos no Irão, bem como da situação da América Central. Recebeu pessoalmente por isso uma carta de agradecimentos de George Bush Pai, Vice Presidente à época de Ronald Reagan.
Devo dizer a este respeito que John Bush, filho de Bush Pai, então com 35 anos, a fiver na Flórida, pertencia em 1979 e 1980 ao “Condado de Dade", que era e é uma organização republicana, situada em South Florida, destinada a angariar fundos para as campanhas eleitorais republicanas. John Bush era um dos organizadores de apoios financeiros para os "contra" da Nicarágua.
Conheci também Monzer Al Kasser um grande traficante de armas que tinha uma casa em Puerto Banus em Marbella, e que me foi apresentado, em Paris, por Oliver North, em 1979.
Era um dos grandes vendedores de armas para os “Contra” na Nicarágua, trabalhando simultaneamente para os serviços secretos sírios, búlgaros e polacos. Na sua casa em Marbella, referiu-me também que, por vezes, o tráfico de armas era feito através de África, para que no Iraque não se apercebessem da sua proveniência, pois também vendiam ao mesmo tempo ao Irão e mesmo a Portugal. Este tráfico de armas, que estava em curso, desde há vários anos, em 1980, e o começo do caso Camarate.
Através de Al Kasser conheci, em Marbella, no final de 1981, outro famoso traficante de armas, numa festa em casa de Monzer, que se chamava Adrian Kashogi. Kashogi, como pude testemunhar em sua casa, tinha relações com políticos e empresários europeus, árabes e africanos, por regra ligados ao tráfico de armas e drogas.
Sou preso em 1986, acusado de tráfico de drogas. Esta prisão foi uma armadilha montada pela DEA, por elementos que nessa organização não gostavam de mim, por eu ter levado à detenção de alguns deles, como referi anteriormente. Fui então levado para a prisão de Sintra. Estou na prisão com o Victor Pereira,, que aí também estava preso. Sei, em 1986, que estavam a preparar para me eliminar na prisão, pelo que peço à minha mulher Elza, para ir falar, logo que possível com Frank Carlucci. Em consequência disso recebo na prisão a visita de um agente da CIA, chamado Carlston, juntamente com outro americano. estes, depois de terem corrompido a direcção da prisão, incluindo o director, sub-director e chefe da guarda, bem como um elemento que se reformou muito recentemente, da Direcção Geral dos serviços Prisionais, chamada Maria José de Matos, conseguem a minha fuga da prisão. Contribui ainda para esta minha fuga, mediante o recebimento de uma verba elevada, paga pelos referidos agentes americanos esta directora-adjunta da Direcção Geral dos serviços Prisionais. Estes agentes americanos obtêm depois um helicóptero, que me transporta para a Lousã, onde fico cerca de 20 dias. Vou depois para Madrid, com a ajuda dos americanos, e depois daí ara o Brasil. as despesas com a minha fuga da prisão custaram 25000 euros, o que na época era uma quantia elevada.
Só mais tarde no Brasil, depois de 1986, é que referi a José Esteves que sabia que Sá Carneiro ia no avião, contando-lhe a história toda. José Esteves, responde então, que nesse caso, tinha-mos corrido um grande risco. Eu tranquilizei-o, referindo que sempre o apoiei e protegi neste atentado. Dei-lhe apoio no Brasil no que pude. Assegurei-lhe também o transporte para o Brasil, obtendo-lhe um passaporte no Governo Civil de lisboa, entreguei-lhe 750 contos que me foram dados para esse efeito pela embaixada dos EUA, em Lisboa, e arranjei-lhe o bilhete de avião de Madrid para o Rio de Janeiro . Na viagem de Lisboa para Madrid, José Esteves foi levado por Victor Moura, um amigo comum. No Rio de Janeiro ajudei-o a montar uma loja, numa roulote. Como trabalhava ainda para a embaixada dos EUA, em Lisboa, estas despesas foram suportadas pela Embaixada. Ficou no Brasil cerca de dois anos. Eu, contudo andava constantemente em viagem.
