2010

Ensitel e troca de equipamentos...


Não sou cliente da Ensitel. Nunca entrei numa loja deles. Mas algo não parece estar a correr bem com a troca de equipamentos... Nunca tive um problema destes com a Fnac ou com a Worten (sou cliente de ambas).

Isto nem me parece um problema “lógico” para a Ensitel ter. Se os equipamentos avariam nos prazos que a lei estipula estes são normalmente devolvidos aos respectivos fornecedores, e trocados ao cliente. Terem “marcas” devido à sua normal utilização (andam em bolsos, com chaves e moedas á mistura) parece mais um defeito dos materiais usados que do uso que lhes foi dado. Eu até diria que só por si isso é motivo para devolver o equipamento (mau material de construção e uma excessiva facilidade em se riscarem) e para a Ensitel não os vender, procurando melhores soluções para oferecer aos seus clientes. Se há coisa que não falta são fornecedores de telemóveis. Já comprei na Worten e Fnac equipamentos com defeitos, e foram trocados imediatamente, ficando eu como consumidor “protegido” pela entidade que me faz a venda. Tenho dificuldade em perceber como a Ensitel se sujeita a este tipo de situação, e como aparentemente (e apenas com base no que leio na Internet) não protege os seus clientes de forma eficaz e universal.

Assim a “olho nu” está-me a parecer que a empresa que faz a venda final aos clientes está a lidar mal com estas situações. Dado que me parece que a Ensitel não produz equipamentos, faz apenas a venda ao cliente final, deixar que este tipo de situações aconteça andará muito perto de um suicídio comercial.

Outra história curiosa é a experiência descrita pela “Jonasnuts”... que acrescenta, ao que parece ser uma duvidosa relação com esta cliente em particular, a “cereja no topo do bolo” de a querer impedir de contar a sua história. Em termos de credibilidade eu diria que é uma “batalha completamente idiota“ da parte da Ensitel, a verdade tal como descrita pela autora é perfeitamente credível (e em tudo semelhante aos relatos de outros clientes que encontrei no queixas.pt) e devidamente assinada, e a única coisa que a Ensitel ganhou com esta atitude foi a maior tempestade de má publicidade que eu até hoje vi na Internet (e já vi muita coisa). Parece-me uma atitude muito pouco inteligente da parte da Ensitel.

Claro que já apareceram “resmas e paletas” de “pseudo-gurus” e “social media experts” a aconselhar a empresa relativamente à sua estratégia na Internet e redes sociais. Lá dizem o que acham que a Ensitel deveria fazer (quase tudo “lugares comuns” no que respeita à “relação com clientes” e “disparates” no que “respeita à presença na Internet”). Não me quero confundir com esse “gang”, dado que lidar com estes problemas é algo que faço na MrNet e que não ando a “oferecer” o que vendo na empresa (chama-se consultoria e custa dinheiro), pelo que me limito a dois raciocínios muito simples:

- A minha experiência com a Fnac, Worten e Vodafone, tem sido sempre radicalmente diferente no que respeita a trocar equipamentos, que eu obviamente usei por alguns dias, e naturalmente as marcas desse uso existirão (mais ou menos visíveis dependendo da robustez e qualidade dos materiais do produto que me venderam). Nem nunca vi ninguém com uma lupa à procura de riscos ou defeitos. Se é óbvio que um alfa pendular não passou por cima do equipamento nem este caiu ao chão e se partiu, trocam-no. Sempre senti toda a boa vontade em me atender e agradar. Não percebo como uma empresa (com esta concorrência) se pode dar ao luxo de ter clientes a fazer estas descrições dantescas de algo que deveria ser um procedimento “normal”.Se os clientes que ficaram insatisfeitos e recorreram por isso ao expediente de trocar ou devolução do produto, o que me parece é que a Ensitel deveria lamentar isso, fazer sugestões de alternativas e ajudar o cliente a encontrar algo de que goste. O objectivo não é que ele volte?