José Esteves recebe depois um telefonema de Francisco Pessoa de Portugal, onde Francisco Pessoa o aconselha a voltar a Portugal, e a pedir protecção, a troco de ir depor na Comissão de Inquérito Parlamentar sobre Camarate. Esse telefonema foi gravado, mas José Esteves nunca chegou a obter uma protecção formal.
Telefono a Frank Carlucci, em 1987, pedindo-lhe para falar com ele pessoalmente. Ele aceita, pelo que viajo do Brasil, via Miami, para Washington. Pergunto-lhe então, em face do que se tinha falado de Camarate, qual seria a minha situação, se corria perigo por causa de Camarate, e se continuarei, ou não a trabalhar para a CIA. Frank Carlucci responde-me que sim, que continuarei a trabalhar para a CIA, tendo efectivamente continuado a ser pago pela CIA até 1989. Frank Carlucci confirma nessa reunião que puderam contar com a colaboração de Penaguião na operação de Camarate, e que ele, Frank Carlucci, esteve a par dessa participação.
Em 1994, foi-me novamente montada uma armadilha em Portugal, por agentes da DEA que não gostavam de mim, por causa da referida prisão de agentes seus, denunciados por mim. Nesta armadilha participam também três agentes da DCITE - Portuguesa, os hoje inspectores Tomé, Sintra e Teófilo Santiago. Depois desta detenção, recebo a visita na prisão de Caxias de dois procuradores do Ministério Público, um deles, se não estou em erro, chamado Fernando Ventura, enviados por Cunha Rodrigues, então Procurador Geral da República. Estes procuradores referem-me que me podem ajudar no processo de droga de que sou acusado, desde que eu me mantenha calado sobre o caso Camarate.
Por ser verdade. e por entender que chegou o momento de contar todo o meu envolvimento na operação de Camarate, em 4 de Dezembro de 1980, decidi realizar a presente Declaração, por livre vontade. Não podendo já alterar a minha participação nesta operação,
que na altura estava longe de poder imaginar as trágicas consequências que teria para os familiares das vítimas e para o país, pude agora, ao menos, contar toda a verdade, para que fique para a História, e para que nomeadamente os portugueses possam dela ter pleno conhecimento.
Não quero, por ultimo, deixar de agradecer à minha mãe, à minha mulher Elza Simões, que ao longo destes mais de 35 anos, tanto nos bons como nos maus momentos, sempre esteve a meu lado, suportando de forma extraordinária, todas as dificuldades, ausências, e faltas de didicaçâo à família que a minha profissão implicava. Só uma grande mulher e um grande amor a mim tornaram possível este comportamento. Quero também agradecer à minha filha Eliana, que sempre soube aceitar as consequências que para si representavam a minha vida profissional, nunca tendo deixado de ser carinhosa comigo. Finalmente quero agradecer à minha mão que, ao longo de toda a minha vida me acarinhou e encorajou, apesar de nem sempre concordar com as minhas opções de vida. A natureza da sua ajuda e apoio, tiveram para mim uma importância excepcional, sem, as quais não teria conseguido prosseguir, em muitos momentos da minha vida. Posso assim afirmar que tive sempre o apoio de uma família excepcional, que foi para mim decisiva nos bons e maus momentos da minha vida.
Lisboa, 26 de Março de 2012
Fernando Farinha Simões
B.I. n.º 7540306
O meu cãozinho lindo… no MEO
06/05/12 00:28 Classificados como: Dogo
A infinita sabedoria de poemas que me inspiram...
01/05/12 23:33 Classificados como: Inspiração
“Cântigo negro” (José Régio) declamado pela Maria Bethânia
“Pedra Filosofal” (Rómulo de Carvalho / António Gedeão) cantado pelo António Freire
“My way” (Paul Anka) cantado pelo Frank Sinatra (na melhor interpretação ao vivo que conheço!)
“Something beautiful” cantado pelo Robbie Williams (que é o autor da letra)
“Come undone” (Robbie Williams, Ashley Hamilton, Boots Ottestad and Daniel Pierre) cantado pelo Robbie Williams
Como viver antes de morrer...
01/05/12 22:49 Classificados como: Inspiração
Das palestras mais inspiradores a que assisti… O Steve Jobs pouco tempo antes de morrer. “Carpe diem” meus amigos. Que a vida passa a correr. Comovente, inspirador, uma lição de vida.
Porque todos temos que ser loucos e acreditar:
Porque fazemos o que fazemos?
01/05/12 22:04 Classificados como: Inspiração
O que nos motiva? O que nos faz conseguir coisas difíceis? O que nos leva além dos nossos limites para descobrir que afinal não eram reais?
Brilhante Ted Talk do Tony Robbins!
O Hannibal Lector (Thomas Harris) é um menino de coro…
01/05/12 20:47 Classificados como: Serial killers
Comentario no Youtube:

Esqueçam lá o “Hannibal Lector”… A história de alguns dos mais conhecidos “serial killers” (que para além de matar comiam as vitimas) do mundo moderno: Albert Fish, Andrei Chikatilo e Jeffrey Dahmer. Quando a realidade dos assassinos em série e canibalismo é muito mais atemorizante que os personagens de cinema…
“It took me 9 days to eat her entire body”
- Albert fish (carta para os pais de uma das crianças que matou)
“Had children in every state”
- Albert Fish
“I am a mistake of nature, a mad beast...”
- Andrei Chikatilo
"I knew my grandma would be waking up and I still wanted him to stay with me so I strangled him… I brought him up to the bedroom and pretended he was still alive."
- Jeffrey Dahmer
A inspiração de um assassino (Charles Manson)
01/05/12 17:33 Classificados como: Musicas brilhantes | Serial killers
O Paul McCartney estava longe de adivinhar que o White album dos Beatles ia servir de inspiração a Charles Manson para uma orgia de sangue que durou duas noite. A descrição da wikipedia dos eventos é arrepiante.
Mas a relação de Charles Manson com a música não se fica pela inspiração no álbum dos Beatles. Escreveu musicas, há um album para história dele: Lie: The Love and Terror Cult. Musicas escritas por ele foram interpretadas por bandas conhecidas (beach boys, gun’n’roses, etc). O Youtube está cheio de documentários sobre ele, músicas dele, covers, etc.
The Beatles - Helker Skelter
Conheça o monstro
Há um excelente documentário sobre ele do Biography channel.
Outras musicas relacionadas
"A Poem About An Old Prison Man" – Decapitated
"ATWA" – System of a Down
"Beausoleil" – Current 93
"Bloodbath in Paradise" – Ozzy Osbourne
"California Hippy Murders" Red River Dave McEnery
"Charlie Manson Blues" – The Flaming Lips
"Charlie Manson's eyes" – People Haters
"Devil's Hole Girls and the Big Revolution" – Rob Zombie
"Death Valley '69" – Sonic Youth and Lydia Lunch
"DI-1-9026" – J. G. Thirlwell
"Do The Charles Manson" – Necro
"Love and Terror" – Krookid Hooks
"Lunatic of God's Creation" – Deicide
"Mister Manson" – Klaatu
"My Monkey" - Marilyn Manson
"Real Solution #9" – White Zombie
"Reflection of Children Coming Up in the Grave" – Necro
"Revolution Blues" – Neil Young
"Sadie" – Alkaline Trio
"Spahn Ranch (Charles Manson)" – Church of Misery
"Servants of Evol" – Electric Hellfire Club
Na mente de uma assassina (Brenda Ann Spencer)
01/05/12 16:54 Classificados como: Musicas brilhantes | Serial killers
Brenda Ann Spencer, uma miúda americana de 16 anos de idade, acordou uma segunda feira, foi para a janela de casa dela e matou duas pessoas e feriu outras nove. Os alvos eram miúdos a entrar para a escola (em frente à casa dela) e um policia. Quando questionada “Porque?” ela limitou-se a responder “Não gosto de segundas-feiras”. Isto aconteceu no dia 29 de Janeiro de 1979.
O Bob Geldof escreveu sobre este episódio uma canção que fica para a história (leiam a letra e vejam ao mesmo tempo que ouvem). É absolutamente genial e arrepiante (a interpretação no live aid é a minha preferida).
THE BOOMTOWN RATS - “I Don't Like Mondays"
The silicon chip inside her head gets switched to overload.
And nobody's gonna go to school today, she's going to make them stay at home.
And daddy doesn't understand it, he always said she was as good as gold.
And he can see no reason… 'Cause there are no reasons… What reason do you need to be shown?