- Só porque as redes sociais (e a Internet) existem a Ensitel não tem que lá estar. A querer “marcar presença” eu sugiro que o faça nos moldes da amazon, e-bay, etc. Procure exemplos de referência e com eles aprenda a lidar com clientes via Internet. Com profissionalismo, capacidade de lidar com as criticas e um extremo cuidado em proteger os seus clientes. Iniciar processos jurídicos perante uma critica, mesmo que seja eventualmente “falsa e descabida”, não é uma abordagem particularmente inteligente. Lamentar más experiências de consumidores, fazer um bocadinho de marketing face às criticas, é mais barato, eficiente, e tende a gerar melhores resultados. A amazon faz isto particularmente bem e de forma particularmente visível. O Continente online, que na minha opinião faz muita coisa mal (tecnicamente o site é francamente mau, lento e um exercício de frustração para quem o usa), consegue prestar um bom serviço graças a uma simpatia ilimitada, uma visível vontade de ajudar os clientes e de compensar qualquer má experiência que tenham. Sugiro vivamente que “parem”, “pensem”, “coloquem toda a estratégia relativa à Internet em causa”. O www.ensitel.pt é um mau cartão de visita que parece um panfleto de papel, mas pelo menos conseguem controlar os respectivos conteúdos, já a presença no Facebook é uma calamidade para a imagem da empresa.

Não retiro nenhum prazer sádico de ver empresas passar por este tipo de calamidades de relações publicas e mau uso da Internet. Lamento as péssimas experiências descritas por alguns clientes e percebo porque se dão ao trabalho de reclamar e de contar as histórias. Acho inacreditável, e de uma profunda falta de jeito, que a Ensitel se lembre de os perseguir e processar, é aumentar o problema, criar ainda mais frustração e descontentamento. A pior abordagem possível... resta a consolação que dificilmente conseguem fazer um disparate ainda maior.

O mais barato dos “processos jurídicos” custa muito mais que um telemóvel topo de gama. Que escrever uma carta, que mandar um ramo de flores a alguém, que qualquer operação de charme.
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Este nosso Portugal...


Vivemos num país complicado. Governos (sucessivos do PSD e PS) que gastam mais dinheiro do que cobram em impostos, pessoas assumem que adquiriram uma série de direitos e privilégios e não os querem perder mesmo que não exista dinheiro para os pagar, com um mercado em que “aldrabões” e “lobbies” me parecem francamente determinantes para o sucesso.

Para quem ainda não percebeu: o estado português gasta dinheiro em excesso. Mais que o que cobra em impostos. Para suportar esta prática (nos últimos 30 anos) recorreu sucessivamente a crédito para financiar o défice (i.e. a diferença entre o que arrecada em impostos e o que gasta). Chegou a altura de pagar as contas e travar o processo de endividamento. Quem nos empresa dinheiro acha que somos um cliente de risco e, consequentemente, cobra juros demasiado elevados para ser praticável viver da mesma forma (acima das nossas possibilidades) por mais tempo.

Vendam as reservas de ouro (e tudo o que for necessário) e paguem as dividas. Ganhem juízo e bom senso e passem a gerir o pais com os meios de que dispõem (e não a crédito). Se não há meios para pagar “tanto estado”, tanto conforto e segurança, precisamos de o “reduzir”. Isso implica menos protecção social. Significa menos serviços “subsidiados”. Significa que se fazemos estradas temos que pagar por elas. Significa que é uma boa ideia as pessoas que podem passem a pagar pelos cuidados médicos recorrendo a hospitais privados. Significa que educar as crianças é caro e é preciso acabar com utopias como o “gratuito” constitucional. O que não podemos é “querer o bolo e comer ao mesmo tempo”, querer os benefícios e protecção e não ter como pagar por ambos.

A nossa legislação laboral é uma merda. É complicado despedir quem não trabalha, ou trabalha mal, e dar oportunidades a quem quer trabalhar. Cair no desemprego é uma situação muito complicada, em particular para malta com mais de 40 anos. Salvar empresas quando há dificuldades é uma missão muito complicada, porque despedir parte das pessoas para salvar os postos de trabalho dos que ficarem é excessivamente caro. Arriscar meter pessoal quando há mais trabalho é por isso um processo mais “lento” e “substancialmente mais arriscado” do que deveria ser.

Estamos no final da linha. Na hora da verdade. Durante décadas fizemos legislação que tem consequências que não temos dinheiro para pagar. Muito bonita, muito humana, infelizmente muito falida, utópica e insustentável. Os nossos políticos lembram-me o “triunfo dos porcos”. Os meus compatriotas parecem adormecidos, incapazes de lidar com o pesadelo que é a actual situação do país, como se o problema “não fosse deles”, como se a solução não tivesse forçosamente que passar por eles. Que bando de “Lemmings”. Estão tão entretidos a reclamar “a perda óbvia” de privilégios, conforto e segurança, que se esquecem de que tudo isso tem um preço e acontece que não temos dinheiro para o pagar.

A solução é pagar as dividas, viver com o que temos, parar com este carrossel de disparates sucessivos. Já há demasiadas contas por pagar... Ah! A cereja no topo do bolo é que o resto da Europa caminha para a mesma situação. Está tudo maluco, toda a gente a imaginar que há galinhas de ovos de ouro escondidas nas bancadas dos parlamentos ou nos ministérios das finanças, à espera de milagres de algum Deus imaginário vai aparecer e pagar as contas.

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Leitura de férias: "Stieg Larsson" e a biografia do Ozzy.


Estas férias parte da minha leitura foi a série “Millenium” do Stieg Larsson. O primeiro livro ("The Girl With The Dragon Tattoo") é “giro”, os dois seguintes ("The Girl Who Played With Fire" e "The Girl Who Kicked the Hornets' Nest") são muito bons. Recomendo vivamente!

A biografia do Ozzy Osbourne (“I am Ozzy”) é hilariante. Foram raras as páginas em que eu não dei comigo a rir às gargalhadas. Gostem ou não dele como musico, vale a pena ler...

Li estes livros no Kindle (da Marlene) e no (meu) iPad. Gostei da experiência, desconfio que não voltarei a comprar livros em papel se estes existirem em versão digital. O Kindle é o melhor leitor para ambientes iluminados (praia em particular).

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BMW K1300S - Primeiras impressões...

Lisboa-Porto em auto-estrada não será a minha primeira escolha para a rodagem de uma mota. Estradas de montanha, com muitas curvas, em que se passe pelas várias mudanças, a uma velocidade moderada pelo próprio percurso é o ideal... No entanto, levantei a mota há sete dias e esta foi a primeira oportunidade de sair da cidade.

O motor é em tudo familiar para quem teve uma K1200GT. Mais nervoso, mais potente, “mais do mesmo”... A velocidade de cruzeiro confortável é mais baixa (~140km/h) que na GT (~160km/h). Há menos protecção aerodinâmica consequentemente mais vento e mais turbulência. A mota é menos confortável, mais “leve” e “divertida”.

A segunda versão do ESA (electronically adjustable suspension) é uma evolução muito feliz da anterior. Basicamente permite mudar em andamento entre diferentes regulações da suspensão (“sport”, “normal” e “confort”, para uma ou duas pessoas) e ao contrário da anterior versão a “sport” não é excessivamente dura e a “confort” não torna a mota “saltitona”.

A caixa é a melhor e mais precisa que alguma vez vi numa BMW. A subir mudanças podemos usar embraiagem em modo automático, o que é “giro” e “eficiente”.

A posição de condução é “diferente” e muda bastante a sensação de guiar uma mota relativamente ao que estava habituado (depois de toda a vida ter andado em motas de “trail” ou de “turismo”). Não desgosto, em trajectos curtos acho até mais piada, mas o desgaste é muito maior em tiradas longas.

O equipamento necessário para a mota também é diferente... com mais vento já não é qualquer blusão que serve (porque tem que ser justo, apertado e não se encher de ar), levo com mais insectos visto que não tenho o vidro à frente, com mais agua se estiver a chover, etc. No passado (com a GS, RT e GT) ficaram os tempos de ir a fumar em viagem e agora o capacete anda “fechado”.

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BMW K1300S - A nova mota...



Nova mota, que vem substituir a BMW K1200GT, ao fim de 3 anos. É uma BMW K1300S; a versão mais desportiva, do mesmo motor (sem atingir o radicalismo da K1300RR).

São 175 cavalos numa mota pelo que a resposta do motor a qualquer estimulo é excelente. A posição de condução é bastante menos confortável que na GT e ainda estou longe de estar habituado a ela. A manobrabilidade é maior, o peso é menor, e a sensação de estar a guiar algo “completamente diferente” da mota anterior é algo que eu procurava.

Ainda tenho poucos km feitos. A mota está na rodagem. Estou ansioso por fazer umas viagens com ela... :-)


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