Tell me why? I don't like Mondays.
Tell me why?I don't like Mondays.
Tell me why?I don't like Mondays.
I want to shoot the whole day down.
The telex machine is kept so clean as it types to a waiting world.
And mother feels so shocked, father's world is rocked,
And their thoughts turn to their own little girl.
Sweet 16 ain't so peachy keen, no, it ain't so neat to admit defeat.
They can see no reasons… ’Cause there are no reasons… What reason do you need?
Tell me why? I don't like Mondays.
Tell me why?I don't like Mondays.
Tell me why?I don't like Mondays.
I want to shoot the whole day down.
All the playing's stopped in the playground now…
She wants to play with her toys a while.
And school's out early and soon we'll be learning
And the lesson today is how to die.
And then the bullhorn crackles, and the captain crackles, with the problems and the how's and why's.
And he can see no reasons… ‘Cause there are no reasons… What reason do you need to die? Die!
The silicon chip inside her head gets switched to overload.
And nobody's gonna go to school today, she's going to make them stay at home.
And daddy doesn't understand it, he always said she was as good as gold.
And he can see no reason… 'Cause there are no reasons… What reason do you need to be shown?
Tell me why? I don't like Mondays.
Tell me why?I don't like Mondays.
Tell me why?I don't like Mondays.
I want to shoot the whole day down.
A história da Brenda Ann Spencer
Montar um filme, gravar DVD's e Blu-ray, um dia diferente!
25/04/12 23:09 Classificados como: Home movie


O blu-ray burner é um samsung e até agora não tenho nada de mau a apontar. Portátil, silencioso… e faz o que se espera dele. Recomendo!
"serviço público" sobre segurança informática básica
22/04/12 23:22 Classificados como: Segurança & informática
Há algum tempo que não escrevia na minha página pessoal. Quando morreu o meu doguinho fiquei com a alma desfeita. Como terapia regressei a velhos hábitos, pensando e escrevendo sobre tópicos que há algum tempo me eram relativamente indiferentes.
Deste período resultaram vários textos sobre segurança básica em informática escritos de forma a serem entendidos pelo maior numero possível de pessoas: redes wifi, e-mail em clientes e servidores, bem como problemas comuns (Phishing, spam e de privacidade). Nenhum deste textos é “uma novidade”, alguns deles foram escritos com base em notas de preparação para cursos de segurança e hacking que dei há uma década atrás, mas nunca tinham sido transmitidos por escrito (por mim) em versão tão simplificada.
Não comecei nenhum dos textos com “espirito de missão”, mas gostei francamente do resultado, em particular quando os textos são observados em conjunto. Considero que a minha página, criada há 15 anos atrás, por piada, passou a prestar algum serviço (público) à comunidade de utilizadores de informática. Até agora era um exercício de puro narcisismo, um “microfone” para o mundo, sem qualquer intenção de mudar fosse o que fosse. Com estes textos estou absolutamente convencido que vai ajudar algumas pessoas a sofrerem menos dissabores e dificultar a vida a alguns hackers ocasionais. Sabe bem.
Copie o que quiser, envie a quem achar que deles possa fazer uso, coloque os links para eles nas redes sociais que entender. Eu fui o autor, mas estes textos não são meus. São oferecidos a quem deles necessite.
As saudades do doguinho...
08/01/12 01:34 Classificados como: Dogo
São um milhão de pequenos pormenores que me assombram. Não o ver quando acordo, pacientemente à espera do passeio da manhã, do pequeno-almoço, das minhas festinhas. Não se levantar sempre que eu mudo de posição. Não o ver ao meu lado em cada ida à cozinha ou à casa de banho. Não o ver a olhar para mim, deitado, à espera que eu fizesse qualquer movimento. O brinquedo preferido dele a cair no meu colo, as orelhas levantadas, os olhos arregalados.

Nós temos as nossas vidas sociais, os nossos trabalhos, as nossas séries de televisão... o doguinho tinha-me a mim e a dona. Nós éramos tudo. Comia quando estávamos presentes, mesmo que a comida estivesse ao lado dele, era a nós que dedicava toda a atenção. Todos os nossos movimentos podiam dar origem a uma festinha, a coisa mais importante na vida dele, havia sempre a possibilidade de se sentar à nossa frente, levantar as orelhas e arregalar os olhos... porque coisas boas aconteciam quando o fazia, porque era irresistível de charme.
Até das pequenas irritações tenho saudades. Saudade de o ver cheirar a relva minutos a fio quando eu tinha pressa, como se estivesse a descobrir um novo universo de cheiros diferentes da véspera. Saudade das vezes em que não me deixava vestir-me ao meu ritmo, porque sabia que eu o ia levar à rua logo a seguir. Saudade do ar arrependido quando fazia asneiras, mesmo antes de eu dizer alguma coisa. Saudades de quando se metia entre mim e a televisão para reclamar atenção.

Ah, e tão importante era para ele a sessão diária de me lamber os pés antes de eu me deitar, de beijinhos no pescoço, de esticar o pescoço para me cheirar... A expressão dele a encher-me de mimo, era a altura em que ele sentia me estava a dar as festinhas, a retribuir todas as que lhe tinha dado durante o dia.
Ele gostava de pessoas. Está tão vívido na minha memória, no que acabaria por ser o ultimo fim de semana da sua vida, ele no béltico a brincar com o Vasquinho (bebé) e com o Gonçalo, a pedir festinhas ao meu pai sempre que o via. A invasão de miúdos na quinta no primeiro dia do ano.
As pessoas que não o conheciam podiam ter medo dele, por ser tão grande e imponente, mas ele adorava todas as festas... e nunca o vi ter qualquer tipo de relutância em estar com alguém. Até a persistência dos miúdos era aceite com resignação e infinita paciência, mesmo quando ele já só queria um cantinho sossegado. Ninguém nos podia visitar sem o doguinho tentar extrair tanta brincadeira e festinhas quanto possível, sempre a baixar a cabeça e a olhar para o chão quando sentia que tinha começado uma sessão de festinhas, sempre a encostar o corpo contra as pernas das pessoas a torcer-se de mimo.
Adorava outros cães. Fez umas amigas, a Anuk que adorava e com quem passou uns dias em São Pedro, a Pipa a quem ofereceu todos os seus brinquedos quando o Miguel e a Joana a trouxeram cá a casa, a Lara que encontrava esporadicamente nos passeios. Com os cães era mais complicado, por muito que ele se tentasse aproximar normalmente recebia umas ladradelas (o tamanho dele e ser macho não ajudavam), mas ele impreterivelmente latia para eles, abanava o rabo furiosamente, ladrava de volta “para o lado” em vez de ladrar “de frente” para eles.

O meu cão. Que crédito para a raça (Dogo argentino). Que generosidade, que carácter, que vazio enorme na minha vida fica depois de o perder... e agora? Entrar em casa sem o ver encostado à porta dói. Não o passear de manhã, ao final da tarde e à noite, é horrível.


Passo a vida a olhar para o lado à procura do meu companheiro, e em vez de o descobrir a olhar para mim vejo os espaços que ele ocupava vazios. Que dor na minha alma... que vazio. Que saudade.
Dogo (2004-2012)
06/01/12 17:09 Classificados como: Dogo
Nasceu em 16 de Julho de 2004 e faleceu no dia 5 de Janeiro 2012. Um “dogo argentino” chamado Dogo. Nunca o esquecerei o amor incondicional que me deu. Não tenho palavras para descrever a tristeza que me vai na alma. Foram oito anos de companhia, ternura, miminhos e devoção a tempo inteiro.
Viveu uma vida marcada pelo estigma do “animal potencialmente perigoso”… tive que explicar vezes sem conta que não fazia mal a uma mosca, que era um gigante de ternurento, que estava habituado a crianças e não havia a mínima hipótese de fazer mal a outro animal.
O meu doguinho lindo. O meu companheiro. Meu amigo. Nunca te esquecerei… Dava tudo para te ter de volta. Obrigado por uma vida dedicada a dar tudo o que tinhas, toda a atenção do mundo, todos os mimos que se podem dar. Não tenho palavras que cheguem para descrever tudo o que sinto. A dor de perder o meu Dogo é um dos piores momentos de que tenho memória. Tantos momentos que recordo com saudade…



